Calciopédia
·17 de setembro de 2026
Em sua estreia na Europa League, o Milan deu vexame em San Siro contra o Benfica

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·17 de setembro de 2026

O Milan teve em San Siro uma estreia na Liga Europa marcada não só pela derrota para o Benfica, mas principalmente pela incapacidade de ser competitivo na partida que marcava a reedição das finais continentais de 1963 e 1990, ambas vencidas pelos italianos. O time português foi mais compacto, mais claro nas suas ações e aproveitou a passividade rossonera para vencer por 2 a 0, com dois gols que expuseram problemas defensivos semelhantes. Uma atabalhoada tentativa de reação do Diavolo no segundo tempo não mudou o cenário, até porque veio tarde demais para evitar uma derrota que fez a equipe de Ruben Amorim deixar o campo sob vaias.
A escalação inicial já apontava para uma escolha discutível de Amorim. Ainda que venha pela frente uma longa pausa para a data Fifa, o treinador mudou cinco jogadores em relação ao time que havia começado o compromisso com a Lazio. Também não deu sequência a alguns atletas que mudaram o cenário no Olímpico. Pulisic, Moreira – vital no fim de semana – e Modric ficaram no banco, enquanto Hutchinson ocupou a faixa central da linha de três meias ofensivos, Bartesaghi apareceu pela esquerda e Filippo Terracciano entrou no lugar de Gila, voltando a atuar como titular após cerca de dois anos. O meio-campo foi formado por Musah e Jashari, pois Rabiot também ficou entre os reservas. Do outro lado, Marco Silva deixou Pavlidis no banco e apostou em Durán no ataque, além de Circati, ex-Parma, na defesa.
O problema maior do Milan, porém, não estava apenas nos nomes escolhidos. A equipe voltou a apresentar a falta de movimentação que já havia sido observada no primeiro tempo contra a Lazio. Com exceção do trecho final da primeira etapa, o Benfica teve a bola, enquanto os rossoneri pouco fizeram para alterar o comportamento do jogo. Quem recebia a pelota encontrava poucas opções de passe e praticamente nenhum movimento à frente. Em determinado momento, Jashari chegou a gesticular de forma explícita para que os companheiros se movimentassem mais.
As dificuldades também se apresentavam quando o Milan conseguia alcançar a intermediária ofensiva. Faltavam mecanismos claros para dar sequência às jogadas, e a equipe recorria sobretudo aos cruzamentos de Chukwueze ou aos dois meias ofensivos recebendo a bola nos pés, quase nunca atacando a profundidade. O resultado era uma construção ofensiva excessivamente dependente da capacidade individual dos jogadores. Ramos por sua vez, buscava muito jogo longe da área: corria, recuava e se esforçava, mas acabava se afastando da zona em que poderia ser mais perigoso. E, a bem da verdade, o camisa 9 jamais foi uma ameaça para sua antiga equipe. Com apenas um gol em cinco jogos da temporada, o reforço mais caro da história do clube, contratado por cerca de 75 milhões de euros, passou a ser alvo de contestação.
Confuso: o Milan pareceu nem entender o que se passava em campo contra o Benfica (Getty)
O Benfica, por sua vez, apresentou uma proposta muito mais definida. O time manteve as linhas compactas, explorou bastante os lados do campo, alternou os corredores e teve jogadores dispostos a atacar o adversário no um contra um. Essa diferença de comportamento ficou evidente no primeiro gol, aos 16 minutos. Kaminski recebeu pela esquerda e avançou sem encontrar oposição entre Chukwueze e Terracciano. O polonês centralizou a jogada e serviu Lukeéakio, que ainda teve espaço para conduzir diante de Bartesaghi e finalizar de canhota. A facilidade com que os encarnados chegaram à conclusão expôs a fragilidade da marcação do Milan.
O cenário poderia ter ficado ainda mais complicado pouco depois, quando Sudakov acertou a trave, mas o primeiro tempo terminou com vantagem mínima para os portugueses. A produção ofensiva do Milan foi muito pequena: um chute de direita de Terracciano de fora da área e uma finalização de esquerda de Jashari que passou pouco acima do gol foram os principais registros de uma equipe que quase nunca incomodou o rival. As vaias ao intervalo refletiram o que havia sido apresentado em campo. Era San Siro, mas parecia muito mais o Estádio da Luz.
A entrada de Pulisic no lugar de Hutchinson modificou o ritmo do Milan na volta do intervalo. A equipe passou a ter mais energia e avançou suas linhas, e De Winter desperdiçou uma oportunidade clara para empatar. Foi justamente quando os rossoneri começavam a ganhar terreno que o Benfica voltou a marcar. Aos 61 minutos, a passividade dos mandantes assustou. El Karouani conduziu sem preocupação, cruzou rasteiro e encontrou Kaminski completamente livre a poucos metros de Maignan; o polonês chapou no alto e ampliou para os portugueses. O aspecto mais preocupante para o Diavolo neste lance foi que não se tratava de uma defesa desorganizada ou surpreendida em uma transição: a linha defensiva estava recheada. Mas, muito mal posicionada, ninguém acompanhou a movimentação do adversário, que estava cercado por homens de vermelho e preto que olhavam, se muito, para a bola.
Sumido e com apenas um gol em cinco jogos na temporada, Ramos já começa a ser contestado (Getty)
Com 2 a 0 no placar, Amorim lançou os belgas Moreira e Saelemaekers, e o Milan finalmente assumiu um comportamento mais compatível com a necessidade de buscar o resultado. A equipe passou a jogar mais adiantada e com maior intensidade, criando algumas situações para diminuir a diferença. Pulisic teve duas boas oportunidades, mas parou em Trubin em ambas as ocasiões. A reação, entretanto, não foi suficiente para transformar a pressão em gol, e o Benfica conseguiu preservar uma vantagem construída a partir de uma atuação mais consistente e, sobretudo, de uma defesa rossonera que falhou justamente nos momentos decisivos.
O resultado não foi determinado apenas pela eficiência do Benfica nas duas áreas. O Milan demorou a entrar no jogo, teve pouca movimentação para sustentar seus ataques, viu Ramos ser inócuo e concedeu dois gols em lances nos quais a falta de reação defensiva ficou evidente. Apesar da invencibilidade na reta inicial da Serie A, a Liga Europa mostrou que há muito o que ser trabalhado por Amorim. O técnico, inclusive, precisa ser um fator de estabilidade e não um agente do caos com decisões erráticas.
Agora sob contestações de uma torcida compreensivelmente impaciente, o Milan volta a campo no fim de semana, pela Serie A, e terá a obrigação de ir com tranquilidade para a pausa de três semanas em virtude da data Fifa. Afinal, os rossoneri encaram o modesto Lecce no próprio San Siro. Pela Liga Europa, o Diavolo buscará a recuperação somente em outubro, quando viaja até a Áustria para encarar o Red Bull Salzburg. Já o Benfica receberá o Celtic na segunda rodada da competição.







































