Jogada10
·04 de março de 2026
Emboscada contra cruzeirenses: Mancha Verde assina TAC e pagará R$ 2 milhões a vítimas

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·04 de março de 2026

A assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Mancha Verde e o Ministério Público de São Paulo estabeleceu um novo capítulo no caso da emboscada contra cruzeirenses em Mairiporã, em outubro de 2024. Pelo acordo, a principal organizada do Palmeiras pagará ao menos R$ 2 milhões às vítimas do ataque ocorrido após partida do Campeonato Brasileiro — com indenização também aos feridos.
O valor mínimo fixado no TAC divide-se em dois blocos. A família de José Victor Miranda, morto aos 30 anos, receberá ao menos R$ 1 milhão, enquanto os outros 15 cruzeirenses feridos no ataque terão direito à outra metade.
A quantia, de acordo com o Ministério Público, tem caráter provisório. O documento assegura um piso indenizatório, mas não impede que eventual condenação judicial eleve os valores. No acordo proposto pela Promotoria de Justiça de Mairiporã em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, a Mancha reconheceu a responsabilidade civil pelos danos provocados na emboscada.
O episódio ocorreu quando torcedores do Cruzeiro retornavam do Paraná após um jogo do Brasileirão. Membros da organizada interceptaram, incendiaram e depredaram ônibus de cruzeirenses na rodovia, promovendo um ataque generalizado. Segundo o Gaeco, os agressores utilizaram paus, pedras, bolas de bilhar, pregos e rojões contra membros da Mafia Azul.
Os próprios torcedores paulistas registraram a ação e divulgaram as imagens nas redes sociais — utilizadas posteriormente pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção a Pessoa para identificação dos suspeitos.
O Ministério Público detalhou as exigências impostas para que a organizada mantenha atividades e retorne aos estádios. O órgão afirmou:
“Como condição para a manutenção de suas atividades e retorno aos estádios, a torcida deverá cumprir obrigações de transparência inéditas. Isso envolve o envio periódico de listagem atualizada dos associados às autoridades e obrigatoriedade de informar aos órgãos sobre os deslocamentos”, dizia um trecho.

Membros da Mancha Verde seguem foragidos – Foto: Reprodução
O órgão acrescenta que o TAC possui natureza de título executivo extrajudicial. Além disso, ressalta que o acordo não afasta responsabilidades criminal e administrativa.
Um ano após o crime, a Polícia Civil ainda procurava 18 palmeirenses suspeitos de participação, enquanto outros 24 permaneciam presos, conforme a Secretaria da Segurança Pública. A polícia orienta que informações sobre foragidos sejam encaminhadas ao telefone 181 do Disque-Denúncia, sem necessidade de identificação.
Na ação mais recente, o Gaeco denunciou 20 palmeirenses que irão a júri: 17 estão presos e três seguem foragidos. Eles respondem por homicídio qualificado por motivo torpe, perigo comum e recurso que dificultou a defesa das vítimas, além de 15 tentativas de assassinato e tumulto com base na Lei Geral do Esporte.
Entre os denunciados estão Jorge Luiz Sampaio Santos, então presidente da organizada, que renunciou antes de se entregar; Felipe Mattos dos Santos, o “Fezinho”, ex-vice-presidente; Luiz Ferretti Junior; Jeovan Fleury Patini; Alekssander Ricardo Tancredi; Leandro Gomes dos Santos; Diego Machado Sardella; Rodrigo Santander Tosin; Caio Cesar de Souza Guilherme; Marcos Moretto Junior; Alan de França Soares; Lucas Henrique Marchelli de Lima; Jesus Pedrosa de Almeida; Vinicius Sales Canuto; Aurélio Andrade de Lima; Lucas Henrique Zanin dos Santos, que também responde por adulteração de placas e Alexandre Santos Medeiros.
Além dos foragidos Neilo Ferreira e Silva, o “Lagartixa”, Cesar Augusto Pinheiro Melo, que também responde por adulteração de placas, e Renato Mendes da Silva. O acordo civil firmado agora não altera o andamento dessas ações penais.









































