Central do Timão
·25 de setembro de 2026
Emily Lima responde críticas, destaca união do Corinthians e detalha ajustes após expulsão contra o Bahia

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·25 de setembro de 2026

A classificação do Corinthians para a final do Campeonato Brasileiro Feminino também marcou uma resposta dentro de campo após um período de cobranças ao trabalho de Emily Lima. Depois da vitória por 1 x 0 sobre o Bahia, na última segunda-feira (21), na Neo Química Arena, a treinadora afirmou não se sentir pressionada pelas críticas, valorizou a mentalidade das jogadoras e detalhou as mudanças táticas utilizadas para sustentar o resultado mesmo após a expulsão de Thaís Regina ainda no primeiro tempo.
Com o triunfo, as Brabas venceram os dois jogos da semifinal e avançaram com 2 x 0 no placar agregado. A classificação colocou o Corinthians em mais uma decisão nacional, desta vez contra o São Paulo, enquanto Emily alcançou sua primeira final desde que assumiu o comando alvinegro.

Foto: ©Rodrigo Gazzanel / Ag. Corinthians
Na coletiva após a partida, a técnica foi questionada sobre as cobranças recebidas durante a temporada. Emily contou que evita acompanhar redes sociais e que conta com pessoas próximas para se manter distante das repercussões externas. Para ela, a cobrança da torcida faz parte do ambiente de um clube acostumado a disputar títulos.
“Eu não sou de rede social. A Ray (assessora) é a pessoa que me ajuda, junto com a Poli, que é a minha esposa, a me blindar de tudo isso, porque elas sabem que eu não gosto de rede social, não gosto de fazer vídeo, não gosto de foto. Eu sou muito focada no meu trabalho. E quando a pessoa é muito focada no trabalho e sabe o que está fazendo, eu também não me sinto pressionada. Eu saio todo dia de casa para fazer 100% para o Corinthians, mas, quando estou em casa, sou 100% para a minha família. Então, acho que a torcida está no direito dela de cobrar, mas, em nenhum momento, me sinto pressionada. Primeiro, o grupo sabe o quanto a gente trabalha. A Iris, que é a diretora, sabe o quanto a gente trabalha”, afirmou.
Emily também deixou claro que entende o tamanho do desafio assumido no Corinthians. Segundo a treinadora, se houver o entendimento de que seu trabalho deixou de contribuir com o clube, ela própria não pretende permanecer no cargo.
“O momento que a gente achar que não estamos fazendo bem para o clube, eu sou a primeira a sair. Isso aqui é desafiador, sim. Por quê? Porque é um time vencedor. Se eu quisesse coisa fácil, eu ia buscar outra coisa para a minha vida. Eu quero exatamente isso. Então, assim, é o que eu tento passar para o grupo: essa vontade, essa gana de trabalhar, esses desafios que o futebol feminino nos dá. Tendo a tranquilidade da equipe e do staff de trabalho para poder fazer o que a gente ama fazer, é tudo mais tranquilo e mais calmo”, disse.
Experiência do elenco ganha peso na reta decisiva
Ao analisar a evolução apresentada pelo Corinthians, Emily direcionou o protagonismo às próprias atletas. A treinadora destacou que trabalha com um grupo habituado a finais e títulos e classificou sua função como a de facilitar o desenvolvimento das características que as jogadoras já possuem.
“Eu acho que o mérito todo é delas. Elas estão acostumadas a isso, é um grupo muito vencedor. É fácil, por momentos, trabalhar no Corinthians devido a isso. É um grupo que está acostumado a chegar em finais, é um grupo que está acostumado a decidir títulos. Eu acho que é um todo, mas o futebol não existe sem jogadoras. A gente acaba sendo facilitador para que as coisas aconteçam. Acho que eu, staff e jogadoras como um todo entenderam em que fase nós estamos, a gente não pode oscilar mais. E estando em uma equipe como essa, você só tem que ser facilitador e deixar as coisas fluírem. O Corinthians sempre foi muito ofensivo. A ideia era essa e não poderia mudar mesmo com uma a menos, da gente tentar atacar as costas da defesa, que era um absurdo o espaço que nós tínhamos”, acrescentou.
A relação entre comissão técnica e elenco também apareceu na explicação sobre as mudanças promovidas durante a temporada. Emily contou que o sistema com três defensoras já havia sido utilizado pelas jogadoras anteriormente e não representava uma estrutura completamente desconhecida.
“Nós já tínhamos jogado em situações de emergência com três zagueiras. E nós entendíamos que o Corinthians já vinha trabalhando com essa formação há muito tempo. Joguei muito contra o Corinthians, então sei como o time funcionava com três zagueiras”, explicou.
Segundo a comandante, as decisões táticas são acompanhadas de conversas com as atletas. Emily afirmou que mantém esse método desde o início da carreira como treinadora e citou a relação anterior com algumas integrantes do elenco como um elemento que facilita a troca de informações.
“Sempre converso com as atletas quando vou tomar alguma decisão; nunca me imponho dizendo ‘vai ser desse jeito e ponto final’. Sempre há conversa. Isso não é de agora no Corinthians. Desde que comecei minha carreira, em 2011, no Juventus, sempre mantive um diálogo muito aberto e saudável com as jogadoras. Nunca tive problema com atleta nenhuma, e não seria aqui que teria, até porque já trabalhei com várias delas no Santos e na Seleção Brasileira. Então, há sempre essa troca de confiança, e elas entenderam o que poderíamos fazer”, completou.
Expulsão de Thaís Regina muda cenário da semifinal
O planejamento sofreu uma alteração importante aos 34 minutos do primeiro tempo, quando Thaís Regina foi expulsa. Com dez jogadoras, o Corinthians precisou reorganizar o sistema defensivo sem abrir mão completamente das possibilidades de atacar.
Emily explicou que Duda Sampaio passou a exercer uma função diferente após a expulsão. A estrutura manteve uma linha de cinco, com liberdade para as alas avançarem quando houvesse espaço.
“O sistema de três zagueiras é diferente do 4-4-2 em losango que vínhamos utilizando, mas as funções individuais continuam as mesmas. Se analisarem bem a partida, muitas vezes a equipe se transforma nesse 4-4-2 em losango em campo. Por isso, a análise precisa ser aprofundada, exatamente como nós fazemos. Hoje não foi diferente. Quando perdemos a Thaís (Regina) muito cedo, cheguei na Duda (Sampaio) e perguntei: ‘Duda, vamos fazer a zagueira centralizada?’. E ela respondeu: ‘Estou dentro’. Ajustamos a Duda (Mineira) para cobrir a perna esquerda, a Thais Ferreira para a perna dominante direita e mantivemos uma linha de cinco, mas dando muita liberdade para as alas saírem. Teve um momento, perto do gol, em que a Gi (Fernandes) dá um passe da ala direita para a ala esquerda, aproveitando os espaços”, relatou.
No intervalo, outra mudança envolveu Andressa Alves. Gi Fernandes já tinha recebido cartão amarelo e a comissão preferiu não correr novos riscos, levando Emily a conversar com a camisa 9 sobre uma adaptação pelo lado direito.
“Essa conversa sempre existe. Ocorreu também com a Andressa no intervalo: ‘Preciso que você faça a ala direita, como você está?’. E ela: ‘Estou dentro, conta comigo’. Fizemos isso porque a Gi (Fernandes) já tinha cartão amarelo e a arbitragem estava complicada, não quiseram arriscar deixá-la em campo. Essa troca transparente é o que faz o Corinthians crescer e ter uma regularidade melhor, sem oscilar tanto. Às vezes a insegurança faz a gente errar mais, mas nesse sistema, como elas já jogavam antes, sentem muito mais segurança. Assim, potencializamos a função de cada uma e as coisas vêm acontecendo de forma muito positiva”, disse.
Emily questiona critério da arbitragem
A expulsão também levou a treinadora a comentar a atuação da arbitragem. Emily relembrou outro cartão vermelho sofrido pelo Corinthians na temporada e pediu igualdade de critérios nas decisões tomadas durante as partidas.
“É difícil falar sobre arbitragem. Não sou de ficar comentando, mas, por coincidência, tivemos duas expulsões este ano exatamente com a mesma árbitra: uma da Dayana (Rodríguez) contra o Flamengo, em que foram dois cartões amarelos absurdos seguidos do vermelho, e hoje a da Thaís Regina. Não gosto de falar muito, mas acho que elas precisam usar os mesmos critérios para as duas equipes, o que acabou não acontecendo hoje”, comentou.
Depois do cartão vermelho, a preocupação da comissão passou também pelo controle emocional. Emily citou conversas com Jhonson e com a própria Thaís Regina para impedir que a insatisfação com a arbitragem interferisse na atuação da equipe.
“Felizmente, conseguimos sair de lá com o placar que tínhamos traçado e voltamos a vencer o Bahia. O nosso foco foi não deixar que a arbitragem tirasse a paciência das jogadoras, porque é duro ver um erro atrás do outro em campo. Conversei muito com a Jhonson, por ser uma menina mais pilhada, dizendo: ‘Calma, porque isso só vai prejudicar a equipe e você’. Falei rapidamente com a Thaís Regina também, que pediu desculpa, e disse a ela: ‘Tranquilo, faz parte do jogo, a equipe te honrou em campo’. Quando o grupo está fechado desse jeito, as meninas são gigantes, como foram hoje, jogando com uma a menos”, afirmou.
Corinthians alternou estruturas para controlar o Bahia
A reorganização não ficou restrita à defesa. Com inferioridade numérica, o Corinthians passou a trabalhar inicialmente em um 5-3-1, utilizando três jogadoras no meio para dificultar a circulação do Bahia entre os corredores.
“Tentamos ajustar a equipe após a expulsão em um 5-3-1, no qual o tripé de meio de campo seria fundamental para evitar que o Bahia circulasse a bola e mudasse o jogo de um corredor para o outro. Conseguimos fazer isso por momentos no primeiro tempo, mas, no segundo, fomos gigantes nesse aspecto. Primeiro porque precisamos transformar esse sistema em um 4-4-1, quando as nossas alas passavam a saltar mais para pressionar, aumentávamos a linha de meio, enquanto o tripé central induzia o jogo delas para fora, travando a circulação. Com isso, recuperamos muitas bolas na etapa final”, analisou.
A comissão aproveitou o intervalo para esclarecer dúvidas e reforçar os movimentos necessários para fechar os espaços. Emily valorizou especialmente a capacidade das atletas de interpretar as mudanças durante a partida.
“Tiramos algumas dúvidas que existiam no vestiário e pedimos para que elas executassem o plano a 100%, sem vacilar. E o encaixe foi perfeito. O Bahia é uma equipe muito forte em transição, mas com menos circulação e posse no terço final. Quando baixamos a linha, elas encontraram muita dificuldade para jogar de costas, buscar o apoio ou tentar infiltrações, pois nossa linha de cinco se consolida bem e a leitura tática das nossas atletas é excelente, são jogadoras extremamente inteligentes”, pontuou.
A movimentação das alas também ganhou importância para impedir que o Bahia encontrasse liberdade pelos lados.
“A subida da nossa ala para encaixar na ala delas, ampliando a linha central, foi determinante. No primeiro tempo, tentamos o ajuste e não sofremos; o Bahia nos pressionou mantendo a posse, mas sem criar perigo real. No segundo tempo, elas se expuseram e poderíamos até ter matado o jogo”, disse.
Emily ainda explicou como administrou as funções das atletas mais avançadas para manter uma alternativa de contra-ataque. Duda e Robledo foram utilizadas como referências em momentos diferentes, enquanto Jaqueline entrou para explorar situações individuais.
“Mantivemos a Duda fixada na frente nos primeiros dez minutos e depois a Robledo. Em vários momentos, evitamos que a Robledo recompose até o fundo para não desgastá-la na marcação, guardando seu fôlego para os contra-ataques. A entrada da Jaqueline também foi crucial por ser uma atleta leve e agressiva no um contra um. Mas destaco principalmente esse tripé de meio, que conseguiu neutralizar a troca de corredor e o pé de retorno do Bahia”, concluiu.
Em outro momento da coletiva, a treinadora explicou que uma das prioridades era preservar a linha com cinco defensoras. A escolha orientou as substituições e a organização do restante da equipe.
“O que a gente não podia desfazer era a linha de cinco (defensoras). Isso era algo que a gente não podia desfazer, tanto que nós conversamos. Não vamos fazer a linha de quatro, deixa a gente protegido. A gente fica com a linha de cinco, três (no meio) e uma (no ataque) para ser o nosso escape. E as mudanças vêm exatamente por isso. A gente entendeu brechas que a gente podia ter matado o jogo. Infelizmente, a gente não conseguiu convertê-las, mas foi mais ou menos essa a nossa ideia no momento das substituições, e não deixar a gente perder a intensidade de marcação nesse tripé de meio”, detalhou.
Comentários externos viraram motivação antes da semifinal
Além dos aspectos táticos, Emily revelou que o elenco utilizou comentários externos sobre o Corinthians como motivação para a semifinal. Antes de abordar o tema, a treinadora ressaltou que o respeito ao adversário foi uma das principais mensagens transmitidas internamente.
“Na minha primeira coletiva no Corinthians, eu trouxe uma palavra que disse que repetiria sempre: respeito. Desde quando enfrentamos o Cruzeiro, falamos sobre isso. E quando o Bahia passou pelo Palmeiras, reforçamos essa ideia. É preciso respeitar sempre o adversário. O Bahia não chegou à semifinal por acaso; é uma equipe trabalhadora e de muita qualidade. Então precisávamos respeitá-las. Esse tema esteve muito presente nas nossas conversas ao longo da semana”, disse.
Na sequência, Emily diferenciou o respeito ao Bahia das avaliações externas que, em sua visão, diminuíram o Corinthians antes do confronto. Segundo ela, o conteúdo chegou ao elenco e acabou utilizado como combustível.
“Nós ouvimos, vimos e lemos muita coisa. Algumas pessoas não respeitaram a história do futebol feminino do Corinthians, e isso acabou servindo como combustível para o grupo. Foi a semana inteira debatendo isso, e no vestiário as meninas demonstraram toda a sua postura de ‘Brabas’. Não me refiro à equipe do Bahia, mas sim a análises externas que desmereceram nosso trabalho, nossa história e a qualidade das nossas jogadoras. Houve, sim, uma falta de respeito, e isso se tornou o fator motivacional para que respondêssemos em campo. A resposta veio do jeito certo, porque o respeito ao adversário se demonstra jogando. Hoje parecia até que tínhamos uma jogadora a mais. Como já disse em outra coletiva: não se deve cutucar a onça com vara curta”, completou.
Com a semifinal encerrada, o Corinthians direciona agora suas atenções para o São Paulo. O primeiro jogo da final do Brasileirão Feminino será disputado neste sábado (26), às 16h30 (de Brasília), na Neo Química Arena. A definição do título acontece em 3 de outubro, também às 16h30, no Morumbis.
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