Central do Timão
·10 de agosto de 2026
Emily Lima valoriza evolução do Corinthians, comenta sequência da temporada e fala sobre renovação de Robledo

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·10 de agosto de 2026

O Corinthians encerrou a primeira fase do Campeonato Brasileiro Feminino com uma vitória convincente. Na tarde do último domingo (9), as Brabas receberam o Santos, no Estádio do Canindé, em São Paulo, pela 15ª rodada da competição nacional, e venceram por 4 x 1. Os gols alvinegros foram marcados por Belén Aquino, Thaís Ferreira, Gisela Robledo e Rhaizza.
Após a partida, a técnica Emily Lima concedeu entrevista coletiva e analisou o desempenho da equipe no clássico. A treinadora destacou a evolução do Corinthians na circulação da bola, nas associações ofensivas e na capacidade de controlar o jogo com paciência.

Foto: Rodrigo Gazznel / Ag. Corinthians
“Bom, é sempre importante ganhar e, além de ganhar, eu acredito que foi um jogo bastante interessante, com muitas associações. É um jogo de paciência, que é o que a gente vem buscando, de circulação de bola, mudança de corredor. Então, acho que, além dos gols, a gente avalia muito além dos gols. Os gols são consequências do que a gente vem evoluindo e fazendo dentro da partida. Então, acredito que é sempre muito positivo a gente, em um clássico, sair com esse placar para a sequência da competição.
Agora é virar a página do Brasileiro para o Paulista. O jogo do Mirassol, a gente sabe das dificuldades da distância, do calor. Felizmente, a gente consegue ir um dia antes para poder ter um descanso, uma boa alimentação, para que a gente possa fazer um bom jogo lá também, para dar sequência no Campeonato Paulista e depois já preparar para ir para Salvador.
Então, essa semana vai ser bem chocante para a gente, porque a gente teve que fazer tudo dos três jogos, Santos, Mirassol e Bahia, em três dias. Porque, na semana que vem, a gente não pisa no campo. A gente viaja para Mirassol, joga quarta, retorna, no meio da semana a gente tem uma quebra de descanso necessária, sexta já viaja, joga no sábado e retorna no domingo. Então, a gente teve que criar uma estratégia desses três dias, tentar resumir todas as três equipes para que a gente possa, nos jogos, desenvolver bem e buscar os três pontos.”
Emily também falou sobre as escolhas para a formação titular e ressaltou que as decisões passam pelo desempenho apresentado diariamente nos treinamentos. A treinadora afirmou que trabalha com um elenco de 30 atletas e que a prioridade da comissão técnica é manter a competitividade interna.
“A gente trabalha com 30 jogadoras e é importante que o torcedor esteja satisfeito, mas a gente tem que estar satisfeito com o torcedor. Então, não me preocupo muito em relação a isso. Eu preciso ter muito claro que o trabalho está sendo bem feito e que a gente está entregando 100% Corinthians. Essa sempre vai ser a minha preocupação. A consequência das escalações e dos jogos vem do trabalho diário dessas jogadoras. Então, a gente vai sempre tentar ser o mais justa possível dentro de cada semana. Imagina que a gente tem ainda muitas jogadoras que podem estar nessa equipe. Então, é muito difícil você chegar e falar: ‘Eu vou fechar a equipe e essa pode ser a equipe’.
Eu acredito que a equipe que saiu jogando conseguiu fazer um bom jogo mesmo. Acredito que foi um dos nossos melhores jogos que nós fizemos, principalmente com as associações que a gente vem buscando, entre volante, meia, atacante, laterais apoiando. Enfim, várias situações que a gente vem batendo na tecla treino a treino. E a nossa maior preocupação não é externa, é interna e sempre será interna. O que a gente pode melhorar internamente para que a gente possa aproveitar os jogos e mostrar para vocês, para o torcedor, o que nós estamos fazendo diariamente.”
Emily Lima fala sobre renovação de Gisela Robledo
Um dos assuntos abordados na entrevista foi a situação de Gisela Robledo, que tem contrato com o Corinthians até o dia 31 de agosto. A atacante marcou um dos gols da vitória diante do Santos e, segundo Emily Lima, sua permanência já havia sido solicitada pela própria treinadora desde sua chegada ao clube.
A comandante ainda revelou que a renovação é tratada como algo muito concreto internamente e destacou a evolução de Robledo na adaptação ao modelo de jogo.
“A Robledo faz parte do elenco. Quando eu chego, eu já tenho a informação de que ela é a única jogadora que ia renovar no meio do ano. Já foi um pedido meu, lá quando eu chego, da permanência dela. Então, a gente está trabalhando e, por isso, ela vem desfrutando. Ela está contente, ela está satisfeita. O Corinthians fica contente, a gente fica satisfeito, porque hoje foi uma resposta muito boa dela e ela já vem fazendo isso nos treinamentos. Eu tenho muito cuidado. Às vezes, vocês cobram a gente: ‘Por que essa não entrou? Por que essa não está jogando?’. Internamente, dentro dos treinamentos, muita coisa acontece.
Então, a gente chega com uma metodologia e um modelo de jogo diferentes, que às vezes elas demoram a se adaptar, e a gente tem que ter essa paciência de entender diariamente, estar conversando com ela, fazendo vídeo, explicando. E eu acho que hoje a Robledo consegue entender um pouco mais o que a gente quer e hoje a gente pôde optar por ela ter muito mais minutos do que ela vinha tendo.
Eu acho que expor atleta, expor a equipe em uma situação que eu não vejo necessária. Então, a Robledo hoje, não hoje, mostrou para vocês, mas dentro dos treinamentos vem evoluindo muito. E, como ela já sabe que a renovação é algo muito concreto, ela está muito contente. Ela gosta muito de estar aqui, ela ficou super feliz e eu acho que é isso: é ter o grupo o mais satisfeito e contente possível para que a gente também possa desfrutar e estar contente, satisfeita com o desempenho delas.”
Evolução de Gi Fernandes
Emily Lima também utilizou Gi Fernandes como exemplo do processo de adaptação ao trabalho da comissão técnica. Segundo a treinadora, algumas atletas precisam de mais tempo para assimilar conceitos específicos do novo modelo, especialmente em relação ao posicionamento e às tomadas de decisão.
“Sem dúvida. E aí a Gi entra no caso da Robledo, que entra no caso da Day. São meninas que estão jogando mais agora. É o que eu falo da adaptação. Não é fácil você trabalhar há muito tempo com método de trabalho, com estratégias, com modelo de jogo, e você vem e muda. Não que a gente mudou radicalmente, mas são pontos muito específicos, conceitos muito específicos e que, às vezes, a jogadora fica em dúvida: ‘Eu subo? Eu não subo? Eu fecho? Eu abro? Eu tapo bola? Eu não tapo bola? Eu corro para trás? Eu não corro?’. Então, assim, são muitos detalhes que, às vezes, atrapalham o desenvolvimento da jogadora.
E, quando eu falei da Gi, foi muito de ter paciência, ter paciência. E quanto mais competitiva ela estiver em relação a uma outra jogadora, estando na mesma posição dela, porque a gente só tem a Gi de lateral, é todo momento tirar ela dessa zona de conforto, que não tem só ela. Tem uma outra ali no calcanhar dela e ela está no calcanhar da sua companheira. Então, a gente também tem o dever de buscar essa competitividade entre elas, para que a gente possa elevar o nível das nossas jogadoras. Isso não é só entre as jogadoras. A gente, eu em particular, tem que fazer isso com todo o staff também, buscar o melhor de cada um, todo dia, porque a gente está falando de um alto nível, onde a gente não tem tempo de respirar.
Então, o caso das jogadoras é o mesmo. A Gi vem demonstrando, não só nos jogos, mas nos treinamentos, entendendo melhor e, em cima disso, ela vem se desenvolvendo. E a Gi não precisa mostrar nada mais para ninguém, nem para a gente. Eu acho que foi um tempo de adaptação e agora ela vai desfrutar um pouco mais do que ela viveu esse primeiro semestre.”
Relação de Emily Lima com o Canindé
Por fim, Emily falou sobre sua ligação pessoal e profissional com o Canindé. A treinadora recordou momentos vividos no local desde a infância e também durante sua trajetória no futebol.
“Não é nem só profissional. Eu vivi aqui muito tempo com a minha família. Minha família, a família do meu pai toda, é portuguesa. Então, quando criança, eu vinha com meus avós, eu convivi muito, eu vivi muito dentro desse clube. Depois, tive a oportunidade de trabalhar aqui com o Prisco e Palumbo, que já não está entre a gente, mas foi um cara que me ensinou muito. Eu fiz a minha transição de atleta para supervisora, coordenadora e depois treinadora com ele. Estava tudo escrito. Eu acho que não poderia ter uma pessoa melhor que ele para fazer isso.
E depois vem o Corinthians trazendo os jogos para cá. Então, eu me sinto muito bem aqui dentro. Nós fizemos um jogo contra o Vitória bom também, o campo é bom. Hoje também, até não me lembro o nome dele, infelizmente, mas o senhor que cuida do campo aqui, eu tive o prazer de conhecê-lo agora, me apresentou ele, agradeci o cuidado que ele teve.”
Com a vitória no clássico, o Corinthians encerra mais um compromisso pelo Campeonato Brasileiro e agora muda o foco para o Campeonato Paulista Feminino. As Brabas voltam a campo na próxima quarta-feira (12), às 17h (de Brasília), diante do Mirassol, no Estádio Manoel Francisco Ferreira, em Bálsamo. Na sequência, a equipe viaja para Salvador, onde enfrenta o Bahia, no sábado (15), pelo Brasileirão Feminino.







































