Central do Timão
·27 de agosto de 2026
Emily Lima valoriza goleada, confirma renovação encaminhada e comenta uso da base do Corinthians

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·27 de agosto de 2026

O Corinthians encerrou a primeira fase do Campeonato Paulista Feminino com uma vitória importante antes de voltar as atenções ao mata-mata do Brasileirão. Na noite desta quarta-feira (26), as Brabas venceram o Taubaté por 6 x 2, na Fazendinha, pela sétima rodada do Estadual. Após a partida, a técnica Emily Lima analisou o momento da equipe e abordou diferentes assuntos em entrevista coletiva.
Ariel Godoi foi o principal destaque do triunfo alvinegro ao marcar três vezes. Jaqueline, Jhonson e Tamires completaram o placar para o Corinthians. Para Emily Lima, além do resultado dentro de campo, a goleada chega em um momento importante para devolver tranquilidade e confiança ao elenco antes das quartas de final do Campeonato Brasileiro.

Foto: Rodrigo Gazzanel Ag. Corinthians
A treinadora também comentou as recentes repercussões envolvendo o clube fora de campo e afirmou que procura manter o equilíbrio do grupo independentemente dos resultados.
“Eu acredito que essa vitória vem em um momento que já comentaram aqui, de muita falação, né? Às vezes, falação de pessoas que nem sabem o que está acontecendo, às vezes soltam para gerar uma mudança de foco. Essa vitória vem para tranquilizar nossa folga de amanhã, tranquilizar a cabeça das meninas, voltar a ter confiança para um jogo tão importante que a gente tem na segunda-feira. O pé no chão sempre, independentemente de qualquer resultado. Eu sou uma pessoa que tento manter esse equilíbrio dentro das equipes por onde eu trabalhei, e aqui não é diferente.
Então, é manter o pé no chão, mas aproveitar a goleada, saíram os gols. Por mais que a gente esteja falando do Taubaté, quem acompanha o Taubaté há muito tempo vê que vem melhorando o seu trabalho, com toda dificuldade. É uma equipe que a gente respeita muito dentro do cenário do futebol feminino, mas saíram os gols. A gente tem que aproveitar isso para começar a semana na sexta-feira, ou dar sequência à semana na sexta-feira, para que a gente possa chegar ainda mais forte para o jogo de ida das quartas de final.”
Emily Lima confirma renovação encaminhada de Gisela Robledo
Outro tema abordado durante a entrevista foi a situação contratual de Gisela Robledo. O vínculo da atacante colombiana com o Corinthians se encerra no dia 31 de agosto, mas Emily Lima revelou que a permanência da jogadora está encaminhada.
Segundo a treinadora, resta apenas a assinatura do presidente para que a renovação seja concretizada. Emily ainda destacou o trabalho da atacante e demonstrou confiança na continuidade da atleta no Parque São Jorge.
“Está tudo sob controle, a gente está trabalhando do lado daqui. O pessoal lá em cima está trabalhando também, está tudo certo já. Falta uma simples assinatura do presidente, está tudo encaminhado, está tudo certinho. A Robledo renova com o Corinthians, espero que possa fazer a torcida ainda muito feliz com gols. E, quem sabe, seja aí na segunda-feira já, para dar o pontapé inicial para essa renovação, é uma menina que merece muito, trabalhadora como todas as outras. Mas está tudo sob controle em relação à renovação da Robledo.”
Paola Garcia recebe oportunidade entre as titulares
Emily Lima também avaliou a atuação de Paola Garcia, escolhida para iniciar o confronto diante do Taubaté. A treinadora relacionou a oscilação da jogadora à falta de sequência e revelou que a colombiana percorreu aproximadamente dez quilômetros durante a partida.
Apesar de afirmar que já viu atuações melhores da atleta, Emily ressaltou que Paola continua nos planos da comissão técnica para a sequência da temporada.
“Paola é uma menina que trabalha muito, como todas. A gente sempre fala muito que tem um elenco muito forte, um elenco muito competitivo. Paola, devido a ter pouca minutagem, acaba não tendo tanto ritmo de jogo e acaba tendo as suas falhas, como todas. E vai muito pelo ritmo de jogo mesmo, pela minutagem. Foi a atleta que mais correu em campo, dentro de quilometragem. Ainda não analisei bem o que ela correu, se foi em alta, média ou baixa intensidade, os números de sprint, quantos sprints ela fez. Eu ainda não avaliei isso. Mas a informação que eu tenho é que a Paola correu 10 km. Agora eu preciso entender como ela correu esses 10 km.
Mas a Paola segue no trabalho. Hoje teve um desempenho… Já vi a Paola melhor, principalmente no jogo contra o Kansas. Ela fez um excelente jogo. E depois, contra o América, também fez um bom jogo, fez gol. Golaço, na verdade. Então, eu já vi a Paola melhor. Mas acredito muito que venha dessa pouca minutagem e ritmo de jogo. É uma menina com quem a gente conta. É uma menina que está no elenco para que a gente possa fazer uma lista para segunda-feira. E ela está atenta a isso também, como todas as outras.”
Integração das categorias de base ao profissional
Com o início da Copa do Mundo Feminina Sub-20 se aproximando, Emily foi questionada sobre Ana Morganti e Dulce, representantes do Corinthians convocadas para defender a Seleção Brasileira na competição, que será disputada na Polônia.
Ao falar principalmente sobre Dulce, a treinadora explicou que a comissão técnica acompanha não apenas a meio-campista, mas também outras atletas das categorias Sub-17 e Sub-20. Emily defendeu cautela na transição para o profissional e ressaltou que acelerar etapas pode prejudicar o desenvolvimento das jovens.
“Não só ela, né? A gente assiste aos jogos do Sub-17 e Sub-20. A gente tem uma relação muito boa com as comissões técnicas da base do Corinthians. A gente vem fazendo um trabalho em conjunto, vem criando um projeto de currículo de formação. Então, a gente tem um link muito bacana, muito profissional, muito saudável. E tem meninas no nosso radar, sim. Mas a gente tem muito cuidado em colocar essas meninas em uma situação de um Corinthians profissional e acabar ultrapassando alguns limites que muita gente não entende.”
Emily citou experiências anteriores para explicar a preocupação da comissão técnica com o processo de formação e destacou a importância de proporcionar uma trajetória mais longa às atletas.
“Então, eu já vi situações de meninas novas jogarem Sub-17, Sub-20 e principal e, dentro de quatro anos, acabarem com a carreira. Então, a gente é muito cuidadosa nisso. A gente não tem pressa na evolução de jogadora. A gente entende que é uma experiência muito boa para ela, um Mundial. Vai ver uma realidade que a gente não tem no nosso país ainda. Então, a gente precisa avaliar tudo isso. Não é subir, vir e ‘vamos jogar’. A gente teve o caso da Rafa, teve o caso da Manu (Olivan). São jogadoras boas? São jogadoras boas. Mas ainda precisam de minutagem, ainda precisam de tempo. Não dá para você expor as jogadoras dessa forma. Essa é a forma que a gente trabalha. Pode estar certo, pode estar errado. Enfim, vocês podem fazer a avaliação que vocês quiserem. Mas a gente cuida muito do ser humano.”
A treinadora ainda projetou a utilização das categorias inferiores como uma maneira de formar futuras gerações do próprio Corinthians e diminuir, a longo prazo, a necessidade de buscar atletas no mercado.
“A gente pode acabar com a carreira de uma jogadora de tanta cobrança que existe dentro do clube. E não é isso que a gente quer para ela. A gente quer para elas uma vida longa dentro do futebol. Hoje, o futebol feminino dá condições de você mudar a vida da sua família, dependendo de que nível você chega. Então, a gente precisa pensar em um todo. Não só ‘vamos trazer ela, ela foi para a Seleção’. A gente a vem avaliando. Não só elas, tá? Tem meninas do Sub-17 que nos agradam muito.”
“E aí a gente, do profissional, pensa: como fazer para essa menina evoluir, para estar bem no Sub-20 e para chegar bem no profissional? A gente precisa pensar na nossa base e em trabalhar nossas jogadoras, ter nossas jogadoras, cuidar das nossas jogadoras para nós mesmas. Para chegar daqui a dois, três, quatro, cinco anos e o Corinthians não precisar sair para contratar, e sim já ter meninas de casa, que é o que o São Paulo faz. O São Paulo hoje, na equipe principal, tem cinco, seis jogadoras jogando que saíram da base.”
Por fim, Emily ressaltou a necessidade de fortalecer a estrutura oferecida às categorias inferiores e aumentar a integração entre as diferentes comissões técnicas do futebol feminino alvinegro.
“Então, assim, a gente precisa cuidar da nossa base. A gente, digo, o Corinthians, precisa cuidar da nossa base. E a gente precisa gerar mais força para as comissões técnicas que estão lá embaixo, passando alguma certa dificuldade no sentido de trabalho mesmo, como todas as equipes. E aí cabe a gente, do profissional, vir aqui e dar esse suporte, dar essa ajuda para que a gente possa fazer esse trabalho juntos da melhor forma possível. Porque um vai alimentando o outro, um vai alimentando o outro e a gente consegue fazer uma equipe forte.”
Situação do Corinthians no Paulistão
Mesmo com a goleada, o Corinthians não conseguiu avançar diretamente às semifinais do Campeonato Paulista. Emily admitiu que, pelo tamanho do clube, o objetivo era conquistar uma das vagas diretas, mas lembrou que o planejamento da temporada exigiu rodízio do elenco em alguns compromissos.
A treinadora citou especialmente a derrota para o São Paulo, na Fazendinha, quando utilizou uma formação alternativa, como um dos resultados que pesaram na classificação.
“Não. Na verdade, falando de Corinthians, você tem que classificar direto. Mas, devido a tantos jogos que nós tivemos, acabamos tropeçando em alguns do Paulista quando a gente põe uma equipe um pouco mais alternativa, que foi o caso do São Paulo aqui. Acho que esse jogo foi fundamental para que a gente hoje não esteja direto. Isso fez parte do planejamento, estava todo mundo de acordo nesse revezamento. A gente tem uma comunicação muito boa com a parte da fisiologia. Na verdade, o staff é um staff em que a gente consegue trocar muito.”
Apesar disso, Emily afirmou que a derrota no clássico não estava prevista no planejamento e avaliou que os dois jogos adicionais do Estadual podem servir para corrigir aspectos da equipe.
“E estava dentro dos nossos planos. Não estava a derrota em casa, até porque a gente tem potencial, mesmo alternativo, de jogar aqui com o São Paulo e sair com a vitória. Mas aconteceu, e agora é fazer os dois jogos. Às vezes, a gente precisa fazer esses dois jogos para melhorar algumas coisas que só o jogo faz com que a gente ajuste. Então, eu sempre olho pelo lado positivo. Trago esses dois jogos pelo lado positivo para que a gente siga ainda mais forte para a fase final.”
Antes de voltar a pensar no Campeonato Paulista, porém, as Brabas direcionam suas atenções ao Brasileirão Feminino. O Corinthians visita o Cruzeiro na próxima segunda-feira (31), às 19h15 (de Brasília), no Estádio Independência, em Belo Horizonte, pelo jogo de ida das quartas de final da competição nacional.







































