Calciopédia
·21 de setembro de 2026
Empate entre Roma e Inter na 5ª rodada permitiu a volta da Lazio ao pelotão das líderes da Serie A

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·21 de setembro de 2026

A 5ª rodada da Serie A encerrou o primeiro trecho da temporada antes da longa pausa para a data Fifa com um cenário ainda mais interessante no topo da tabela. O grande destaque, claro, foi o empate por 2 a 2 entre Roma e Inter, um confronto direto precoce pelo scudetto que correspondeu à expectativa e mostrou por que as duas equipes abriram o campeonato em tão alto nível. A Loba foi melhor no primeiro tempo, pressionou, criou volume e abriu dois gols de vantagem com Koné; a Beneamata, por sua vez, respondeu depois do intervalo com a personalidade que já virou marca do trabalho de Cristian Chivu, buscou o empate com Lautaro, mesmo quando sua defesa vacila, o poder de reação continua intacto. No fim, ninguém saiu com os três pontos, mas as duas seguem invictas e na liderança.
Quem aproveitou o resultado para voltar a se sentar na mesma mesa foi a Lazio, que bateu o Venezia fora de casa e chegou aos mesmos 13 pontos de romanos e interistas. É, sem dúvida, uma das histórias mais surpreendentes deste começo de campeonato. Em meio a tantas dúvidas antes do início do certame, o time de Gennaro Gattuso chega à pausa com quatro vitórias e um empate, além da melhor largada de sua história na Serie A considerando o sistema atual de pontuação. Logo abaixo, temos o Cagliari: a vitória sobre a Udinese levou os sardos aos 12 pontos, com quatro triunfos em cinco rodadas, algo que o clube só havia alcançado anteriormente em 1969-70, justamente a temporada do seu único título italiano.
A perseguição logo atrás também ficou bem desenhada. O Milan, que venceu e convenceu contra o Lecce, foi a 11 pontos e manteve a invencibilidade, consolidando sua recuperação depois de um início em que as respostas vinham mais dos ajustes de Ruben Amorim durante os jogos do que da versão inicial de sua equipe. Com 10 pontos, aparecem Frosinone, Juventus e Como, cada um por caminhos bem diferentes. Os ciociari, vindos da segunda divisão, seguem sendo uma das notas mais positivas do campeonato e, após a vitória sobre o próprio Como, alcançaram a melhor largada de sua história na elite. A Juve respondeu à derrota para o Sassuolo vencendo a Atalanta e diminuindo um pouco as críticas que começavam a recair ao seu redor. Já o time de Cesc Fàbregas, apesar do primeiro revés, continua bem posicionado e ainda sustenta um começo positivo de Serie A.
Do meio para baixo, a tabela tem alguns times mais acostumados a brigar lá em cima. Napoli e Sassuolo têm sete pontos, seguidos por Atalanta e Lecce, com seis. A equipe bergamasca vai para a pausa em baixa, com três derrotas consecutivas, enquanto os napolitanos ao menos interromperam parte da turbulência recente, ainda que sem encantar. Mais abaixo, Udinese, Torino, Parma, Monza e Fiorentina somam quatro pontos; o Bologna tem apenas dois, o Genoa segue com um, e o Venezia, derrotado mais uma vez, continua zerado após cinco rodadas. É um retrato duro, sobretudo para os vênetos, mas também preocupante para genoveses e bolonheses.
Por fim, uma estatística ajuda a resumir o espírito desta largada de campeonato: a Serie A segue sem um único 0 a 0. Depois de cinco rodadas, todas as 50 partidas tiveram ao menos um gol, obliterando o recorde anterior, de 41 em 2015-16. Isso é reflexo do aumento de qualidade no campeonato e também, claro, das novas medidas adotadas pela arbitragem, que têm feito o jogo correr mais. Agora, o torneio entra em “hibernação” por algumas semanas, mas deixando um gostinho de quero mais. Confira tudo isso no resumo da jornada.
Gols e assistências: Koné (Molina) e Koné (Mancini); Lautaro (Thuram) e Lautaro Tops: Koné (Roma) e Lautaro (Inter) Flops: Hermoso (Roma) e Bastoni (Inter)
Se alguém ainda achava que esta Serie A precisava de um jogo para justificar toda a empolgação construída nas primeiras semanas até aqui, ele veio no Olímpico. Roma e Inter chegaram com 100% de aproveitamento, fizeram um confronto direto precoce pela liderança e saíram sem a perfeição, mas com a invencibilidade intacta após um 2 a 2 espetacular. E o empate quase serviu como uma fotografia das duas equipes neste início de temporada: a formação de Gian Piero Gasperini sufocando, pressionando e produzindo em ritmo altíssimo; a de Cristian Chivu apanhando, resistindo e encontrando forças para reagir mais uma vez. Dois tempos bastante diferentes, quatro gols e a certeza de que o futebol na Bota atravessa um dos seus melhores momentos dos últimos anos.
O primeiro tempo pertenceu à Roma. A pressão homem a homem travou a saída nerazzurra, Balerdi perseguiu os atacantes, Molina atacou os espaços e Dybala comandou uma equipe que fazia tudo com muito dinamismo. Aos 6 minutos, o argentino participou da jogada que terminou com Molina cabeceando a bola para o meio e Koné aparecendo para abrir o placar. O francês, em tarde de artilheiro, repetiu a dose aos 37. Dybala colocou a bola na área, Mancini tentou dominar e a bola sobrou para o volante completar. O gol chegou a ser anulado, mas o impedimento semiautomático confirmou a posição legal. Foram dois golpes em uma defesa que já vinha dando sinais claros de fragilidade e que, pela quarta partida consecutiva, se viu dois gols atrás no marcador. Ainda assim, mesmo dominada, a Inter encontrou espaços suficientes para avisar que estava viva: Bisseck ficou cara a cara com Svilar, Lautaro desperdiçou uma chance inacreditável sem goleiro, e Bastoni acertou a trave.
Depois do intervalo, aquela máxima da camisa pesada fez a diferença em campo. Bastaram segundos para Lautaro recolocar a Inter no jogo. O argentino tabelou com Thuram, recebeu de volta e bateu no canto para diminuir. A partir dali, o jogo era dos visitantes. Chivu mexeu, colocou mais energia pelos lados e viu sua equipe crescer enquanto a Roma perdia parte da intensidade do primeiro tempo. Gasperini também trocou peças, mas a Beneamata já havia sentido o bom momento e passou a rondar a área de Svilar com frequência. Aos 78, depois de uma sequência caótica dentro da área – defesa do goleiro, bola na trave e um abafa da zaga quase em cima da linha –, Lautaro, inevitavelmente, apareceu outra vez para empatar. Quando a Beneamata precisa de alguém para colocar ordem no caos, o camisa 10 continua sendo a resposta mais óbvia.
Pouco antes, Malen, em jogada de escanteio, parou literalmente no rosto de Pepo Martínez, que realizaou uma boa defesa, bem quando vinha de uma sequência já negativa na meta interista. No fim, talvez ninguém tenha saído plenamente satisfeito: a Roma deixou escapar uma vantagem de dois gols, a Inter desperdiçou um primeiro tempo inteiro. Mas o empate diz bastante sobre as duas equipes. Os giallorossi mostraram novamente um teto altíssimo, com Dybala vivendo uma versão que lembra seus melhores anos, e Koné assumindo um protagonismo inesperado. Os nerazzurri, por sua vez, confirmaram que, mesmo com uma defesa que continua devendo, possuem um poder de reação raro – duas viradas nas rodadas anteriores e, agora, um ponto buscado no Olímpico. Invencibilidade preservada, 13 pontos para cada uma e uma briga pelo topo que vai para a pausa sem dever nada a ninguém.
Gols e assistências: Zaccagni (pênalti) e Noslin (Nuno Tavares) Tops: Mandas e Zaccagni (Lazio) Flops: Yeboah e Adams (Venezia)
A Lazio continua empenhada em transformar uma temporada que parecia já condenada desde o início em uma história cada vez mais improvável. Em Veneza, a equipe de Gennaro Gattuso sofreu bastante no primeiro tempo, escapou de sair atrás graças a Mandas e depois resolveu a partida com autoridade após o intervalo. O 2 a 0 leva os biancocelesti aos 13 pontos em 15 possíveis, igualando Inter e Roma na liderança – quem diria – e estabelecendo a melhor campanha da história do clube após cinco rodadas de Serie A, considerando sempre três pontos por vitória.
No primeiro tempo, a Lazio até começou melhor, mas o jogo virou completamente aos 14 minutos, quando um recuo curto de Floriani Mussolini deixou Correia cara a cara com Mandas. O goleiro chegou atrasado e cometeu o pênalti, mas tratou de se redimir imediatamente: Yeboah bateu bem e o grego foi buscar. A partir dali, o Venezia cresceu muito e passou a empilhar chegadas. O arqueiro grego ainda salvou diante de Sohm, Adams e outras investidas, enquanto Nuno Tavares e Sutalo também precisaram aparecer para evitar o pior. O 0 a 0 até o intervalo teve o nome do goleiro laziale.
Gattuso não mudou as peças, mas mudou o jogo. A Lazio voltou mais agressiva, passou a empurrar o Venezia para trás e encontrou o gol logo aos 51 minutos, quando Yeboah cometeu um pênalti bobo em Taylor. Zaccagni, que não marcava desde dezembro, cobrou bem e abriu o placar. Pouco depois, Nuno Tavares voltou a atacar aquele corredor esquerdo que vinha sendo a principal válvula ofensiva e cruzou para Noslin subir acima da marcação de Juan Jesus e cabecear para o 2 a 0.
Depois disso, a Lazio apenas administrou. O Venezia tentou reagir, mas já sem a mesma convicção do primeiro tempo, enquanto Gattuso refrescou a equipe e protegeu a vantagem que valeu muito. Os biancocelesti vão para a data Fifa dividindo a liderança e com uma marca inédita na própria história. Do outro lado, o contraste não poderia ser maior. O Venezia chega à pausa zerado, com cinco derrotas em cinco partidas, apesar de mais uma atuação em que produziu o suficiente para sair com algo melhor. Giovanni Stroppa corre risco de ser demitido e, assim, amargar mais um fracasso na elite.
Surpreendente, a Lazio de Gattuso chega à primeira pausa da temporada no pelotão das líderes (Getty)
Gols e assistências: Pulisic (Pavlovic), Rabiot (Ramos) e Moreira Tops: Pavlovic e Rabiot (Milan) Flops: Siebert e Gaspar (Lecce)
O Milan fechou a rodada com sua atuação mais convincente na Serie A até aqui. Diante de um Lecce praticamente incapaz de ameaçar Maignan, os rossoneri venceram por 3 a 0, seguem invictos no campeonato e chegaram à pausa com 11 pontos, apenas dois atrás do trio que divide a liderança. Mais do que o placar, agradou a forma como ele foi construído: o time de Ruben Amorim voltou a pressionar, atacou melhor quando encontrou espaço e, principalmente, recuperou uma verticalidade que havia desaparecido nas últimas partidas. Depois de algumas atuações em que parecia depender demais das correções feitas durante os jogos, desta vez o Diavolo funcionou desde o início.
E o primeiro gol serviu como um símbolo dessa melhora. Aos 14 minutos, Pavlovic efetuou um lindo lançamento para Pulisic, que se projetou às costas da defesa rival e dominou em velocidade antes de tocar na saída de Falcone. Foi seu primeiro gol em uma partida oficial pelo Milan em 2026 e também o primeiro do time antes do intervalo nesta temporada. O estadunidense continua sendo uma peça importante demais para passar tanto tempo longe das participações em tentos, e sua movimentação ajudou bastante a mudar a cara ofensiva da equipe. Ao lado disso, Modric e Rabiot controlaram o meio, enquanto Saelemaekers movimentou bastante a estrutura defensiva do Lecce.
O segundo tempo manteve o roteiro, mesmo com o Lecce tentando subir um pouco as linhas, mas sem conseguir transformar isso em pressão, enquanto o Milan continuou encontrando espaços com facilidade. Aos 61, uma combinação rápida por dentro terminou com Rabiot finalizando no contrapé do goleiro para ampliar o marcador. Pouco depois, Amorim colocou Moreira, e o belga precisou de poucos minutos para deixar sua marca mais uma vez: pressionou Veiga, arrancou em direção ao gol, driblou Siebert e fechou o placar com o seu primeiro gol em San Siro. Ramos, apesar de não ter deixado sua marca, participou dos dois lances de forma importante.
A vitória deixa uma sensação bem mais agradável do que aquela que acompanhou o Milan nas últimas semanas. Pulisic voltou a marcar, Rabiot confirmou a importância que vem ganhando no meio, Moreira novamente decidiu saindo do banco e a defesa praticamente não foi incomodada. O Lecce, por outro lado, passou a maior parte da noite apenas tentando sobreviver e saiu de San Siro sem produzir qualquer argumento para mudar o resultado. Para Amorim, a data Fifa chega no momento ideal para consolidar o que funcionou até agora. Se esta versão mais direta, agressiva e equilibrada aparecer com frequência, o Diavolo tem motivos reais para continuar olhando para o topo.
Gol: Maldini Tops: Caprile e Mina (Cagliari) Flops: Kabasele e Miller (Udinese)
O Cagliari, assim como em 2025-26, faz um forte início de campeonato. Em Údine, o time de Fabio Pisacane sofreu, passou praticamente toda a partida sem controlar o jogo e precisou de uma atuação enorme de Caprile, mas encontrou o gol que precisava para vencer por 1 a 0 e chegar aos 12 pontos em cinco rodadas e ganhar gordura na briga contra o rebaixamento. É a segunda vez na história do clube que os sardos vencem quatro das cinco primeiras partidas de uma edição da Serie A. A outra? Em 1969-70, temporada que terminou com o único scudetto de sua história. “Heroico” é um adjetivo bem apropriado para descrever a largada dos isolani.
A Udinese tomou a iniciativa desde cedo e empurrou um Cagliari organizado em uma defesa bem baixa, disposto a proteger a própria área e jogar em função de encontrar algum contra-ataque. Davis passou perto de abrir o placar antes de sair lesionado ainda no primeiro tempo, enquanto Zaniolo e Vojvoda desperdiçaram outra boa chegada. Quando Gueye entrou, a pressão aumentou, Caprile precisou trabalhar repetidamente e chegou a consertar com os pés um erro cometido por ele mesmo. O time visitante, naquele momento, parecia plenamente satisfeito em levar um ponto para a Sardenha.
Só esqueceram de avisar a intenção de empate a Maldini. Aos 55 minutos, numa cobrança de falta favorável à Udinese, Miller recuou para Kabasele, Ebosse também não entendeu o lance e o camisa 70 percebeu o erro antes de todos. O atacante tomou a bola, passou por Okoye e marcou pelo terceiro jogo consecutivo, depois de também decidir contra Lecce e Atalanta. Tudo isso após uma série de intervenções fundamentais de Caprile em bolas paradas.
A partir daí, foi resistência. Kosta Runjaic desfez a linha de três, acumulou jogadores no ataque e manteve a Udinese instalada no campo adversário, mas Caprile fechou o gol e Mina comandou uma defesa que rebateu tudo até o fim. É justamente esse tipo de vitória que ajuda a explicar por que o Cagliari chega à data Fifa em uma situação tão extraordinária. Claro, nem sempre será superior, mas já mostrou que sabe competir, sofrer e aproveitar o pouco que recebe. Para os bianconeri, o retrato é inverso. A atuação talvez não justificasse o resultado, mas a equipe chega à terceira derrota consecutiva e terá uma pausa bem longa para descobrir como transformar, principalmente, sua desatenção na fase defensiva.
O Milan segue invicto na Serie A após triunfo convincente sobre o Lecce (Getty)
Gols e assistências: Calò (Schmid) e Kvernadze (Schmid) Tops: Palmisani e Schmid (Frosinone) Flops: Valle e Chalobah (Como)
O Frosinone segue voando muito acima das expectativas de quem olhou para o recém-promovido apenas como candidato à sobrevivência. Diante de um Como que vinha invicto e sonhava em aproveitar a brecha dada por Roma e Inter, a equipe de Massimiliano Alvini venceu por 2 a 0, chegou aos 10 pontos em 15 possíveis e igualou justamente o adversário na tabela. É a melhor largada da história do clube na Serie A: o time ciociaro nunca havia somado tantos pontos nas cinco primeiras rodadas e, com nove gols marcados, também supera o início de 2023-24 em termos de produtividade ofensiva. Para quem entrou no campeonato pensando primeiro em permanecer na elite, a distância criada para a parte de baixo já começa a permitir que a os canários pensem em novos destinos.
O resultado nasceu de uma partida corajosa. O Frosinone não se limitou a esperar o Como e tentou enfrentá-lo com suas próprias armas: pressão alta, intensidade e muita velocidade quando recuperava a bola. Aos 14 minutos, Schmid encontrou Calò livre na área e o volante abriu o placar, contando com um leve desvio de Milla. O camisa 14, para além do gol, perseguiu Da Cunha, ajudou a sufocar a construção visitante e comandou um meio-campo que raramente deixou os pupilos de Cesc Fàbregas estabelecerem o ritmo habitual. Já perto do intervalo, Schmid voltou a ser decisivo. O austríaco escapou no contra-ataque, resistiu à marcação e serviu Kvernadze, que se livrou bem de Valle e bateu para fazer 2 a 0 – chegando ao terceiro gol em cinco rodadas.
Isso não significa que o Como tenha passado a tarde inteira sem criar. Logo no começo, Douvikas e Baturina quase marcaram em uma sequência caótica, e foi aí que apareceu outro protagonista da vitória: Palmisani. O goleiro, que nesse lance ainda contou com a ajuda da trave e de um corte providencial de Calvani em cima da linha, segurou o Frosinone quando necessário e transformou o segundo tempo em uma coleção de frustrações para os lariani. Parou Kean mais de uma vez, fez grande defesa em chute de Rodríguez e ainda contou com alguma imprecisão de Paz. Quando o time visitante conseguiu finalmente romper a pressão e chegar em condições de finalizar, quase sempre encontrou o mesmo obstáculo. Do outro lado, Raimondo ainda teve um terceiro gol anulado na reta final.
Chegou a primeira derrota da temporada e uma lista de pontos para Fàbregas trabalhar durante a pausa. Yan Couto e Valle sofreram demais contra os alas do Frosinone, a defesa voltou a ser vazada e o meio-campo perdeu praticamente todos os duelos de intensidade na primeira etapa. Já para os ciociari, a data Fifa chega como prêmio. O Frosinone somou sete pontos nos últimos três jogos, tem a melhor largada de sua história na elite e comemorou os 98 anos do clube com uma atuação que serve também como recado aos adversários. Se o objetivo inicial continua sendo a permanência, este começo já permite olhar para a zona de rebaixamento de muito, muito longe.
Gols e assistências: Conceição (Çelik) e Bremer (Zhegrova) Tops: Bremer e Kolo Muani (Juventus) Flops: Krstovic e Scalvini (Atalanta)
A Juventus precisava responder depois da derrota caótica para o Sassuolo e fez isso quebrando um tabu muito incômodo. Com gols de Conceição e Bremer, os bianconeri venceram a Atalanta por 2 a 0 e voltaram a derrotar a Dea em Turim pela Serie A, o que não ocorria desde 2018. Não foi uma atuação perfeita, mas houve controle suficiente para praticamente nunca deixar o adversário confortável e, principalmente, também se registrou uma melhora importante depois do intervalo. Luciano Spalletti chega à pausa com 10 pontos e algum sossego recuperado; Maurizio Sarri, ao contrário, leva seu time com três derrotas consecutivas à data Fifa e apresentando um futebol muito distante do que se esperava de seu trabalho.
A Juve começou com uma proposta mais cautelosa, oferecendo a posse à Atalanta e tentando aproveitar os espaços com Kolo Muani, Alajbegovic e Conceição. Funcionou principalmente porque o domínio bergamasco era quase todo estéril: muita circulação, pouca aceleração e nenhuma finalização no alvo durante o primeiro tempo. Aos 27 minutos, Çelik chegou pelo lado e cruzou rasteiro para Conceição aparecer livre na segunda trave e marcar seu primeiro gol na temporada. Spalletti mudou o desenho que tinha usado na goleada contra o NEC Nijmegen e colocou González por dentro, como armador. A ideia, porém, não encaixou tão bem. O argentino recebia muitas vezes de costas para o gol, tendia a escapar para o mesmo setor ocupado por Conceição e acabava congestionando o lado direito, diminuindo justamente a amplitude que poderia machucar a defesa da Dea.
Foi no segundo tempo que a Juventus encontrou uma distribuição bem mais interessante. A entrada de Sarr deu presença, cobertura e verticalidade ao meio, enquanto McKennie passou a ocupar a faixa central mais adiantada; González voltou a receber pela esquerda e Conceição permaneceu aberto do outro lado. De repente, as peças pareciam conversar melhor. McKennie obrigou Carnesecchi a uma grande defesa, Kolo Muani aparecia sempre em profundidade e a equipe passou a jogar mais no campo adversário. A Atalanta teve seu melhor momento em uma cabeçada de Kristensen, salva praticamente em cima da linha pelo camisa 9 bianconero, mas foi pouco para uma equipe que passou a maior parte da tarde sem conseguir transformar posse de bola em chances de gol.
Aos 77, veio a sentença. Zhegrova cobrou escanteio e Bremer atropelou a marcação de Scalvini para fazer o 2 a 0. Já são 12 gols de cabeça desde que chegou à Juventus em 2022-23, marca que, o coloca como o defensor com mais tentos dessa maneira nas cinco principais ligas europeias no período – o zagueiro também é o goleador bianconero no campeonato. A Juve ainda poderia ter ampliado, enquanto a Atalanta terminou sem reação suficiente para colocar a vitória em dúvida. O tropeço contra o Sassuolo não pode ser esquecido, mas a resposta veio da melhor maneira possível, com o tabu encerrado e sinais de que Spalletti encontrou, ao menos nesta noite, uma configuração muito mais funcional para o seu meio de campo e o seu ataque.
Maldini marcou pelo terceiro jogo seguido e o Cagliari vai para a data Fifa no G4 da Serie A (Ansa)
Gols e assistências: Jiménez (Ndour); Gilmour (Politano) Tops: De Gea (Fiorentina) e Gilmour (Napoli) Flops: Viery (Fiorentina) e Marín (Napoli)
Fiorentina e Napoli chegaram ao Artemio Franchi tentando transformar a reação da rodada passada em uma sequência positiva, mas acabaram freando seus avanços. O 1 a 1 marcou o primeiro empate das duas equipes nesta Serie A e deixou uma sensação parecida dos dois lados, com bons momentos, chances suficientes para vencer e alguns sinais positivos, mas faltou continuidade. Para a Viola, ao menos, o resultado confirmou que a mudança de comando segue produzindo efeito. Depois da vitória sobre o Venezia e do triunfo na Coppa Italia sobre o Pisa, a equipe de Paolo Vanoli conquistou seu primeiro ponto em casa no campeonato e foi para a longa pausa sob aplausos.
O início foi lento, mas a partida pegou fogo em poucos minutos. A Fiorentina acertou duas vezes o travessão, primeiro com Atta e depois com Fagioli, enquanto Olivera respondeu carimbando a trave do outro lado. No meio dessa trocação, Politano, de forma mais consciente, cobrou escanteio para trás, e Gilmour, completamente livre na entrada da área, bateu de primeira para abrir o placar aos 22 minutos. A vantagem partenopea, porém, não refletia uma superioridade clara; a Viola já havia mostrado que tinha condições de machucar, especialmente quando Mastantuono conseguia acelerar seu jogo.
Mesmo com a desvantagem, Vanoli manteve a proposta e encontrou o empate logo no começo da segunda etapa. Aos 51, a defesa do Napoli não conseguiu afastar a bola, e Jiménez apareceu de fora da área para finalizar; o desvio em Marín matou Milinkovic-Savic e deixou tudo igual. A partir daí, a Fiorentina cresceu, chegou perto da virada com Valdepeñas e Fagioli, mostrando que claramente estava mais confortável em campo. Massimiliano Allegri respondeu tirando Højlund e Lang para lançar Lucca e David Neres. As mudanças devolveram algum peso ao Napoli, que terminou criando as melhores oportunidades da reta final, mas parou duas vezes em De Gea, decisivo diante do brasileiro e de Favasuli.
No fim, podemos atestar que a Fiorentina continua em recuperação e chega à pausa com um ambiente muito mais leve do que aquele encontrado por Vanoli, enquanto o Napoli segue oscilando entre controle e pouca contundência. Depois de vencer o Bologna pelo placar mínimo, os azzurri voltaram a deixar pontos pelo caminho e chegaram aos sete, ainda distantes das equipes que largaram na frente. Apesar do empate, Allegri precisa responder rápido, pois seu começo de temporada é um dos piores na história recente do clube.
Gols e assistências: Bernardeschi; Kulenovic (Mandragora) Tops: Bernardeschi (Bologna) e Kulenovic (Torino) Flops: Skorupski (Bologna) e Cömert (Torino)
A estreia de Raffaele Palladino, um dos treinadores mais promissores da Itália, pelo Bologna terminou com sinais interessantes, mas sem a vitória que o clube tanto precisava. Os rossoblù saíram na frente, conseguiram mostrar alguns traços claros das ideias do novo treinador e tiveram bons momentos, sobretudo com Bernardeschi, mas voltaram a perder força ao longo da partida e permitiram a reação do Torino. O 1 a 1 mantém os emilianos sem triunfos na Serie A e prolonga um incômodo ainda maior dentro de casa: já são 160 dias sem triunfo no Renato Dall’Ara, desde 12 de abril.
Palladino já mudou bastante o que vinha sendo trabalhado por Domenico Tedesco. O Bologna apareceu com uma linha de três, perseguições individuais mais agressivas e uma ideia mais direta para encontrar Piccoli no ataque, sem tanta circulação estéril pelo meio. O Torino começou melhor, mas a vantagem dos donos da casa chegou cedo, aos 14 minutos. Cambiaghi recuperou a bola, Miranda cruzou e, após desvio de Ismajli, Bernardeschi apareceu para marcar seu primeiro gol na temporada. O problema é que o time continuou vivendo mais de lampejos do que de controle, enquanto o Toro voltou a ocupar o campo e levou perigo principalmente com Mandragora.
Na segunda etapa, a equipe de Ignazio Abate ganhou cada vez mais campo, e as mudanças ajudaram a transformar volume em perigo real para os mandantes. Kulenovic entrou aos 55 minutos e, aos 76, conduziu até a entrada da área e finalizou para empatar, contando com uma falha de Skorupski, lento demais para reagir. Foi o primeiro gol do croata na Serie A, aproveitando o momento em que o Bologna já começava a dar sinais de cansaço e desorganização. O Torino ainda terminou melhor e quase virou com o próprio atacante, que teve outra boa chance pouco depois, e com Oristanio, que se fez muito presente na fase ofensiva.
E foi exatamente com Oristanio que nasceu a maior polêmica do jogo. Já na reta final, Heggem atingiu o pé do atacante dentro da área em um lance que gerou fortes reclamações dos grenás, mas a arbitragem não entendeu o ocorrido como pênalti. O Torino saiu de Bolonha com a sensação de que poderia ter conseguido mais, e o Bologna, sob vaias. Para Palladino, há algum material para trabalhar. Falta mais agressividade sem a bola e o time tem que começar as partidas mais ligado. Os números até aqui são bem pesados: cinco rodadas, nenhuma vitória e apenas dois pontos. A pausa agora chega em boa hora.
Grata surpresa deste início de Serie A, o Frosinone vive sua melhor arrancada na história (Getty)
Gols e assistências: Romero (Touré) e Almqvist (Elphege); Osmajic (Colombo) Tops: Romero e Almqvist (Parma) Flops: Østigard e Marcandalli (Genoa)
Era jogo de seis pontos já em setembro, e o Parma tratou como tal. Diante de um Genoa que chegou ao Ennio Tardini igualmente pressionado, a equipe de Carlos Cuesta venceu por 2 a 1, conquistou seu primeiro triunfo nesta Serie A e ganhou um pequeno respiro antes da pausa. Para os grifoni, o cenário é o oposto: apenas um ponto em cinco rodadas, penúltima colocação e um ambiente cada vez mais pesado em torno de Daniele De Rossi. Ainda é cedo, claro, mas o início já não é mais apenas preocupante.
O primeiro tempo explicou bem a tensão das duas equipes. Houve muita disputa, pouco espaço e quase nenhuma fluidez, embora o Genoa fosse ligeiramente mais agressivo. Se na organização não funcionava, o Parma precisou de um lampejo para abrir o placar. Aos 37 minutos, Romero recebeu de Touré, passou por Østigard e acertou um belo chute cruzado, praticamente na primeira chegada realmente perigosa dos donos da casa. Pouco depois, Touré ainda desperdiçou uma cabeçada que poderia ter levado o jogo ao intervalo com uma vantagem maior. Não teria sido exatamente justo pelo volume apresentado, porém, em um jogo tão disputado, o bom futebol fica um pouco de lado.
O Parma voltou do intervalo disposto a proteger cedo demais o 1 a 0. O Genoa ganhou campo, empurrou o adversário para trás e acabou encontrando o empate aos 70, quando Osmajic aproveitou uma linha defensiva mal ajustada para sair de frente com Corvi e finalizar com tranquilidade. Era justamente o tipo de golpe que poderia desmontar uma equipe ainda sem vitórias, mas desta vez a reação veio. Cuesta já havia colocado Elphege e Almqvist para dar velocidade ao ataque, e foi justamente a dupla que construiu o gol decisivo: o centroavante francês fez o pivô, o sueco arrancou pelo lado e bateu na saída de Bijlow para devolver a vantagem aos mandantes.
Depois foi sobrevivência. O Genoa empilhou bolas na área, Corvi segurou o que apareceu e o Parma defendeu os três pontos. O apito final trouxe alívio aos emilianos e protestos pesados do outro lado, com os jogadores do Grifone indo até a torcida para ouvir as cobranças. A pausa chega em boa hora para De Rossi, mas também com uma obrigação clara, que é encontrar rapidamente uma resposta. O elenco pode até sugerir algo melhor do que a tabela mostra, mas, neste momento, é a classificação que fala muito mais alto.
Gols e assistências: Varela (Birindelli) e Varela (pênalti); Adzic Tops: Varela e Birindelli (Monza) Flops: Muric e Cinquegrano (Sassuolo)
O Monza finalmente respirou antes da longa pausa de setembro e outubro. Depois de quatro rodadas sem vencer, a equipe de Ivan Juric bateu o Sassuolo por 2 a 1, chegou aos quatro pontos e saiu da zona de rebaixamento. E boa parte desse alívio passa por Varela, cada vez mais com cara de achado dos brianzoli. O português decidiu a partida com dois gols, chegando a quatro na Serie A e seis na temporada.
O curioso é que os gols demoraram a sair, apesar de um primeiro tempo bastante movimentado. O Monza começou pressionando e ameaçou imediatamente com Robinson e Kouadio, mas o Sassuolo cresceu e poderia ter ido para o intervalo em vantagem não fosse Törnqvist. O sueco, terceiro goleiro utilizado por Juric em apenas cinco rodadas, parou Berardi em uma chance claríssima e depois apareceu novamente diante de Thorstvedt. Cutrone também desperdiçou do outro lado, deixando o 0 a 0 para uma etapa final em que os erros neroverdi acabariam custando caro. Não à toa o time da Emília-Romanha volta e meia recebe a alcunha de Robin Hood da Itália.
Varela abriu o placar aos 51 minutos, aproveitando o escanteio de Birindelli e também uma colaboração considerável de Muric, que não conseguiu segurar a cabeçada central. Pouco depois, Esposito chegou atrasado em Mota dentro da área, e o português converteu o pênalti para fazer 2 a 0. Alberto Aquilani lançou o Sassuolo para frente e encontrou novamente em Adzic uma resposta. O montenegrino entrou aos 72 e, aos 87, acertou uma bela cobrança de falta para marcar pelo terceiro jogo consecutivo. Desde que deixou a Juventus por empréstimo, parece ter descoberto um gosto especial pelas redes.
O “quase” veio aos 93, quando Adzic ainda cruzou para Bowie cabecear na trave e deixar o empate a centímetros de distância. O Monza sobreviveu ao sufoco e chega à data Fifa com a vitória que ainda não tinha experimentado nesta Serie A. Além dos três pontos, Juric leva para a pausa duas soluçòes importantes em posições que vinham causando problemas, com Törnqvist oferecendo segurança no gol e Varela sendo o fator decisivo.
Palmisani (Frosinone); Calvani (Frosinone), Bremer (Juventus), Pavlovic (Milan), Nuno Tavares (Lazio); Schmid (Frosinone), Koné (Roma), Rabiot (Milan); Maldini (Cagliari); Lautaro (Inter), Varela (Monza). Técnico: Massimiliano Alvini (Frosinone).















