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·07 de julho de 2026

Entenda como acusação sem prova de Textor virou munição para Trump no caso Balogun

Imagem do artigo:Entenda como acusação sem prova de Textor virou munição para Trump no caso Balogun

O que parecia ser apenas uma disputa nos tribunais esportivos brasileiros acabou respingando, anos depois, na Copa do Mundo da FIFA de 2026.

O pedido de Trump para anulação do cartão vermelho do atacante dos Estados Unidos Folarin Balogun teve como base uma fake news, que nasceu no Brasil em 2024, e que acabou circulando nos EUA nos últimos dias, ao distorcer informações sobre o árbitro brasileiro Raphael Claus.


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Entenda o caso

Durante a partida entre Estados Unidos e Bósnia pela fase de 16 avos da Copa do Mundo, Folarin Balogun foi expulso pelo árbitro Raphael Claus.

Imediatamente após a partida, começou a circular na comunidade do futebol nos EUA o boato de que o juiz brasileiro havia sido investigado em um esquema de manipulação de resultados em seu país.

O jornal New York Post, inclusive, chegou a afirmar que Claus havia sido convocado por uma CPI parlamentar em 2024 devido a manipulações e que clubes, "principalmente o Botafogo", haviam manifestado preocupação com seus cartões irregulares.

O que de fato aconteceu?

A história que chegou aos Estados Unidos foi uma distorção do que realmente aconteceu no Brasil.

Vamos lá!

A CPI das Apostas

A comissão do Senado foi instaurada em 2024 para investigar as denúncias de manipulação de resultados feitas pelo dono da SAF do Botafogo, John Textor, referentes ao Campeonato Brasileiro de 2023.

O papel de Raphael Claus

O árbitro não era investigado. Ele foi convocado pela CPI do Senado apenas como testemunha, mas seu depoimento nunca ocorreu, pois o aceite não era obrigatório.

A comissão limitou-se a fazer perguntas sobre ele ao então chefe de arbitragem, Wilson Seneme.

As acusações de Textor

No STJD, as denúncias não ganharam força por falta de provas sólidas.

A suspeita de Textor sobre Claus era apenas de que ele havia sido escalado para atuar junto com a árbitra de vídeo Daiane Muniz mais vezes do que o normal.

Trump e a resposta da FIFA

A fragilidade das denúncias de Textor e o fato de Claus nunca ter sido investigado foram distorcidos na narrativa que circulou os EUA.

A versão, então, chegou a Scott Goodwin, gestor de fundos e um dos principais doadores da U.S. Soccer (Federação de Futebol dos Estados Unidos).

Segundo o New York Times, foi ele quem repassou a informação distorcida aos oficiais de Donald Trump.

Com base nisso, o presidente dos EUA admitiu ter ligado para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir a revisão da punição de Balogun, tratando o árbitro brasileiro como suspeito.

"Tudo o que fiz foi pedir uma revisão, porque não achei que fosse falta. Eu não disse à Fifa o que fazer. O comitê tomou a decisão certa. É injusto excluir um dos melhores jogadores dos EUA. Esse árbitro é um pouco suspeito. Se você verificar o passado dele… Eu não quero dizer isso, porque não gosto de criar polêmica, mas muito suspeito", declarou Trump.

O comitê disciplinar da FIFA, por sua vez, acabou liberando Balogun para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final.

Para tentar amenizar o desgaste criado com o caso, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, divulgou um comunicado confirmando a ligação de Trump, mas negou qualquer quebra de autonomia da entidade.

"Durante nossa conversa, expliquei que havia um processo jurídico em andamento envolvendo os órgãos judiciais independentes da Fifa e que o caso seria decidido no devido tempo pelos órgãos competentes. É assim que o sistema da Fifa funciona, e esse é um princípio que sempre defenderei", disse Infantino.

Em campo e com Balogun titular, os Estados Unidos acabaram goleados pela Bélgica, nesta segunda-feira (6), encerrando a participação do país na Copa do Mundo.


📸 Patrick Smith - 2025 Getty Images

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