Esporte News Mundo
·02 de fevereiro de 2026
Entenda o motivo da rebeldia de CR7 e Benzema contra seus clubes sauditas

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·02 de fevereiro de 2026

O futebol da Arábia Saudita vive, nos últimos dias, uma crise sem precedentes desde o início do projeto bilionário que levou estrelas mundiais ao país.
Cristiano Ronaldo e Karim Benzema, os dois principais nomes da Saudi Pro League, recusaram-se a entrar em campo por Al-Nassr e Al-Ittihad, respectivamente, expondo publicamente um descontentamento profundo com a gestão do Fundo de Investimento Público (PIF), órgão estatal que controla os principais clubes do país.
Apesar de situações diferentes, as insatisfações de português e francês têm um ponto em comum: a condução dos investimentos do PIF e a percepção de desequilíbrio esportivo entre as equipes administradas pelo fundo.
Nos bastidores, o PIF discute um recálculo de sua estratégia financeira, visto que projetos bilionários liderados pelo príncipe herdeiro Mohammad bin Salman fora do futebol não entregaram os resultados esperados, o que levou o fundo a rever aportes e prioridades. Esse cenário criou instabilidade dentro da liga e afetou diretamente os clubes que dependem do investimento estatal.
Além disso, existe a expectativa de que, em algum momento, todas as equipes controladas pelo PIF sejam vendidas a grupos privados. O processo, no entanto, avança de forma desigual, e é justamente aí que surgem as maiores tensões.
No Al-Ittihad, a crise ganhou forma a partir da tentativa de renovação contratual do francês Karim Benzema, vencedor da Bola de Ouro de 2022, que considerou a proposta apresentada pelo clube um desrespeito, com termos inferiores ao status prometido quando deixou o futebol europeu.
Incomodado, Benzema recusou-se a jogar uma partida recente e abriu conversas para deixar o clube antes do fim do contrato, que vai até 2026. O destino mais provável é justamente o Al-Hilal, rival direto e clube que, paradoxalmente, está no centro da insatisfação de Cristiano Ronaldo.
A possível transferência ocorre em meio ao movimento do Al-Hilal para sair do controle direto do PIF e receber investimento privado, o que explica sua postura agressiva no mercado e o interesse em nomes de peso como o próprio Benzema.

Benzema, jogador do Al-Ittihad (Photo by Yasser Bakhsh/Getty Images)
A rebeldia de Cristiano Ronaldo tem outra origem, mas passa pelo mesmo eixo. No Al-Nassr, o português entende que o clube vem sendo prejudicado em relação ao Al-Hilal, tanto na distribuição de recursos quanto no respaldo político dentro da liga.
Enquanto o rival se reforçou com jogadores de alto nível, o Al-Nassr teve uma janela extremamente tímida, com apenas uma contratação: o jovem Haydeer Abdulkareem.
Para CR7, isso compromete qualquer ambição de títulos relevantes, algo que ele ainda não conquistou desde que chegou ao país, em 2023.
Em protesto, Cristiano decidiu não atuar em uma rodada do Campeonato Saudita, pressionando o PIF por um tratamento mais equilibrado.
O técnico Jorge Jesus, compatriota do craque, reforçou publicamente a queixa ao afirmar que o Al-Nassr “não tem o mesmo poder político” do Al-Hilal.
Outro ponto sensível para Ronaldo é a perda de influência de dirigentes portugueses dentro do clube. O diretor esportivo Simão Coutinho e o CEO José Semedo, ambos próximos ao jogador, vêm sendo esvaziados de poder, movimento visto como um boicote interno.

Cristiano Ronaldo no Al-Nassr (Photo by Yasser Bakhsh/Getty Images)
A recusa dos dois craques em jogar escancarou fissuras em um projeto que parecia sólido. O Al-Nassr, atualmente vice-líder da liga, corre risco esportivo direto sem Cristiano Ronaldo em campo. Já o Al-Ittihad vê seu principal jogador cada vez mais distante, com possibilidade real de ruptura.
Pressionado, o PIF chegou a cogitar liberar reforços de impacto para o Al-Nassr, mas o fechamento iminente da janela de transferências dificulta qualquer reação imediata.








































