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Papo na Colina

·09 de julho de 2026

Entenda por que a última decisão da Justiça sobre a SAF pode não ter sido tão ruim para o Vasco

Imagem do artigo:Entenda por que a última decisão da Justiça sobre a SAF pode não ter sido tão ruim para o Vasco

A recente decisão proferida pela juíza Dra. Simone, titular da 6ª Vara Empresarial, trouxe uma leitura jurídica que nos bastidores não foi considerada de todo ruim para o futuro institucional do Vasco. Ao determinar a substituição da tutela e indicar o advogado Athos de Andrade Figueira Neves como o novo interventor da companhia, a magistrada “esvaziou” consideravelmente os poderes políticos e práticos do cargo de intervenção. A atuação do profissional e de sua equipe jurídica foi limitada estritamente aos ritos burocráticos de governança, fiscalização contábil e circulação de relatórios internos, o que significa que as decisões estratégicas do dia a dia não sofreram uma ruptura total.

De acordo com a análise do jornalista e advogado José Américo, setorista vinculado ao canal Vasco Connection e à Rádio Onda Mix, essa perda de força da intervenção é um ponto positivo porque garante total autonomia para que os atuais executivos sigam no comando do futebol. O comitê esportivo mantém plenos poderes para liderar de forma direta o mapeamento de mercado, a contratação do novo treinador e as conversas para a chegada de reforços na janela.


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Além disso, o comentário do jornalista destaca um movimento crucial nos bastidores: a apresentação da carta de intenções do empresário Marcos Faria Lamacchia, que trouxe a certeza real de uma revenda iminente das ações do clube por meio da Almirante Participações, empresa criada pelo investidor com o propósito óbvio de assumir o controle do futebol cruz-maltino.

O impacto da UPI Equity e o plano que joga a favor do Vasco

A engenharia financeira detalhada no documento protocolado revela que o plano estratégico traçado na Recuperação Judicial não projeta uma venda direta da estrutura atual da empresa, mas sim a formatação de uma Nova SAF. Esse modelo consiste em isolar todos os ativos saudáveis do futebol, como contratos de atletas, direitos de transmissão e propriedades comerciais, transferindo essas fatias para uma nova companhia limpa de dívidas. As ações dessa nova instituição constituirão a chamada UPI Equity (Unidade Produtiva Isolada), um mecanismo amparado por lei que confere total blindagem ao comprador contra passivos e bloqueios da gestão anterior.

Essa estrutura jurídica é o que torna o negócio altamente atraente para o mercado, oferecendo garantias reais para quem decidir injetar o capital em São Januário. Na engrenagem montada nos tribunais, Marcos Faria Lamacchia confirmou formalmente que negociava há mais de dois anos com a diretoria associativa e que assumirá o papel de stalking horse bidder na concorrência pública. Isso significa que o filho do dono da Crefisa registrará a primeira proposta vinculante pela UPI Equity, estipulando o valor mínimo do leilão judicial e permitindo que o Vasco busque lances ainda maiores de outros interessados para garantir a melhor oferta possível.

Interesse de Lamacchia segue firme mesmo com mercado congelado

A manifestação do investidor deixa claro que os contratos para a aquisição de 90% dessa Nova SAF estavam prontos para assinatura e só foram travados devido à instabilidade institucional gerada pelas liminares. Apesar do bloqueio provisório, o empresário reforçou ao Judiciário que não desistiu do negócio e mantém o interesse firme em assumir o controle acionário da Vasco SAF, condicionando a validação das assinaturas ao restabelecimento da governança anterior de Pedrinho e ao saneamento das irregularidades fiscais apontadas.

A carta acrescenta um elemento de enorme peso político ao processo, pois prova documentalmente aos magistrados que existe um projeto real, estruturado e com fundos garantidos pronto para reerguer as finanças do Vasco no Brasileirão. Embora a venda não ocorra de forma automática por necessitar do cumprimento de etapas competitivas e aprovações dos conselhos, a declaração dá um argumento robusto para a defesa acelerar o recurso de efeito suspensivo que tramita com o desembargador relator na 20ª Câmara de Direito Privado do TJRJ.

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