oGol.com.br
·15 de junho de 2026
Enzo Scifo, ídolo belga: 'sem Maradona, a Bélgica poderia ter sido campeã do mundo em 1986'

In partnership with
Yahoo sportsoGol.com.br
·15 de junho de 2026

Vincenzo Daniele Scifo. Não há como enganar. Um dos maiores belgas de todos os tempos tem sangue italiano correndo nas veias, um DNA latino, quente, refletido na beleza renascentista do seu futebol.
Scifo, apenas Enzo, é o recordista de participações em Copas do Mundo pela Bélgica: 1986, 1990, 1994 e 1998. Kevin De Bruyne poderá igualá-lo neste feito marcante agora em 2026, mas, por enquanto, o recorde ainda pertence ao gênio das décadas de 80 e 90 — Franky van der Elst divide essa marca.
"É um registro excepcional, um orgulho», resume Enzo Scifo em entrevista aos nossos parceiros do zerozero, numa conversa que vai do francês ao italiano, mas sem hesitação.
Aos 60 anos, Scifo está afastado por opção da função de treinador e se sente "mais livre" para analisar a Copa do Mundo de 2026 e os feitos do passado. Um título que sonhou conquistar nos tempos de jogador.
Craque da cabeça aos pés, pensador e criativo, o cérebro e a voz de uma geração dourada do futebol belga. O quarto lugar no México ainda lhe parece pouco.
"Se não fosse Diego Maradona, a Bélgica teria sido campeã do mundo em 1986", defendeu.
As lembranças da geração de 1986, quando tinha apenas 20 anos, são as melhores. O ídolo belga acredita que aquela foi uma oportunidade única de levar o primeiro Mundial para o país, porém com um craque argentino que estragou os seus planos.
"É a minha convicção até hoje. Havia seleções mais fortes do que a nossa, mas a nossa capacidade mental para entender o jogo era a melhor desse Mundial. Por 'culpa' do senhor Thys (técnico da seleção belga de 82 a 90).
Podíamos perfeitamente derrotar seleções teoricamente superiores, porque éramos mais inteligentes no campo. Tínhamos uma boa mistura entre jogadores jovens tecnicamente muito fortes e veteranos com a cabeça no lugar e que sabiam pôr os mais novos no lugar deles.", recordou.
Apesar da genialidade de Maradona - autor de dois gols na semifinal contra a Bélgica - Scifo ainda carrega a tristeza e a certeza de que a arbitragem não fez do embate um jogo justo.
"Já passaram 40 anos. Sei que soa a desculpa esfarrapada, mas… já viram as imagens?", questionou.
"Fomos muito prejudicados. Há alguns impedimentos escandalosos e erradamente assinalados aos nossos atacantes", lamentou.
A equipe que disputou a Copa do Mundo de 1990 era tecnicamente superior, mas acabou caindo mais cedo. Foi eliminada pela Inglaterra, na prorrogação, com um gol no último instante de David Platt.
"Nem me fale desse nome. Ainda tenho pesadelos com ele", respondeu bem-humorado.
"Havia duas diferenças grandes em relação à seleção de 86: em 90, tínhamos uma equipe mais técnica e menos física, uma equipe que tinha prazer com a bola; e, ao contrário do Mundial anterior, já tínhamos jogadores em grandes clubes da Europa, habituados a jogar sempre para ganhar", explicou.
Ao contrário de 1986, no entanto, quando sentiu que a Bélgica poderia ter vencido o Mundial e foi eliminado com mágoas e a sensação de que poderia ter sido diferente, a queda em 1990 foi atribuída apenas às surpresas do futebol.
"Éramos mais fortes do que em 1986, honestamente. Se tivesse havido alguma lógica, a Bélgica teria eliminado a Inglaterra. Mas aí foi apenas futebol, sofremos um gol no último minuto da prorrogação", reconheceu.
Em 1994, Scifo viu sua seleção cair para a Alemanha por 3 a 2, em um jogo duro - "poderia ter sido ao contrário". Mas o craque reconheceu não ter feito suas melhores exibições no torneio, muito por conta de fatores externos, como o calor extremo nos Estados Unidos.
"O meu futebol era muito técnico, mas a bola e a grama pareceram-me sempre estranhas nos EUA", explicou.
Em 1998 as lembranças não foram as melhores. Depois de boas campanhas consecutivas, com eliminações para gigantes sempre em confrontos equilibrados, a Bélgica caiu na fase de grupos e sem deixar saudades aos torcedores.
"A atmosfera da equipe não era a melhor. A ligação entre nós não teve nada a ver com a das edições anteriores. Foi a mais decepcionante das minhas quatro participações em Copase, sem surpresa, nem da fase de grupos passamos", lamentou.
Pode conferir conferir a entrevista completa aqui no zerozero.pt.







































