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·17 de agosto de 2026

Escola espanhola do Marítimo promete: além de Tejón, há Simo a afirmar-se

Imagem do artigo:Escola espanhola do Marítimo promete: além de Tejón, há Simo a afirmar-se

Uma das imagens de marca que o Marítimo transferiu da temporada passada para esta foi a solidez e a imprevisibilidade nos corredores externos. Se a subida de divisão da turma do Funchal contou com o talento indiscutível de Tejón - um dos nomes mais badalados da última II Liga e igualmente lapidado no futebol espanhol -, a exibição de Simo Bouzaidi em Famalicão veio demonstrar que a armada insular tem na outra ala outro trunfo de peso para atormentar as defesas da Liga Portugal Betclic.

O extremo, de 26 anos, acabou por ser o grande protagonista da partida no Minho ao assinar o golo da igualdade e rubricar uma exibição de gala que lhe valeu a distinção de melhor em campo. Contudo, o sucesso do camisola 11 verde-rubro não nasceu por acaso: foi o culminar de um trajeto longo, maioritariamente percorrido em Espanha, até se afirmar como um dos pilares do regresso maritimista ao convívio dos grandes.


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A maturação no futebol espanhol e o salto para a Madeira

Nascido em Olot, em Espanha, Mohamed Bouzaidi Diouri ou simplesmente Simo, como é conhecido, dividiu as suas raízes geográficas com o orgulho internacional: representou a seleção Sub-20 de Marrocos em duas ocasiões. No futebol de clubes, realizou a grande maioria da sua formação bem perto de Portugal, em Sevilha, emblema onde fez a sua estreia como sénior nas equipas secundárias.

O primeiro grande momento de afirmação surgiu no Córdoba, na Segunda RFEF (equivalente ao quarto escalão espanhol), onde venceu o Grupo 4 e apontou dez golos com apenas 22 anos. Na temporada seguinte, já na terceira divisão, somou mais seis golos numa campanha em que o Córdoba ficou a escassos cinco pontos de disputar a subida.

A consagração em Espanha chegaria na época 2023/24: voltou a faturar seis vezes e ajudou o Córdoba a carimbar a promoção à La Liga Hypermotion, após bater o Barcelona B no play-off. Antes de rumar à Madeira, o extremo ainda teve uma breve passagem pela segunda divisão espanhola ao serviço do Eldense, num ano difícil marcado pelos poucos minutos e pela despromoção do emblema de Elda.

A afirmação no Funchal e o impacto na elite

Atento ao seu potencial, o Marítimo não hesitou em recrutá-lo na época transata. A aposta não podia ter saído melhor: na II Liga, Simo foi titular em 28 dos 32 jogos que realizou, apontando oito golos e fazendo cinco assistências, revelando-se uma das peças vitais na conquista do título do segundo escalão.

Com 1,71 m de altura e um centro de gravidade baixo, Simo Bouzaidi alia uma boa relação com a bola e visão de jogo a uma velocidade rápida na tomada de decisão. Porém, como ficou bem patente no triunfo frente ao Famalicão, a sua utilidade para o xadrez de Mitchell Van Der Gaag vai além do virtuosismo ofensivo: o marroquino demonstrou um compromisso defensivo exemplar, auxiliando no fecho do corredor sempre que a equipa foi encostada às cordas.

A simbiose entre Simo e Tejón garante ao Marítimo uma dupla de alas de formação espanhola capaz de criar desequilíbrios em qualquer estrutura tática. Se o campeonato ainda agora começou, uma coisa parece certa: a «escola espanhola» dos leões do Funchal promete continuar a ser uma autêntica dor de cabeça para os setores recuados da Primeira Liga.

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