Essa foi a maior dúvida que ficou sobre o Grêmio antes do Gre-Nal
Está ficando difícil analisar o Grêmio sem repetir praticamente as mesmas coisas. O time joga quase sempre da mesma maneira, apresenta os mesmos problemas e mostra pouquíssima evolução de uma partida para outra. Na derrota para o Bragantino, isso ficou novamente muito claro. O Tricolor passou boa parte do primeiro tempo sendo pressionado e, até aproximadamente os 20 minutos, praticamente não conseguia ultrapassar a linha do meio-campo. Na segunda etapa até conseguiu ter um pouco mais a bola e ocupar melhor o campo ofensivo, mas foi completamente insuficiente. O Bragantino venceu por 1 a 0 nos acréscimos e, pelo que aconteceu durante os 90 minutos, o resultado foi justo.
É verdade que existe um lance para reclamação. Braithwaite chegou a marcar, mas a arbitragem interrompeu a jogada antes por entender que o atacante havia dominado com o braço, quando o lance indicava domínio no peito. O Grêmio poderia ter saído na frente ali. Só que eu não consigo transformar a arbitragem na explicação para essa derrota. O Grêmio não foi derrotado pelo juiz. Foi derrotado pelo próprio futebol que apresentou. Wallace salvou uma bola em cima da linha, Pitta perdeu oportunidades claríssimas, inclusive uma cabeçada completamente livre, e o Bragantino teve chances suficientes para decidir a partida muito antes dos acréscimos. O empate, se viesse, seria muito mais um ponto arrancado na sobrevivência do que uma recompensa por uma boa atuação.
O problema mais preocupante continua sendo aquilo que acontece quando o Grêmio recupera a bola. Parece que ninguém sabe exatamente o que fazer. O desenho de Luís Castro não é nenhum mistério: uma linha de quatro defensores, um primeiro volante, dois meio-campistas, dois pontas e um centroavante. Desta vez Braithwaite começou na frente no lugar de Carlos Vinícius. A diferença é que o dinamarquês recua mais para participar e tentar tabelar, então não ficou tão isolado quanto Carlos Vinícius normalmente fica. Mesmo assim, esteve muito abaixo e o ataque continuou sem funcionar. Não existe jogo associado, não existem movimentos coordenados e praticamente todas as jogadas parecem depender de o jogador receber, parar, olhar para os lados e só depois decidir o que fazer.
E futebol de alto nível não funciona assim. O lateral precisa saber quando ultrapassar, o volante precisa oferecer uma linha de passe, o meia precisa atacar espaço, o ponta precisa entender o movimento do centroavante. Essas ações deveriam estar automatizadas pelo treinamento. No Grêmio, parece que tudo acontece depois que o jogador recebe a bola. Enquanto o Bragantino jogava em velocidade, o Grêmio parecia atuar em outra rotação. Um adversário a 220 e o Tricolor a 110, talvez até menos em alguns momentos. É um time lento, previsível e que tem enorme dificuldade para atacar qualquer defesa minimamente organizada.
As poucas oportunidades mostram exatamente isso. Além do gol anulado de Braithwaite, Jovane Cabral teve uma arrancada no segundo tempo que poderia se transformar em uma chance clara, mas acabou escorregando. E basicamente ficou nisso. Do outro lado, o Bragantino criou muito mais. Wallace salvou uma bola que inicialmente chegou a ser marcada como gol, com o VAR corrigindo corretamente o lance, e Pitta perdeu duas oportunidades muito boas. Quando o gol finalmente saiu de cabeça nos acréscimos, o Grêmio perdeu um ponto que seria extremamente importante para quem está brigando na parte de baixo da tabela, mas a realidade é dura: nem o empate o time merecia.
E aí inevitavelmente aparece o Grenal. Grêmio e Inter chegam mal aos clássicos da Copa do Brasil e têm campanhas praticamente idênticas no Brasileirão, com o Colorado inclusive tendo um jogo a mais. Não existe nenhum grande futebol acontecendo do outro lado. O Inter também tem limitações enormes, chegou ao ponto de utilizar um zagueiro como centroavante e igualmente está ameaçado pela parte de baixo da tabela. Só que hoje eu consigo enxergar uma ideia mais definida no Internacional do que no Grêmio.
O Inter de Paulo Pezzolano sabe que é limitado e joga a partir disso. Se fecha com uma linha de cinco, coloca jogadores na frente da área e, quando recupera a bola, tenta sair rapidamente em transição. Pode dar errado, pode faltar qualidade e o resultado pode continuar ruim, mas os jogadores parecem entender aquilo que precisam fazer. Existe uma proposta reconhecível. No Grêmio, eu ainda vejo muita dificuldade para identificar como esse time pretende atacar. O sistema existe no papel, mas os movimentos não aparecem com naturalidade dentro de campo.
Isso não transforma o Inter em favorito para o Grenal e muito menos significa que esteja jogando bem. Os dois chegam extremamente pressionados. Clássico tem uma lógica própria e só quando a bola rolar será possível entender o que cada um vai conseguir apresentar. Mas, olhando exclusivamente para o momento dos dois times, hoje vejo mais coisas funcionando do lado colorado do que do gremista.
E essa é a grande preocupação para Luís Castro. O Grêmio não precisa simplesmente trocar uma peça ou ajustar um posicionamento. Precisa começar a apresentar evolução real. Porque perder pode acontecer, ainda mais fora de casa. O que não pode continuar acontecendo é o time repetir a mesma atuação lenta, improdutiva e sem movimentos coordenados rodada após rodada. Contra o Bragantino, novamente foi isso que aconteceu. E agora o Grenal está chegando com o Grêmio ainda tentando descobrir como jogar futebol do meio para frente.