Esse foi o grande motivo para o Inter fazer seu melhor jogo da temporada!
O Inter talvez tenha feito contra o Vasco a sua melhor atuação na temporada. Não apenas pelo placar de 4 a 1, mas principalmente pela maneira como o time jogou. Foi um Inter intenso, agressivo, rápido e muito confortável dentro da proposta que o técnico Paulo Pezzolano vem tentando implementar desde que chegou ao Beira-Rio.
E aqui tem uma questão importante: esse modelo parece finalmente encaixar com as características do elenco colorado. O Inter não é um time construído para ter posse de bola o tempo inteiro, trocar passes curtos e controlar o jogo de maneira cadenciada. Quando tentou isso em outros momentos do campeonato, sofreu. Contra o Vasco, voltou a ser um time vertical, intenso e extremamente perigoso nos contra-ataques e na pressão alta.
O resultado foi um domínio praticamente completo. O 4 a 1, inclusive, ficou barato em alguns momentos. O Vasco teve mais posse de bola durante boa parte do jogo, mas isso claramente fazia parte do plano colorado. O Inter entregava a bola, fechava espaços e acelerava no momento certo. Em dois ou três toques, chegava na área adversária com muita velocidade.
E o trio ofensivo simplesmente destruiu o jogo. Carbonero, Bernabei e Alerrandro foram os grandes nomes da partida. Dá até dificuldade escolher quem foi o melhor em campo. Carbonero fez dois gols e foi decisivo atacando espaço. Bernabei participou dos dois lados do campo o tempo inteiro, roubando bola, acelerando jogadas e aparecendo na área para marcar. Já Alerrandro talvez tenha feito sua melhor atuação desde que chegou, participando diretamente das jogadas ofensivas, segurando os zagueiros e distribuindo assistências.
Os quatro gols do Inter ajudam a explicar exatamente o que esse time quer ser. O primeiro nasce de uma escapada rápida, com Alerrandro participando da jogada e Bernabei acelerando até encontrar Carbonero livre para finalizar. O segundo vem de pressão alta. O Inter sobe a marcação, força o erro do Vasco e mata a jogada rapidamente. O terceiro é praticamente o resumo do modelo de jogo do Pezzolano: roubada de bola, aceleração imediata e troca rápida de passes até Bernabei completar para o gol. O quarto segue exatamente a mesma lógica, com intensidade na pressão e velocidade absurda na transição.
Talvez o principal mérito do treinador esteja justamente nisso: entender o que esse elenco consegue entregar. O Inter claramente rende mais jogando dessa forma. É um time físico, agressivo e muito mais confortável atacando espaços do que tentando construir lentamente.
E existe também uma organização tática interessante nesse modelo. Com a bola, o Inter praticamente monta uma saída com três zagueiros. Bruno Gomes virou uma espécie de defensor híbrido, alternando entre lateral e zagueiro ao lado de Mercado e Juninho. Enquanto isso, Vitinho e Matheus Bahia davam profundidade pelos lados, quase como alas. Na frente, Carbonero e Bernabei atacavam mais por dentro próximos de Alerrandro.
Sem a bola, porém, o desenho mudava completamente. O Inter recompunha com linha de cinco defensores, os pontas fechavam espaços e sobrava praticamente apenas Alerrandro mais avançado esperando uma transição rápida. É um modelo extremamente físico e que exige intensidade o tempo inteiro.
E talvez por isso jogadores como Carbonero e Bernabei estejam crescendo tanto. São atletas que conseguem repetir esforço, acelerar jogo e atacar espaço com frequência. O sistema potencializa exatamente essas características.
Outra questão importante é que o Inter finalmente conseguiu transformar intensidade em eficiência. Em outros jogos até pressionava, até competia, mas faltava transformar isso em gols. Contra o Vasco, tudo encaixou. A pressão funcionou, os contra-ataques funcionaram e o time foi cirúrgico quando teve oportunidades.
Claro que uma atuação não resolve todos os problemas da temporada. Mas ela ajuda a mostrar um caminho. E sinceramente, olhando o elenco do Inter hoje, parece muito mais inteligente apostar nesse modelo intenso e reativo do que insistir numa ideia de protagonismo com posse de bola que claramente não combina com as características do grupo.
Se jogar dessa forma na maior parte do campeonato, o Inter tem tudo para fazer um Brasileirão muito mais tranquilo do que parecia possível alguns meses atrás.