Território MLS
·07 de julho de 2026
Estados Unidos caem para a Bélgica, mas encerram Copa de 2026 com identidade consolidada e um futuro promissor

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Eliminados nas oitavas de final pela Bélgica, os Estados Unidos deixam a Copa do Mundo de 2026 com uma campanha positiva, um projeto consolidado por Mauricio Pochettino e a certeza de que a seleção está cada vez mais próxima de dar o salto definitivo no cenário internacional.
A história dos Estados Unidos nesta Copa começa muito antes da estreia diante do Paraguai.
Após a Copa do Mundo de 2022, Gregg Berhalter deixou o comando da seleção. Pouco tempo depois, em uma decisão bastante questionada, acabou sendo recontratado pela própria federação. O resultado foi uma enorme decepção: eliminação ainda na fase de grupos da Copa América de 2024, disputada em casa.
Foi somente depois desse fracasso que Mauricio Pochettino assumiu o comando.
Os primeiros meses também não renderam grandes resultados. Nations League e Copa Ouro ficaram abaixo das expectativas. Mas existe um detalhe importante: naquele momento, o argentino ainda estava conhecendo o futebol norte-americano.
Pochettino não sabia exatamente quem eram jogadores como Alex Freeman, Matt Freese, Diego Luna ou Sebastian Berhalter. Precisava conhecer um elenco completamente diferente daquele que acompanhou durante toda sua carreira na Europa.
A Copa Ouro serviu justamente para isso.
Foi ali que começou, de fato, o projeto para a Copa do Mundo.
O grande mérito de Mauricio Pochettino talvez tenha acontecido antes mesmo da Copa começar.
Depois da Copa Ouro, os Estados Unidos iniciaram a reta final de preparação com uma sequência de amistosos extremamente inteligente.
Primeiro, enfrentaram seleções de nível semelhante.
Venceram o Paraguai por 2 a 1 e atropelaram o Uruguai por 5 a 1, duas atuações que deram enorme confiança ao grupo e mostraram aquilo que a equipe já era capaz de produzir contra adversários da mesma prateleira técnica.

Sebastian Berhalter comemora durante a preparação da seleção norte-americana. O meio-campista foi um dos protagonistas da vitória por 5 a 1 sobre o Uruguai, resultado que consolidou o crescimento da equipe antes dos testes decisivos rumo à Copa do Mundo.
Foto: Getty Images.
Na sequência, vieram justamente os testes que realmente importavam.
Os Estados Unidos enfrentaram Bélgica e Portugal sabendo que provavelmente perderiam. E perderam: 5 a 2 para os belgas e 2 a 0 para os portugueses.
Mas essas derrotas nunca pareceram preocupar Mauricio Pochettino.
Muito pelo contrário.
Elas serviram como laboratório.
O treinador estudou minuciosamente cada erro, identificou os problemas da equipe diante de seleções de elite e, entre março e junho, corrigiu praticamente todos eles.
Pouco antes da Copa, a evolução já aparecia diante da Alemanha. Apesar da derrota por 2 a 1, os Estados Unidos fizeram uma atuação muito superior ao placar e chegaram ao Mundial muito mais preparados.
Foi, talvez, a seleção que melhor utilizou seus amistosos preparatórios para evoluir pensando exclusivamente na Copa do Mundo.
A estreia contra o Paraguai foi praticamente um cartão de visitas.
Diante da segunda melhor defesa das Eliminatórias Sul-Americanas — seleção que terminou com a mesma pontuação do Brasil — os Estados Unidos atropelaram.
O Paraguai abandonou o estilo extremamente reativo que havia utilizado nas Eliminatórias e tentou jogar de igual para igual. Pagou caro.
Vitória por 4 a 1 e uma atuação dominante do início ao fim.
Na segunda rodada veio um tranquilo 2 a 0 sobre a Austrália, suficiente para garantir classificação e liderança do grupo.
Já classificados, os norte-americanos utilizaram reservas diante da Turquia. Mesmo assim, fizeram frente a uma equipe talentosa, liderada por Arda Güler e Kenan Yıldız, e só perderam por 3 a 2 nos acréscimos.
Na primeira fase do mata-mata, contra a Bósnia, a equipe voltou a mostrar personalidade.
Mesmo atuando boa parte do segundo tempo com um jogador a menos após a expulsão de Folarin Balogun, venceu por 2 a 0 e confirmou a classificação.
As oitavas de final diante da Bélgica representavam, para qualquer análise realista, o limite natural deste projeto.
Ainda assim, a excelente campanha construída até ali fez os Estados Unidos chegarem ao confronto cercados de enorme expectativa.
A eliminação aconteceu.
Mas ela não diminui em absolutamente nada o tamanho da evolução apresentada durante toda a competição.
A Copa de 2026 muda a posição dos Estados Unidos dentro do futebol mundial.
Hoje, a seleção norte-americana já se consolidou entre as principais equipes da chamada terceira prateleira internacional, ao lado de seleções como Paraguai, Turquia, Equador, Senegal, Noruega e outras que se encaixam nesse bolo.
E, mais importante do que isso, parece ser justamente a equipe que mais se aproxima de dar o salto para a segunda prateleira do futebol mundial.
Aquela ocupada hoje por seleções como Bélgica, Croácia e Marrocos.
A distância ainda existe.
Mas nunca foi tão pequena.
O aspecto mais animador desta campanha talvez seja justamente olhar para frente.
Grande parte da espinha dorsal da seleção continuará chegando em excelente momento para a Copa do Mundo de 2030.
Chris Richards chegará aos 30 anos, exatamente no auge físico e técnico para um zagueiro. Tudo indica que será o próximo capitão da seleção norte-americana.
Christian Pulisic terá 31 anos. Talvez já não viva o auge físico, mas deverá atingir o auge técnico da carreira, atuando cada vez mais como criador de jogadas.

Christian Pulisic encerra a Copa do Mundo como uma das referências técnicas e líderes da seleção dos Estados Unidos, deixando a competição com a missão cumprida e os olhos voltados para o ciclo rumo a 2030.
Foto: Getty Images.
Weston McKennie também chegará aos 31 anos vivendo seu melhor momento como meio-campista.
Sergiño Dest terá apenas 29 anos, idade ideal para um ala moderno.
Folarin Balogun chegará aos 29 anos, justamente o auge para um centroavante de suas características.
Malik Tillman terá 28 anos e tende a chegar ainda mais completo como meia de chegada.
O único nome que naturalmente merece maior atenção pensando em reposição é Antonee Robinson. Aos 32 anos em 2030, ainda poderá competir em alto nível, mas provavelmente será a primeira posição em que os Estados Unidos precisarão iniciar uma renovação.
Ou seja, a base construída para 2026 permanecerá praticamente intacta.
Se a espinha dorsal permanece forte, a nova geração promete elevar ainda mais o teto da seleção.
Alex Freeman foi, talvez, a maior revelação norte-americana desta Copa do Mundo.

Alex Freeman foi uma das grandes revelações da campanha norte-americana na Copa do Mundo e encerra o torneio consolidado como um dos pilares da seleção para o ciclo até 2030.
Foto: Getty Images.
Aos 21 anos, assumiu uma função híbrida entre lateral e zagueiro, mostrou enorme personalidade e terminou o torneio como um dos jogadores mais regulares da equipe.
Mais do que isso, já demonstra características de liderança para o próximo ciclo.
Atrás dele, surge uma geração extremamente promissora.
O principal nome é Cavan Sullivan, apontado como o maior talento técnico produzido recentemente pelos Estados Unidos. Diferentemente de Christian Pulisic, formado nas categorias de base da Alemanha, Sullivan está sendo desenvolvido inteiramente dentro do futebol norte-americano, algo extremamente simbólico para o crescimento do país.
Também aparecem nomes como Diego Luna, Jack McGlynn, Quinn Sullivan, Tanner Tessmann, Ricardo Pepi e Julian Hall, todos com potencial para disputar espaço na Copa de 2030.
Outro caso importante é Noahkai Banks. O zagueiro do Augsburg continua sendo prioridade para a federação, que precisa seguir trabalhando para convencê-lo a defender os Estados Unidos.
Além disso, a Copa do Mundo Sub-20, que acontece em março de 2027, deve revelar novos nomes para fortalecer ainda mais essa geração.
O futuro parece extremamente promissor.
Tudo indica que Mauricio Pochettino não seguirá até a Copa do Mundo de 2030. Caso isso se confirme, a escolha do próximo treinador será uma das decisões mais importantes da história recente da seleção norte-americana.

Mauricio Pochettino deve encerrar seu ciclo após a Copa, mas deixa os Estados Unidos com uma identidade clara e um projeto consolidado para 2030.
Foto: Getty Images.
Os Estados Unidos podem, sim, apostar em um treinador norte-americano. Não há problema nisso, desde que a identidade construída por Pochettino seja preservada: uma equipe intensa, agressiva sem a bola, com pressão alta e um modelo de jogo muito bem definido.
Caso a opção seja por um treinador estrangeiro, o ideal é que seja um nome do mesmo nível — ou superior — ao de Mauricio Pochettino. Pep Guardiola, por exemplo, já fez elogios ao projeto do futebol norte-americano e seria um sonho possível financeiramente para a federação. O desafio, porém, seria adaptar sua filosofia, muito baseada no controle da posse de bola, a uma seleção que hoje encontrou sucesso através da intensidade e da pressão sem a bola.
Mais importante do que o nome será manter a continuidade do projeto. O próximo treinador precisará estudar profundamente o que foi construído em 2022 e, principalmente, em 2026, acompanhar a evolução da nova geração e dar sequência a uma identidade que finalmente começou a colocar os Estados Unidos entre as seleções mais competitivas do futebol mundial.
As Copas de 2022 e 2026 precisam ser analisadas juntas.
Em 2022, os Estados Unidos fizeram uma fase de grupos discreta, mas cresceram muito no mata-mata e realizaram uma atuação extremamente competitiva contra a Holanda, jogando melhor do que o resultado final sugeriu.
Em 2026 aconteceu exatamente o contrário.
A fase de grupos foi excelente.
A equipe dominou praticamente todos os adversários, mostrou enorme organização tática e chegou às oitavas de final como uma das grandes sensações do torneio.
Contra uma Bélgica mais experiente, acabou eliminada.
Talvez tenha faltado justamente aquela ousadia da geração de 2022.
Os jogadores amadureceram, tornaram-se mais organizados, mais conscientes taticamente, mas talvez tenham perdido um pouco daquela intensidade quase inconsequente que marcou o ciclo anterior.
Agora, o desafio é justamente unir essas duas versões.
A coragem de 2022 com a maturidade de 2026.
Se isso acontecer, os Estados Unidos deixarão definitivamente de disputar espaço apenas na terceira prateleira do futebol mundial.
Passarão a brigar, de igual para igual, com seleções como Bélgica, Croácia e Marrocos.
E esse parece ser apenas o próximo passo de um projeto que ainda está longe de atingir seu teto.
Imagem de Capa: Reprodução via Getty Images.
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