Papo na Colina
·25 de junho de 2026
“Estou de mãos atadas”, desabafa Pedrinho após decisão judicial na Vasco SAF

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·25 de junho de 2026

O ambiente político do Vasco da Gama sofreu uma nova reviravolta após a decisão da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro afastar o presidente Pedrinho e outros dois conselheiros da gestão da Vasco SAF. Em entrevista ao canal Atenção, Vascaínos!, o ídolo vascaíno tratou de conter os danos sobre a negociação do futebol do clube e garantiu que o empresário Marcos Lamacchia continua firme no processo de aquisição de 90% das ações.
As conversas com o investidor seguem frequentes nas últimas horas e o ex-jogador demonstrou preocupação com as narrativas criadas por opositores:
“Se o investidor não conhecesse exatamente quem eu sou, ele poderia desistir do negócio com todo esse tumulto. Eu já sei todos os caminhos que eles vão seguir para deixar o investidor duvidoso, mas eles estão enganados. Cada vez mais que eles fazem isso, o investidor fica mais à vontade e seguro para fazer negócio com o Vasco. Por enquanto não, pelo menos demonstrou muito mais interesse, ainda mais pelo que estão fazendo comigo.”
Pedrinho detalhou o impacto prático dessa disputa nas contratações e explicou que a liminar jurídica, que colocou a advogada Samantha Mendes Longo como interventora judicial da empresa por 60 dias, tirou seus poderes de assinatura. Essa paralisia burocrática atinge diretamente o planejamento do departamento de futebol do Vasco, que contava com recursos imediatos para a janela de transferências do meio do ano.
O prejuízo desportivo foi o ponto central do desabafo sobre o orçamento travado:
“Se a gente já tivesse acelerado todos os processos, a gente já tinha a possibilidade de ter um aporte no meio do ano até para investimento no futebol, que facilitaria muito. Mas com todos esses problemas causados de forma intencional, além de querer afastar o investidor, é obviamente prejudicar de forma desportiva.”

Pedrinho criticou a política do Vasco da Gama – Foto: Reprodução
Pedrinho revelou uma quebra profunda de confiança com antigos aliados que faziam parte da gestão do Vasco. Ao relatar o avanço das disputas jurídicas da RJ, o presidente admitiu o temor por sua integridade física e pelas consequências financeiras de ter enfrentado grandes grupos, incluindo a antiga controladora 777 Partners.
A pressão psicológica e a perda de direitos na cadeira presidencial foram descritas de forma contundente:
“A gente vai avaliar juridicamente para tomar a decisão que não atrapalhe a instituição. Muitas pessoas desde ontem ficam perguntando sobre nomes. Tenho indícios, algumas exonerações, vocês podem observar. E alguns nomes grandes que não quero dar por medo mesmo, do que pode acontecer comigo. Eu comprei diversas brigas. Com a 777, foi duríssima. Confiei fielmente numa dessas pessoas que se vira contra mim, a RJ é uma questão familiar que é muito dura, recebi ameaça sobre perder patrimônios. Vou ser burro, bandido, mau caráter? Vou botar meus patrimônios para roubar uma merrequinha e perder um patrimônio que vale muito mais? Vocês querem a cadeira? Concluam a venda e eu saio. Pela informação que tenho, perdi qualquer direito de assinatura da SAF. Eles botaram uma mulher lá que me fugiu o nome. Estou de mãos atadas. É muito difícil.”

Felipe Carregal, ex-diretor jurídico do Vasco ao lado de Pedrinho – Foto: Reprodução
Pedrinho apontou a falta de evolução tática no dia a dia como o motivo real da saída do treinador Renato Gaúcho, rebatendo a ideia de que o comandante caiu por conta de suas fortes entrevistas coletivas. Com o mercado inflacionado, o presidente do Vasco estuda um novo perfil viável para a realidade financeira atual do clube.
As razões do desligamento e o cenário econômico do futebol foram detalhados abertamente:
“A demissão foi por uma questão de qualidade no dia a dia sobre alguns aspectos de jogo que entendia que não iríamos progredir. As pessoas perguntam por que esperou tantos dias para mandar o Renato embora. Porque ali eu ainda estava em uma expectativa de retorno diferente. Saíram algumas notícias que ele não acreditava. Se não acreditava era difícil dar continuidade. O Renato é um cara que adorei trabalhar com ele. O que falei para ele é que não prometo coisas que não consigo cumprir. Até porque teria todo o problema do investidor. Não sabia se a gente teria o dinheiro para contratar jogadores de uma prateleira diferente. Ao mesmo tempo faríamos o que fizemos até agora sem investidor: contratações que deram certo, outras que não deram, mas tivemos que nos movimentar no mercado como sempre.”
O ídolo vascaíno se colocou totalmente à disposição para abrir suas movimentações bancárias e enterrar suspeitas levantadas pela oposição.
No fim, Pedrinho deu respaldo ao parceiro Felipe Maestro e expôs a conduta prejudicial de Manuel Capasso, ex-zagueiro argentino que teve passagem conturbada pelos bastidores de São Januário. O defensor foi acusado de sabotar o cotidiano no centro de treinamento e vazar informações para canais do ambiente digital do Vasco.
O racha no vestiário por conta das atitudes do defensor foi exposto na reta final do depoimento:
“Ele poderia ter dado uma resposta diferente, as pessoas entenderiam. Era um jogador que vazava tudo que acontecia no CT. Tudo. Chegou a botar um negócio sujo, no gatorade, para dizer que estava sujo. Que humilhava a instituição. Ganhava 10, perdia 1 e a pergunta era por que fulano não estava jogando. São Januário choveu, e a pergunta era ‘por que ele não está jogando?’. Nós sabíamos que esse atleta tinha essa relação com esse youtuber. Esse atleta estava tendo uma conduta maldosa e destruindo a instituição e seus próprios companheiros. A ponto de ele entrar e os jogadores virarem para outro lado. Mas aquela entrevista entrou por um caminho ruim por conta do momento ruim que ele viveu ali. Mas o Felipe merece muito respeito. É o maior vencedor da história do clube. E não falo porque é o meu amigo, não.”
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