EUA renovam seleção com jovens talentos para Copa de 2030 | OneFootball

EUA renovam seleção com jovens talentos para Copa de 2030 | OneFootball

In partnership with

Yahoo sports
Icon: Território MLS

Território MLS

·09 de setembro de 2026

EUA renovam seleção com jovens talentos para Copa de 2030

Imagem do artigo:EUA renovam seleção com jovens talentos para Copa de 2030

A seleção masculina dos Estados Unidos inicia um novo ciclo com os olhos voltados para 2030. Depois de disputar a Copa do Mundo de 2026 com um elenco relativamente jovem, o técnico Mauricio Pochettino pretende aproveitar as próximas datas Fifa para ampliar as opções na seleção e dar espaço a novos talentos.

A próxima janela internacional terá quatro amistosos, contra Peru, Chile, México e Canadá, entre 21 de setembro e 6 de outubro. A ideia é manter uma base dos jogadores na seleção que participaram do Mundial, mas abrir espaço para atletas que podem ganhar importância nos próximos anos.


Vídeos OneFootball


Mistura entre experiência e juventude

Pochettino não pretende promover uma renovação radical. Para o treinador, jovens jogadores precisam conviver com atletas experientes antes de assumirem responsabilidades maiores na seleção principal.

A estratégia também está relacionada aos Jogos Olímpicos de 2028, que serão disputados nos Estados Unidos. A seleção sub-23 será comandada por Steve Cherundolo, e a comissão técnica americana já trabalha para identificar jogadores que possam chegar à competição com experiência internacional.

Entre os nomes que despertam atenção estão Cavan Sullivan e Neil Pierre, do Philadelphia Union; Adri Mehmeti e Julian Hall, do New York Red Bulls; e Justin Ellis, do Orlando City. Zavier Gozo, formado pelo Real Salt Lake e recentemente transferido para o Crystal Palace, da Inglaterra, também aparece como uma das promessas acompanhadas.

O objetivo, segundo Pochettino, é oferecer na seleção minutos aos jovens sem colocá-los sob uma pressão excessiva. A experiência acumulada agora pode ser importante para formar uma equipe competitiva nos Jogos Olímpicos e, posteriormente, na Copa do Mundo de 2030.

O desafio de proteger os jovens

A ascensão precoce de jogadores pode trazer oportunidades, mas também riscos. Pochettino demonstrou preocupação com a exposição de atletas adolescentes que rapidamente passam a ser tratados como futuras estrelas mundiais.

No futebol atual, uma boa atuação aos 16, 17 ou 18 anos pode gerar enorme repercussão nas redes sociais. Comparações com grandes craques e expectativas desproporcionais podem afetar o desenvolvimento de um jogador que ainda está construindo sua carreira.

Por isso, o treinador defende equilíbrio. A confiança deve ser utilizada dentro de campo, na busca por gols, boas atuações e evolução diária. Fora dele, entretanto, os atletas precisam entender que suas atitudes também são observadas.

Essa avaliação vai muito além dos 90 minutos.

O novo papel do scouting

Essa mudança de perspectiva ajuda a explicar por que o mercado de scouting se tornou tão importante no futebol internacional. O scout moderno não é simplesmente alguém que observa partidas em busca de jogadores habilidosos.

Com bancos de dados, vídeos e ferramentas de análise disponíveis para clubes de praticamente todo o mundo, informações estatísticas passaram a ser facilmente acessíveis. O diferencial está justamente naquilo que os números não conseguem revelar.

Um scout pode investigar o ambiente familiar do atleta, sua formação, comportamento, relacionamento com companheiros, postura diante de treinadores e até aspectos de sua rotina fora do futebol.

Essas informações são obtidas por meio de contatos com familiares, empresários, funcionários de clubes, treinadores e outras fontes próximas aos jogadores. Por isso, profissionais que conhecem profundamente o futebol local possuem uma vantagem importante.

Brasil virou mercado estratégico

O crescimento das transferências internacionais transformou o Brasil em um dos principais mercados para clubes estrangeiros. Equipes europeias passaram a manter scouts no país ou contratar profissionais brasileiros para acompanhar de perto jogadores das categorias de base e do futebol profissional.

O motivo é simples: estar presente na seleção e permitir enxergar situações que dificilmente aparecem em vídeos ou plataformas de dados.

Na base, essa necessidade é ainda maior. Muitos campeonatos e partidas de jovens não possuem transmissão adequada, o que torna a observação presencial uma ferramenta importante para clubes interessados em descobrir talentos antes da concorrência.

O trabalho também exige conhecimento cultural. Entender como funcionam as relações entre jogadores, famílias, empresários e clubes pode ser decisivo na hora de avaliar uma possível contratação.

Informação pode valer milhões

O caso de Gabriel Sara é um exemplo de como o scouting pode gerar retorno esportivo e financeiro. O Norwich contratou o meio-campista do São Paulo em 2022 por aproximadamente 10,5 milhões de euros. Dois anos depois, o jogador foi negociado com o Galatasaray por cerca de 18 milhões de euros.

Clubes como Borussia Dortmund e Shakhtar Donetsk também desenvolveram estratégias para acompanhar o futebol sul-americano. O clube ucraniano, por exemplo, chegou a manter uma equipe de quatro scouts atuando no Brasil.

A tendência mostra que encontrar talentos para seleção deixou de ser apenas uma questão de observar quem joga bem. Hoje, clubes procuram antecipar riscos, entender o ambiente dos atletas e identificar aqueles que possuem condições de evoluir em um cenário de maior pressão.

Um novo ciclo

É nesse contexto que Pochettino pretende construir o futuro da seleçao dos Estados Unidos. A seleção terá de equilibrar jogadores experientes, jovens promessas e atletas que ainda estão tentando conquistar espaço.

Ao mesmo tempo, o trabalho de acompanhamento será cada vez mais amplo. Desempenho esportivo, comportamento, profissionalismo, relação com companheiros e postura pública podem pesar na avaliação de uma convocação.

O futebol americano, portanto, entra em uma fase de planejamento de longo prazo. A Copa de 2026 foi um ponto importante, mas o verdadeiro objetivo é construir uma geração capaz de chegar ainda mais preparada a 2030.

Para isso, talento será apenas uma parte da equação. Identificar, desenvolver e proteger os jovens pode ser tão importante quanto descobrir quem possui potencial para se tornar uma estrela.

Saiba mais sobre o veículo