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·27 de agosto de 2026

Eustáquio: “Joguei em bons clubes, mas nada se compara ao FC Porto”

Imagem do artigo:Eustáquio: “Joguei em bons clubes, mas nada se compara ao FC Porto”

Stephen Eustáquio teve “o prazer de jogar em bons clubes em Portugal, mas nada se compara ao FC Porto”. Terminada uma aventura em que “todos os jogos foram finais”, sempre com “humildade para tentar ajudar a equipa e com a grande responsabilidade de jogar num grande clube”, o médio internacional canadiano leva na memória “o ambiente vivido no Olival, onde todos estão focados em fazer do FC Porto Campeão Nacional”, e o “grande choque” que são as “raras derrotas”: “Acho que nunca tinha passado por uma experiência dessas, em que perder era o fim do mundo”.

“Hoje somos uma equipa muito coesa e dificilmente vão conseguir bater-nos”, garante “um adepto que jogava pelo FC Porto e um sócio que vai acompanhar a equipa” daqui em diante: “Se eles ganham, eu também ganho, tal como todos os adeptos. Em relação aos adeptos, que continuem a apoiar, nós temos gostado muito desta união que tem havido entre equipa e adeptos. Penso que os adeptos se sentem representados pela dinâmica que apresentamos em campo, pelo espírito e esforço que fazemos. Somos sempre a equipa que corre mais, que se entrega mais e que vai atrás do resultado. Quando temos a responsabilidade de tentar ir atrás e ganhar o jogo, seja em que estádio for, vai ser sempre mais fácil para nós. Espero que os adeptos ajudem os jogadores, porque eles realmente merecem”.


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A chegada em tempos de pandemia“Foi um momento difícil para o país, mas de grande felicidade para mim. Quando surgiu a possibilidade de me juntar ao FC Porto, eu não estava infetado com a covid-19. Depois, quando houve a luz verde por parte do presidente, fui fazer um teste, porque na altura ia para a seleção e tinha de o fazer para viajar, e descobri que tinha covid-19. Daí a apresentação ter sido em casa. É uma história que é interessante e que ainda hoje recordo.”

O momento mais marcante da carreira “Foi uma transição muito grande. Tive o prazer de jogar em bons clubes em Portugal, mas nada se compara ao FC Porto. Foi o momento em que pensei que merecia chegar a este patamar, mas ao mesmo tempo que tinha de trabalhar muito porque a exigência era muito maior. Ainda me lembro de todos os jogos e de todas as oportunidades para mim serem como finais. Naquela altura, jogar um, cinco ou dez minutos era um grande prémio e foi com essa humildade que abracei a vinda para o FC Porto, para tentar ajudar a equipa ao máximo e fi-lo com todo o prazer, sabendo a grande responsabilidade que é jogar num grande clube como o FC Porto.”

O espírito portista “Há dois momentos-chave. Quando se entra no Olival e todos estão focados em fazer do FC Porto Campeão Nacional – acho que aí é um grande choque, porque a realidade é que a responsabilidade é muito grande – e também quando o FC Porto perde, o que acontece poucas vezes. O ambiente que se vive no Olival e no Dragão depois disso é um grande banho de realidade. Acho que nunca tinha passado por uma experiência dessas, em que perder era o fim do mundo, e tem de ser assim no FC Porto. Ter passado por isso ao lado de jogadores como o Pepe, o Otávio, o Uribe ou o Marcano, que na altura eram grandes símbolos do balneário, foi uma grande experiência e um momento de muita aprendizagem. Tentei beber ao máximo esse sumo para os restantes quatro anos em que estive aqui. Penso que agora já estou vacinado.”

A responsabilidade de liderar “Foi uma grande responsabilidade. Já tinha passado pela experiência de ser um dos capitães na minha seleção, mas é diferente ser capitão na seleção, porque estamos juntos um par de semanas por ano. Outra coisa é ser capitão de um clube como o FC Porto. A exigência era muito alta. Não sei dizer se estava preparado ou não, mas a verdade é que abracei o desafio com a maior responsabilidade e com toda a força que tinha na altura. Nesse ano vivemos uma das épocas mais difíceis da história do Clube e foi um desafio muito grande. Tive o prazer de integrar o lote de capitães com grandes homens como o Cláudio Ramos, o Iván Marcano e o Diogo Costa. Tentámos fazer o melhor trabalho possível e tentámos ajudar-nos uns aos outros. Olhando para trás penso que fizemos um bom trabalho, porque hoje o FC Porto é Campeão Nacional. Hoje o FC Porto tem um balneário super coeso e unido. Hoje o FC Porto está abraçado aos adeptos e é isso que queremos. Foi um momento muito difícil na altura, mas que fez todo o sentido para chegarmos até onde estamos.”

Um grupo unido “Acho que toda a gente me respeita, especialmente dentro do balneário. Quando há alguma dificuldade ou quando certos jogadores precisam de ajuda, eles sabem que podem vir falar comigo. Isso também me dá uma enorme satisfação. Quando os miúdos entram no balneário, olham para mim e parece que têm sempre um pouco de receio e de respeito, mas mostro-lhes que estão completamente à vontade comigo e com o grupo de capitães. Acho que isso é importante para o grupo ser coeso. Sempre tentei mostrar, com base em ações, que temos de atingir determinados níveis em termos profissionais e também pessoais, enquanto homens. Tentámos sempre demonstrar isso. Sou um dos mais velhos neste momento, tanto em idade como em antiguidade, e é um momento de satisfação. Passámos por muitos momentos difíceis, mas também por muitas vitórias. Acho que hoje somos realmente uma equipa muito coesa e dificilmente vão conseguir bater-nos.”

Da camisola ao papel de adepto “Sou sócio, tal como a minha namorada e a minha filha. Eu já era um adepto que jogava pelo FC Porto, agora serei um sócio que vai acompanhar a equipa, como tantos outros. Acho que vai custar um bocadinho ser dia de jogo e não passar pela concentração e estar com a equipa, de dar o meu feedback ou de ajudar em campo. Sofro mais fora do campo do que lá dentro, mas conseguir partilhar esta paixão com os adeptos vai ser uma experiência boa e nova.”

A conquista mais especial “Houve certos títulos em que participei de forma mais ativa, outros nem tanto, mas o troféu que me enche de orgulho, em termos pessoais, é a Taça da Liga, a única que temos. Antes de a vencermos, dizia-se que não conseguíamos ganhar aquela taça e que um dia essa taça ia acabar e o FC Porto nunca iria conseguir adicioná-la ao palmarés. Quando jogamos essa Final Four, em Leiria, eu consegui marcar nos dois jogos, contra o Académico de Viseu e contra o Sporting. Há uma imagem de quando marco o golo na final em que começo a correr e a dizer “é desta, é desta, é desta”. Confiava mesmo que era daquela vez que íamos ganhar e a verdade é que ganhámos. O facto de ter podido contribuir de uma forma tão ativa para a conquista desse título foi um dos momentos mais especiais.”

O milésimo golo no Dragão “Esse golo foi muito bom. Ainda me lembro que o Zaidu tinha a bola e deu no espaço para o Galeno. No aspeto tático, eles já estavam mais à frente, e eu sabia que o Galeno era um jogador muito vertical e forte no um contra um, por isso se ganhasse a corrida ao Witsel teria a possibilidade de entrar na área com grande vantagem. Ele colocou-me a bola de uma forma perfeita e o meu único pensamento foi chutar com a máxima força possível. Graças a Deus consegui bater o Oblak, um dos melhores guarda-redes do mundo, e fazer o 2-0, que nos ajudou a chegar aos 12 pontos nesse ano. Foi um motivo de grande orgulho conseguir ajudar a equipa a passar a fase de grupos da Champions e marcar o golo 1.000 do Estádio do Dragão, especialmente contra uma equipa tão forte como o Atlético de Madrid.”

A reviravolta na Supertaça de 2024 “Esse jogo foi especial e histórico. É quase inacreditável pensar no que fizemos. Na primeira parte as coisas estavam bastante difíceis e o golo do Galeno acabou por dar um pouco de ânimo. O Sporting era Campeão Nacional e, mesmo com o resultado em 3-1, iria ser muito difícil darmos a volta, mas acreditámos sempre. Só pensava que não tinha nada a perder, queria arriscar e mexer com o jogo. Conseguimos fazer dois golos em dois minutos, consegui ajudar com uma assistência e, desde o momento em que fazemos o 3-2 e vamos atrás do 3-3, não tive dúvidas de que não íamos perder aquele jogo. Assim foi, demos a volta no prolongamento, mas mesmo que fôssemos a penáltis tinha a certeza que iríamos ganhar.”

A morte dos pais “Foram momentos difíceis. Também tive um momento de grande felicidade, que foi o nascimento da minha filha. Quando estamos abraçados a uma missão tão forte como é a de jogar pelo FC Porto e dar alegrias aos adeptos… penso que não tive o tempo de luto que deveria ter tido, mas acho que foi benéfico para mim. Ter de voltar ao Olival para treinar com os meus colegas, porque havia um objetivo maior, que era ganhar, ajudou-me muito a ultrapassar esse momento. A vida é assim, pode ser um sopro, e essas são coisas de que um jogador não está à espera. Passei grande parte dessa época a tratar da minha mãe, juntamente com a minha família, mas sempre fui treinar e jogar com o mesmo espírito, nunca me atrapalhou. Ir sempre atrás da vitória, ajudar os meus amigos e jogar pelo FC Porto ajudou-me a passar por aquele processo. A isso tudo, junta-se também o facto de a equipa estar sempre presente. Se virem as imagens dos funerais dos meus pais, estavam lá jogadores do FC Porto, diretores, a estrutura do Clube e o presidente. Todos acompanharam o processo. Isso mostra a grande união que este Clube tem, não só nos momentos mais fáceis, como também nos mais difíceis.”

Uma palavra para colegas e adeptos “Vou acompanhar como sempre. Se eles ganham, eu também ganho, tal como todos os adeptos. Em relação aos adeptos, peço-lhes que continuem a apoiar. Nós temos gostado muito desta união que tem havido entre equipa e adeptos. Penso que os adeptos se sentem representados pela dinâmica que apresentamos em campo, pelo espírito e pelo esforço que fazemos. Somos sempre a equipa que corre mais, que se entrega mais e que vai atrás do resultado. Quando temos a responsabilidade de tentar ir atrás para ganhar o jogo, seja em que estádio for, vai ser sempre mais fácil para nós. Espero que os adeptos ajudem os jogadores, porque eles merecem.”

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