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·28 de julho de 2026

Ex-auxiliar da base do Corinthians, Nenê aponta André como destaque da geração e analisa jovens do elenco

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  1. Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

Ex-zagueiro do Corinthians e integrante da comissão técnica das categorias de base até o início deste ano, Nenê compartilhou sua visão sobre alguns dos jovens formados no Parque São Jorge que hoje integram o elenco profissional. Em entrevista ao podcast Resenha Alvinegra, o ex-defensor destacou o atacante André como o atleta que, na sua avaliação, melhor aproveitou a oportunidade de subir para o time principal.

Nenê explicou que acompanhou de perto o desenvolvimento de jogadores como Dieguinho, Gui Negão, Bahia e Bidon durante o período em que trabalhou na base alvinegra. “O Dieguinho e o André foram os que mais se destacaram. O André, na minha opinião, foi quem realmente aproveitou a oportunidade e vestiu a camisa do Corinthians. O Dieguinho ainda está buscando esse espaço. O Gui Negão acabou oscilando por causa da lesão, mas, para mim, quem realmente se firmou foi o André.”


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Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

O ex-zagueiro também comentou que o atacante enfrentou dificuldades durante a formação por conta de problemas físicos, mas conseguiu mudar sua trajetória ao chegar ao profissional.

“Ele teve uma lesão no tendão patelar do joelho e demorou para se recuperar. Muita gente chegou a achar que ele não conseguiria evoluir. Mas o profissional é diferente. Ele fez a transição, vestiu a camisa e respondeu dentro de campo. Tem jogador que sobra na base e, quando chega ao profissional, não consegue manter o nível. Com o André aconteceu o contrário.”

Nenê explica situação de Jacaré

Outro atleta citado foi o lateral-direito João Vitor, o Jacaré. Para Nenê, o jovem possui características físicas importantes, mas ainda precisa evoluir tecnicamente para conquistar espaço definitivo no elenco principal.

“É uma pergunta difícil, mas vou responder com sinceridade. O Jacaré passou pelo profissional, voltou para a base e tem enfrentado dificuldades técnicas. É um jogador forte, tem potencial para ser um grande atleta, mas também sofreu com lesões. Na minha visão, ainda falta um pouco de qualidade técnica. Por isso ele encontra dificuldades tanto no Sub-20 quanto para receber oportunidades no profissional.”

Na sequência, Nenê afirmou que o desenvolvimento técnico dos atletas precisa ser mais valorizado durante a formação.

“Às vezes querem acelerar o processo e acabam pulando etapas importantes. No meu tempo existia muito trabalho de fundamento: domínio, cabeceio, cruzamento. Isso precisa continuar existindo. Depois o jogador chega para atuar em uma Neo Química Arena lotada. Se ele não tiver qualidade técnica para suportar esse ambiente, dificilmente vai conseguir jogar.”

Para o ex-defensor, vestir a camisa do Corinthians exige preparação completa.

“Quem joga no Corinthians precisa estar preparado em todos os aspectos. Não basta ser bom jogador. É preciso estar pronto tecnicamente e emocionalmente. Se não estiver, dificilmente consegue se manter.”

Durante a entrevista, Nenê também elogiou o goleiro Kauê, que recentemente renovou contrato com o clube. Embora ressalte que a posição não seja sua especialidade, ele acredita que o jovem tem potencial para ocupar espaço importante no futuro.

“O Kauê nos ajudou muito no Sub-20, principalmente na Copa São Paulo. Demonstrou personalidade, defendeu pênaltis, bate muito bem na bola e tem qualidade técnica. É um excelente goleiro. Não é a minha posição, mas, pelo que acompanhei, vejo o Kauê à frente dos outros goleiros da base.””

Ao analisar o setor defensivo do Corinthians, Nenê destacou as características de Gustavo Henrique e explicou por que considera o zagueiro um jogador eficiente.

“O Gustavo Henrique é muito inteligente. Ele se posiciona muito bem e praticamente não precisa correr atrás dos atacantes. Essa é uma das principais qualidades de um zagueiro: saber antecipar as jogadas, ocupar bem os espaços e prever onde a bola vai chegar. Como ele é alto, precisa estar sempre bem colocado. Se sair correndo atrás do atacante, vai encontrar dificuldades.”

Já sobre André Ramalho, Nenê acredita que a queda de rendimento pode estar relacionada à concorrência pela posição e ao aspecto psicológico.

“Não sei exatamente o que aconteceu, mas a chegada de outro zagueiro pode mexer com o lado psicológico. Até então ele era absoluto. Quando aparece alguém disputando a posição, alguns jogadores sentem mais essa pressão. Se você não estiver preparado mentalmente, qualquer erro aumenta a cobrança. É preciso ter personalidade para superar esse momento.”

Apesar disso, o ex-zagueiro ressaltou que disputar posição faz parte da carreira de qualquer atleta.

“Concorrência sempre vai existir no futebol. Alguns jogadores lidam melhor com isso, outros acabam sentindo mais. Tudo depende da personalidade de cada um.”

Por fim, Nenê comentou a situação do zagueiro João Pedro Tchoca e afirmou que atletas formados no clube costumam enfrentar uma cobrança ainda maior quando chegam ao elenco principal.

“Eu gosto do Tchoca. O problema é que o jogador vindo da base precisa mostrar resultado muito rápido. Se demora para se firmar ou comete um erro, a cobrança aumenta muito. Ele foi emprestado, voltou e qualquer falha acaba ganhando uma repercussão enorme. Jogador jovem precisa manter um nível muito alto o tempo todo, porque um erro pode marcar sua trajetória. A pressão é grande. Até grandes zagueiros da história falharam.”

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