Esporte News Mundo
·09 de julho de 2026
Ex-presidente de gigante da Série A entra na mira após novos depoimentos

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O ex-presidente do São Paulo, Julio Casares, voltou ao centro de uma investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. Segundo reportagem publicada pelo ge, duas testemunhas ouvidas pelas autoridades afirmaram que o dirigente retirava aproximadamente R$ 100 mil em dinheiro vivo das contas do clube, em uma rotina que teria ocorrido pelo menos uma vez por mês durante sua gestão, entre janeiro de 2021 e janeiro de 2026.
De acordo com os depoimentos, os valores eram entregues em envelopes lacrados, acondicionados em pastas e, posteriormente, colocados em sacolas antes de serem levados pelo então presidente. As testemunhas, que trabalhavam diretamente com Casares e prestaram depoimento sob compromisso de dizer a verdade, relataram que os montantes variavam entre R$ 100 mil e R$ 120 mil, conforme o período.
Ainda segundo as declarações obtidas pelo ge, a justificativa apresentada nos documentos internos era de que o dinheiro seria destinado a “ações promocionais”. Posteriormente, a prestação de contas indicava que os recursos teriam sido utilizados para aquisição de ingressos relacionados aos jogos do São Paulo. No entanto, conforme a investigação, não haveria registros detalhados que comprovassem essas ações promocionais ou identificassem a destinação dos ingressos.
Um dos inquéritos em andamento apura um possível desvio de recursos do clube. Conforme a investigação, foram identificados 35 saques realizados entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, que somam aproximadamente R$ 11 milhões. Além disso, depósitos em dinheiro no valor de R$ 1,5 milhão em contas ligadas a Julio Casares também são alvo de apuração pelas autoridades.
As testemunhas afirmaram ainda que a prática passou a ocorrer somente durante a gestão de Casares. Uma delas declarou que nunca havia participado de entregas semelhantes para presidentes anteriores do São Paulo. Os pedidos eram feitos ao departamento financeiro, que solicitava os valores aos bancos por meio de transporte de carro-forte. O dinheiro era armazenado em um cofre no Morumbis antes de ser encaminhado à presidência.
Outro ponto destacado nos depoimentos é que os funcionários responsáveis pelo procedimento não tinham conhecimento sobre a destinação final dos recursos. Segundo uma das testemunhas, a documentação existente apenas registrava que os valores seriam destinados a ações promocionais, sem apresentar detalhes sobre sua utilização.
A investigação também levou em consideração um relatório aprovado pelo Conselho Deliberativo do clube, que reprovou as contas referentes a 2025. O documento aponta que quase R$ 7 milhões sacados das contas do São Paulo não possuem justificativa considerada suficiente nem comprovação detalhada de gastos.
Além da apuração sobre os saques em espécie, a força-tarefa formada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público conduz outros inquéritos envolvendo a antiga gestão são-paulina. Entre eles estão investigações sobre uma suposta exploração irregular de um camarote no Morumbis e possíveis casos de corrupção ligados ao clube social.
Por meio de nota enviada à reportagem do ge, a defesa de Julio Casares negou qualquer irregularidade. Os advogados afirmaram que todas as movimentações financeiras possuem origem lícita e que os recursos estavam devidamente registrados na contabilidade do clube, sendo destinados a despesas relacionadas aos jogos do São Paulo. A defesa também criticou o vazamento de informações de um processo que tramita sob sigilo judicial e declarou confiar na apuração conduzida pelas autoridades.
As investigações seguem em andamento, e até o momento não há decisão judicial que conclua pela responsabilidade criminal de Julio Casares. Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, os depoimentos servirão de base para o avanço das apurações sobre a gestão do ex-presidente.







































