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·04 de outubro de 2026

Ex-São Paulo mira Seleção: “Chegar talvez seja mais fácil do que se manter”

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Zagueiro formado pelo São Paulo, atualmente no West Ham, Morato relembrou os anos de base no Tricolor, a conquista da Copinha de 2019 e a homenagem que marcou sua trajetória; defensor também revelou o sonho de defender a Seleção Brasileira

A trajetória de Morato, atualmente no West Ham, começou muito antes de o zagueiro vestir a camisa de um dos grandes clubes da Europa. Nascido e criado em Francisco Morato, na Grande São Paulo, o defensor deu os primeiros passos no futebol em projetos esportivos locais, passou pela Portuguesa e encontrou no São Paulo uma das etapas mais importantes de sua formação.

No Tricolor, entre 2015 e 2019, Morato viveu anos que ficaram marcados não apenas pelo desenvolvimento como jogador, mas também pelas amizades construídas no ambiente da base e por uma conquista que guarda até hoje com carinho: a Copinha de 2019.

Em entrevista à ESPN, o zagueiro recordou o período no clube e destacou como a convivência diária com outros jovens jogadores acabou criando uma relação que ultrapassava os limites do futebol.

“Os moleques viraram literalmente a minha família, porque a gente ficava junto a semana toda.”

Segundo Morato, a rotina compartilhada fazia com que os atletas passassem praticamente todo o tempo juntos.

“ A gente viajava junto, fazia tudo junto. Almoçava, treinava, ia pra escola. Então acaba virando uma família. Depois a minha saída foi muito rápida. É claro que isso deixa sempre muitas saudades”, contou.

Morato guarda amizades do São Paulo até hoje

Entre os jogadores que fizeram parte daquela geração, Morato mantém contato e amizade com nomes que seguiram caminhos diferentes no futebol profissional.

O zagueiro citou Rodrigo Nestor, atualmente no Bahia, e Welington, que atua no Southampton, como alguns dos amigos que permaneceram próximos mesmo depois da saída do São Paulo.

“Nestor é muito meu amigo. O Welington, tem muitos. O futebol é muito louco. Porque a gente estava todo mundo ali e não são todos que viram profissionais. É a realidade, é muito difícil”, afirmou.

A lembrança revela um dos aspectos mais duros do futebol de base: embora muitos jogadores compartilhem diariamente o mesmo sonho, apenas uma parcela consegue chegar ao nível profissional e construir uma carreira duradoura.

Morato foi um deles.

Depois de deixar o São Paulo, o defensor seguiu para Portugal e iniciou uma trajetória que o levou ao Benfica e, posteriormente, ao futebol inglês.

Copinha de 2019 teve homenagem que Morato nunca esqueceu

Entre tantas lembranças da passagem pelo São Paulo, uma ocupa espaço especial na memória do zagueiro.

Em 2019, antes da final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o elenco tricolor decidiu prestar uma homenagem à torcedora Larissa, que tinha apenas seis anos e enfrentava um câncer no cérebro.

Os jogadores rasparam a cabeça em solidariedade à menina. Morato esteve entre eles.

“ A gente se reuniu ali e decidimos fazer aquela homenagem pra Lari. Acho que foi um momento que… Com o título também, deu uma enaltecida, mas acho que esse momento vou levar pra sempre”, contou.

O episódio ganhou ainda mais significado para o defensor porque foi a própria Larissa quem cortou seu cabelo naquele dia.

A conquista da Copinha tornou aquela geração ainda mais especial, mas Morato considera que a homenagem ultrapassou o resultado esportivo.

Foi um daqueles momentos que permaneceram na memória mesmo depois que os jogadores deixaram a categoria de base e seguiram caminhos diferentes.

Da base do São Paulo ao futebol europeu

A passagem de Morato pelo São Paulo terminou em 2019. O zagueiro chegou a permanecer por aproximadamente três meses no profissional antes de ser transferido para o Benfica.

Foi em Portugal que começou uma nova etapa da carreira.

No clube português, Morato precisou enfrentar um desafio comum a jogadores brasileiros que chegam ao futebol europeu: a adaptação cultural e, até mesmo, à maneira de falar dos companheiros.

“Até porque quando eu cheguei em Portugal, eu não entendia nada do que eles falavam. Foi com o tempo ali que eu comecei a entender. Ficava naquela, tipo: ‘o quê?’, ‘hã?’”, relembrou.

A adaptação aconteceu gradualmente, assim como a conquista de espaço no elenco profissional.

Jorge Jesus foi importante no início da carreira profissional

No Benfica, Morato teve a oportunidade de trabalhar com Jorge Jesus, treinador que considera fundamental para sua evolução e para a abertura das primeiras portas no futebol profissional.

O início, entretanto, exigiu paciência.

“ Tive que esperar muito o meu momento e estar preparado”, explicou.

As primeiras oportunidades apareceram em circunstâncias inesperadas, com lesões ou suspensões de outros jogadores.

“Os primeiros jogos que eu faço com o Jorge Jesus são assim: alguém machuca, alguém é expulso… Acho que é acreditar.”

Morato guarda carinho especial pelo treinador português e faz questão de separar a personalidade intensa de Jorge Jesus à beira do campo da maneira como ele se comporta fora dele.

“Ele é bastante intenso dentro do campo. Fora do campo, já não. Já conversa, já dá risada. É aquele vôzão. Foi um cara que eu evoluí bastante, um cara que me abriu as portas profissionalmente, que acreditou em mim. Tenho um carinho enorme por ele”, afirmou.

Morato mira a Seleção Brasileira

Depois de passar pelo futebol português e se destacar também no Nottingham Forest, ao lado de brasileiros como Murillo e Igor Jesus, Morato vive atualmente mais uma etapa de crescimento no futebol inglês.

No West Ham, o zagueiro busca consolidar seu espaço e, ao mesmo tempo, mantém um objetivo que representa o topo da carreira para qualquer jogador brasileiro: vestir a camisa da Seleção Brasileira.

Para Morato, o novo ciclo da equipe nacional pode abrir espaço para novos nomes.

“Acho que a Seleção é o topo para todos nós. Ainda mais com esse novo ciclo, acho que muitos jogadores vão ter oportunidade. Representar o seu país é o orgulho de todo jogador”, declarou.

Mas o defensor fez uma observação que resume a dificuldade de chegar ao mais alto nível:

“Chegar lá talvez seja mais fácil do que se manter.”

A frase mostra que Morato não pensa apenas na convocação. O objetivo é construir uma carreira suficientemente consistente para permanecer entre os escolhidos da Seleção.

“Eu espero que quando eu for, eu use essa frase e consiga me manter lá”, completou.

Recado para Ancelotti: “Estarei sempre de portas abertas”

Morato também deixou claro que está à disposição do técnico Carlo Ancelotti caso receba uma oportunidade na Seleção.

Sem transformar a declaração em uma cobrança por convocação, o zagueiro entende que seu papel é continuar trabalhando e esperar o momento.

“Para mim, cabe fazer o meu trabalho igual eu venho fazendo todos os anos. E quando a Seleção quiser, eu estarei sempre de portas abertas”, afirmou.

Para os compromissos da Data Fifa citados na entrevista, contra Austrália e Índia, Ancelotti convocou defensores experientes como Marquinhos e Gabriel Magalhães, além de jovens como Vitor Reis, Jair Cunha e Artur Dias.

Morato, portanto, ainda observa de fora a disputa por espaço na zaga brasileira, mas vê o novo ciclo como uma oportunidade para jogadores que vêm se destacando no futebol europeu.

Mesmo longe dos jogos, Morato não consegue ficar longe do futebol

A paixão pelo esporte também aparece fora dos treinamentos.

Durante a Data Fifa, mesmo sem compromissos pelo West Ham, Morato contou que continuou acompanhando partidas internacionais.

“Para mim é impossível. Eu estava nessa semana assistindo Inglaterra e Espanha. Depois assisti o Brasil também. Claro que a gente acompanha”, revelou.

O zagueiro também lembrou a frustração vivida no último ciclo da Seleção, mas entende que o momento agora é de olhar para frente.

“Ficou o sentimento de frustração, mas isso já passou. Agora é um novo ciclo e todos nós brasileiros que queremos ajudar temos que pensar nisso agora.”

De Francisco Morato ao sonho da Seleção

A história de Morato carrega uma trajetória que começou nas ruas de Francisco Morato, passou por projetos municipais, futsal da Portuguesa e futebol de campo, chegou à base do São Paulo e posteriormente ganhou dimensão internacional.

No Tricolor, viveu a rotina de formação, criou amizades que mantém até hoje e conquistou a Copinha de 2019. Em Portugal, encontrou espaço no Benfica e teve Jorge Jesus como um dos treinadores importantes de seu início profissional.

Agora, no futebol inglês, o objetivo é dar mais um passo.

O garoto que começou jogando bola nas ruas de Francisco Morato chegou ao West Ham e passou a mirar aquilo que considera o topo da carreira: a Seleção Brasileira.

E, para Morato, o desafio não será apenas chegar.

Será provar que pode permanecer.

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