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·22 de setembro de 2026

Ex São Paulo quebra o silêncio e abre o coração após problemas e recomeço

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Walce da Silva Costa Filho viveu uma das histórias mais difíceis entre as promessas formadas pelo São Paulo nos últimos anos. Revelado em Cotia, o zagueiro chegou ao time profissional, foi convocado para a Seleção Brasileira e entrou no radar de clubes importantes da Europa.

Uma grave lesão no joelho, porém, interrompeu a trajetória no momento em que sua carreira começava a decolar.

Aos 27 anos, Walce atua pelo Ypiranga e tenta reconstruir a carreira. Em entrevista à ESPN, o ex-jogador do São Paulo abriu o coração sobre os problemas físicos, o apoio recebido e o sonho de voltar a vestir a camisa tricolor. 1015

“Meu maior objetivo é poder voltar a vestir a camisa de São Paulo”, afirmou.

A ligação que mudou a vida

A história de Walce com o São Paulo começou em outubro de 2012.

Na época, sua mãe, Izaura Rizo, recebeu uma ligação em Cuiabá informando que o filho havia sido aprovado em um teste para jogar na base do clube.

Walce ainda era adolescente e vivia com a mãe e os irmãos. A chegada a Cotia representou uma oportunidade esportiva, mas também uma mudança importante para a família.

“Conversaram com a minha mãe para que ela entendesse que seria uma mudança segura, para melhor. Para ela também foi uma forma de ajuda, porque era um a menos para se preocupar, no bom sentido”, contou.

O zagueiro permaneceu quase dez anos no São Paulo até chegar ao elenco profissional.

Estreia em três posições

Walce foi promovido ao time principal por Cuca, em maio de 2019. A estreia aconteceu contra o Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro.

O jogador começou como lateral-direito, substituindo Igor Vinícius, que estava suspenso. Durante a partida, também atuou como volante e terminou o jogo na zaga.

“Eu fiz como lateral, depois ainda joguei 15 minutos de volante e terminei como zagueiro”, lembrou.

O São Paulo empatou por 1 a 1, e Walce chamou atenção pela versatilidade.

Cuca havia acompanhado o desenvolvimento do atleta nas categorias de base e confiava na capacidade do jovem de desempenhar mais de uma função.

A carreira começava a decolar

Ainda em 2019, Walce foi chamado por Tite para participar de treinamentos com a Seleção Brasileira principal.

O zagueiro também integrou o grupo que disputava uma vaga nas Olimpíadas de Tóquio. Ao mesmo tempo, passou a despertar interesse de outros clubes.

O Red Bull Bragantino apresentou uma proposta, enquanto o Arsenal também teria demonstrado interesse.

A ideia era esperar a participação de Walce na Seleção Sub-23 antes de avançar nas negociações. Porém, justamente naquela semana, o defensor sofreu a grave lesão que mudou sua carreira.

“A minha lesão acabou acontecendo, tudo se esfriou, foi por água abaixo. Veio a pandemia logo em seguida, e as coisas foram se afastando”, relatou.

Lesão interrompeu sonho olímpico

Walce rompeu o ligamento do joelho esquerdo durante a concentração da Seleção Brasileira.

O defensor precisou deixar o local em uma cadeira de rodas e passou por cirurgia. Enquanto se recuperava, acompanhou pela televisão a homenagem feita por Matheus Cunha e Bruno Guimarães após a classificação do Brasil para os Jogos Olímpicos.

Os jogadores levaram uma camisa da Seleção com o nome de Walce.

O gesto marcou o atleta, mas não diminuiu a dificuldade do período que viria pela frente.

Três cirurgias e dois anos e sete meses

A recuperação, inicialmente estimada em até um ano, sofreu complicações.

Oito meses depois da primeira cirurgia, exames apontaram instabilidade na articulação. Walce precisou passar por um segundo procedimento.

Em junho do ano seguinte, outro exame identificou insuficiência do enxerto. Uma terceira cirurgia foi necessária, adiando novamente o retorno aos gramados.

O período total de afastamento chegou a dois anos e sete meses.

“Tive muito mais oportunidades de parar de jogar, de desistir, de abandonar o futebol e começar uma nova trajetória do que realmente continuar”, admitiu.

Para Walce, a recuperação deixou de ser apenas um processo médico e se transformou em um testemunho de vida.

“Sou um cara que sobreviveu a algo que era inimaginável ter tido vitória”, afirmou.

Família foi fundamental

Durante a pandemia, Walce voltou a morar no interior com a mãe e o irmão.

O irmão estava se formando em fisioterapia e passou a ajudá-lo diariamente no tratamento.

Como a família não tinha a mesma estrutura disponível no São Paulo, os profissionais do clube ligavam todas as manhãs para orientar o trabalho de recuperação.

“Todos os dias os fisioterapeutas do São Paulo ligavam às 9h para ele e a gente iniciava o tratamento”, contou.

A rotina exigia disciplina, paciência e acompanhamento constante.

Walce reconhece que a participação da família foi decisiva para que não abandonasse o futebol.

Apoio de Luciano e Calleri

O zagueiro também citou o apoio recebido de antigos companheiros do São Paulo.

Luciano, que também enfrentou problemas físicos ao longo da carreira, era uma das pessoas que mais incentivavam Walce.

“O Luciano sempre me deu força. Dizia que o tempo seria meu melhor amigo e que eu não deveria me desesperar”, contou.

Calleri também acompanhou a recuperação do defensor e o incentivou a continuar.

Segundo Walce, o atacante chegou a dizer que o zagueiro era uma referência de motivação.

“O Calleri falou para mim que eu sou a referência dele nesse quesito, porque me via e parecia que eu nunca havia passado por uma lesão”, revelou.

Recomeço no futebol

Depois de deixar o São Paulo, Walce passou por Santo André e Retrô.

Em 2026, chegou ao Ypiranga, onde disputou a Série C do Campeonato Brasileiro. A retomada representou uma conquista pessoal depois de anos marcados por cirurgias e incertezas.

O zagueiro agora tenta recuperar a sequência e voltar a ser reconhecido pelo desempenho em campo, não apenas pela história de lesões.

Ele evita tratar o período como o fim de sua trajetória.

“Não vou colocar como um fim, porque realmente creio que os sonhos foram feitos para ser realizados, independentemente do tempo”, afirmou.

Sonho de voltar ao São Paulo

Walce continua sonhando com um retorno ao clube que o formou.

O defensor sabe que precisa construir esse caminho passo a passo, sem ignorar a realidade atual.

“Estou muito mais experiente do que estava com 20 anos, quando subi. Hoje, estou vivendo um passo de cada vez, trabalhando e me preparando”, declarou.

O objetivo é voltar ao MorumBIS com a camisa do São Paulo, diante da torcida, e transformar a longa recuperação em uma história completa de superação.

“Tenho certeza de que, quando tiver essa oportunidade, vou realizar meus maiores sonhos dentro do futebol: entrar no MorumBIS lotado, com a torcida, e sair com a vitória”, concluiu.

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