Central do Timão
·05 de maio de 2026
Ex-técnico e ex-zagueiro relembram eliminação do Corinthians para equipe argentina na Libertadores de 2006

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No dia 4 de maio de 2006, o Corinthians viveu um dos episódios mais marcantes, e negativos, de sua trajetória na Libertadores. Há exatas duas décadas, o time recebeu o River Plate, da Argentina, no Pacaembu, pelo confronto de volta das oitavas de final, e acabou derrotado por 3 a 1, dando adeus à competição diante de um estádio completamente lotado.
A eliminação ficou ainda mais emblemática por conta do desfecho da partida, que não chegou ao fim regulamentar. Aos 37 minutos do segundo tempo, logo após o terceiro gol dos argentinos, torcedores invadiram o gramado, gerando uma paralisação. Com o aumento da confusão, o árbitro Carlos Luis Chandía Alarcón optou por encerrar o duelo antes dos 45 minutos.

Betão foi um dos jogadores presentes na eliminação para o River Plate. Foto: Divulgação/Corinthians
Na época treinador da equipe, Ademar Braga relembrou o episódio e destacou o sentimento de frustração. Segundo ele, o time havia começado bem, abrindo o placar com Nilmar, o que aumentou a confiança para a etapa final.
“Fizemos 1 a 0 com o Nilmar, aí fomos para o segundo tempo confiantes. Era 1 a 0 no placar, no Pacaembu lotado e só com corinthiano. Pensávamos que faríamos até mais de três gols. Aí aconteceu o que aconteceu. Foi uma catástrofe. Eu tive duas grandes derrotas na minha vida, a primeira tinha sido pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1990”, expôs ao ge.globo.
O ex-comandante também afirmou que, até hoje, não encontra explicações para o resultado, mesmo considerando a qualidade do elenco à disposição naquele período, que contava com nomes como Carlos Tévez, Ricardinho e Nilmar. “Eu não encontro explicação para essa derrota. Não tenho trauma, quem vive até 81 anos não tem trauma, se tivesse, já tinha morrido antes. Mas é inexplicável. Se não foi o melhor time que trabalhei, está entre os três melhores. Esse (time) de 2005 era mais time do que o que ganhou a Libertadores de 2012. Era um time completo. Tenho certeza que esse jogo influenciou meu futuro no clube. Se eu ganhasse, teria ido para a Seleção (Brasileira), como o outro foi. O que ganhou foi para a Seleção depois”, pontuou.
Quem também relembrou os momentos de tensão foi o zagueiro Betão, que esteve em campo naquela noite. Ele descreveu o clima de apreensão vivido ainda no gramado e, posteriormente, no vestiário, com relatos de explosões e tumultos vindos das arquibancadas.
“Dentro do gramado, nos juntamos perto do gol para não descer para o vestiário. Ficamos ali unidos na porta do túnel. A tensão só ia aumentando. Depois, veio toda a apreensão no vestiário. Escutávamos muitos barulhos do lado de fora, bombas e gritaria. Nisso, o policiamento começou a entrar no vestiário para ver se poderíamos sair do estádio. E chegou um momento que começaram a chamar alguns jogadores, que foram de camburão. Entraram no carro da polícia e conseguiram sair. Lembro que o ônibus com os jogadores que ficaram foi sair só depois das 3h/4h da manhã”, disse.
O defensor ainda comentou sobre o receio dos atletas após deixarem o estádio, principalmente em relação ao local de hospedagem da equipe. Com medo de possíveis represálias, o grupo optou por permanecer em alerta durante a madrugada antes de deixar o hotel.
“Os torcedores sabiam onde concentrávamos. Nossos carros estavam lá e iríamos para nossas casas. Ficamos com medo de emboscada. Ficamos acordados, ainda estava escuro. Ficamos pensando no que fazer. Iríamos embora logo que chegamos, umas 4h/4h30, ou esperávamos clarear? A maioria ficou acordada esperando clarear para poder ter uma visão do ambiente. Começamos a sair do hotel quando clareou. Aí, os companheiros iam avisando o outro, dizendo que já estava tranquilo”, finalizou.
Agora, o Corinthians volta suas atenções novamente para a Libertadores. Nesta quarta-feira, a equipe enfrenta o Santa Fe, na Colômbia, pela quarta rodada da fase de grupos. O confronto está marcado para as 21h30, no Estádio El Campín.
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