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·30 de agosto de 2026

Ex-zagueiro do Corinthians relembra passagem pelo clube, problemas fora de campo e briga com Tévez

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  1. Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão

A trajetória de Marquinhos Silva no Corinthians começou ainda na infância e se estendeu por quase duas décadas. Revelado pelo clube, o ex-zagueiro chegou ao Parque São Jorge aos sete anos e percorreu as categorias de base até alcançar o elenco profissional. Apesar do início promissor, ele admite que teve dificuldades para lidar com a realidade do futebol profissional e que escolhas feitas fora de campo acabaram interferindo em sua carreira.

Marquinhos iniciou sua formação no futsal e, naquele momento, ainda não enxergava o futebol como uma profissão. Com o passar dos anos, entretanto, passou a compreender a dimensão da carreira que poderia construir e aumentou a dedicação aos treinamentos.


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Frederico Tadeu/Avaí F.C.

“O início de tudo foi no Corinthians, fiquei 17 anos dentro do clube. Entrei criança, com sete anos, mas não com a visão de ser um atleta. Comecei no futsal e, conforme fui ficando mais velho, entendi o que era ser um atleta profissional e comecei a focar mais”, disse Marquinhos em entrevista para a ND Mais.

A disputa por espaço nas categorias inferiores era intensa, segundo o ex-jogador. Ele recorda que centenas de jovens chegavam ao clube todos os anos com o mesmo objetivo: conquistar uma oportunidade e avançar de categoria.

“Eram 500 garotos todo ano batendo na porta, querendo tomar o seu lugar e sempre tendo de provar. Subir de categoria, do infantil para o juvenil, era um processo difícil”, contou o ex-jogador ao relembrar sua época nas categorias de base do Corinthians.

A evolução física também acabou determinando a posição em que Marquinhos atuaria. O crescimento acelerado durante a adolescência fez com que a carreira como zagueiro se tornasse praticamente natural: “Eu bati 1,92 metro com 17 anos e não tinha como não ser zagueiro”, disse.

A estreia entre os profissionais aconteceu em fevereiro de 2000, quando Marquinhos tinha apenas 17 anos. No período em que integrou o elenco principal, participou de 70 partidas e fez parte de um time que conquistou títulos importantes, como o Torneio Rio-São Paulo, as edições do Campeonato Paulista de 2001 e 2003 e a Copa do Brasil de 2002.

Um dos primeiros grandes desafios veio justamente contra um dos nomes mais conhecidos do futebol brasileiro. Em sua estreia, Marquinhos teve a missão de marcar Romário, que posteriormente elogiou o jovem defensor.

“Com 17 anos, já era campeão do mundo sub-17, mas a primeira partida no profissional foi o jogo contra o Vasco. Marquei o Romário, saiu em tudo quanto é lugar. O Romário me elogiou após o jogo, falou que era um zagueiro de muito futuro”, contou o ex-jogador.

Apesar do bom começo, a adaptação ao futebol profissional não ocorreu da maneira que o jogador imaginava. Acostumado a ter destaque nas categorias de base, ele esperava conquistar rapidamente uma vaga entre os titulares, mas encontrou dificuldades para lidar com reservas e períodos fora das convocações.

“Achei que teria a mesma moral das categorias de base e teria um lugar lá cativo no profissional, que eu tinha que ser titular. Foi onde me perdi. Eu não consegui lidar com as frustrações de não ser relacionado ou ficar na reserva. Colocava a culpa no clube, na comissão técnica. Subi depois do título do Mundial de Clubes, só feras, e eu queria um lugar cativo, e isso acabou me atrapalhando. Em sete anos no profissional do Corinthians, fiz 70 jogos”, compartilhou Marquinhos.

O próprio Marquinhos também aponta outro fator que teve impacto negativo em sua passagem pelo Corinthians: a rotina fora dos gramados. Segundo ele, a frequência em festas e baladas prejudicou sua preparação, seu descanso e, consequentemente, seu desempenho nos treinamentos.

“Eu me perdi. Era noite, mulherada, balada. Coisa que a gente cansa de ver por aí e aconteceu comigo porque eu não sabia lidar. Eu não jogava no time, mas era chamado para a Seleção. A Seleção virou meu clube. No Corinthians, eu quebrava na noite, não treinava bem, não descansava, não era atleta e não conseguia performar. Nessa hora, com algum dinheiro, com as portas que se abriram, era muito difícil resistir e dizer não”, lamentou.

Aos 18 anos, o jogador passou a conviver com uma realidade que, segundo ele, dificultava ainda mais a escolha entre a vida social e as exigências da profissão. Mesmo nos períodos em que não estava com a Seleção, Marquinhos recebia convites para sair e admite que nem sempre conseguiu estabelecer os limites necessários.

“Por exemplo, quando eu não era convocado, tinha sábado à tarde e o domingo livre, e o telefone não parava de tocar. Com 18 anos, ia falar não? Eu ia viver a vida de um garoto normal, mas não de atleta”, revelou Marquinhos.

Em 2005, outro episódio ganhou destaque na trajetória do defensor. Durante um treinamento do Corinthians, Marquinhos se envolveu em uma discussão física com o argentino Carlos Tévez. O zagueiro explicou que atravessava um momento complicado no clube e que havia passado recentemente por uma cirurgia no nariz. Durante a atividade, um contato com o atacante acabou desencadeando a confusão.

“Meu momento era conturbado, não jogava e o treino era muito pegado. Eu tinha feito a cirurgia no nariz e ele estava chegando firme, mas sem maldade. Quando vou receber a bola, ele deixou o cotovelo alto, aí bateu no meu nariz. Aí eu já estava perturbado, né? Quando botei a mão, estava o melado de sangue. Aí fui para cima dele e nem esperava também, já cheguei, dei soco e o Gustavo Nery veio separar”, citou o ex-jogador.

Apesar da repercussão do episódio, Marquinhos afirma que não havia um problema pessoal entre os dois jogadores. No dia seguinte, ambos chegaram a conceder entrevista juntos, enquanto o então técnico Daniel Passarella tomou uma decisão disciplinar.

“No outro dia, a gente teve de dar entrevista junto, foi coisa de treino e não tinha nada contra ele. Depois, o Daniel Passarella, que era o técnico, disse que quem começou a briga fui eu e fui multado, e o Tévez não”, recordou o defensor.

Pouco depois, a passagem pelo Corinthians chegou ao fim. Sem conseguir conquistar espaço de forma consistente e convivendo com uma imagem negativa fora dos campos, o zagueiro foi emprestado ao Atlético-MG. O clube mineiro era comandado por Tite, treinador que já havia trabalhado no Corinthians e conhecia Marquinhos.

Mesmo ainda tendo contrato com o Timão após o período de empréstimo, o jogador não retornou ao Parque São Jorge. O clube optou por negociá-lo, e Marquinhos seguiu para o futebol turco. O defensor continuou a carreira no exterior e posteriormente retornou ao futebol brasileiro, já no início da década de 2010. Sua trajetória como jogador profissional terminou em 2020.

A relação de Marquinhos com a Seleção Brasileira começou antes mesmo de sua estreia pelo time principal do Corinthians. Aos 16 anos, ele recebeu as primeiras convocações para as categorias de base e passou quatro temporadas defendendo o Brasil.

“Com 16 anos, passei a ser convocado para a Seleção Brasileira e subi de nível. Dos 16 aos 19 defendi a Seleção, foram quatro anos”, comentou Marquinhos.

O contato com a estrutura da Seleção e com alguns dos maiores nomes do futebol brasileiro da época ficou marcado na memória do ex-jogador. A Granja Comary, em Teresópolis, era um dos símbolos desse período e proporcionava aos jovens atletas a oportunidade de estar próximos de ídolos que já haviam construído suas histórias no futebol.

“A primeira convocação não caía a ficha, aí você vai e, quando volta, traz a camisa, fala das vivências e de conhecer a Granja Comary, como eram os quartos. Era um sonho. Em Teresópolis, os atletas assinavam na mobília de cada quarto, concentrava em dupla e ficava vendo as assinaturas do Ronaldinho, do Ronaldo… Imagina você, jovem, vivenciando isso? É nostalgia pura”, o zagueiro apontou .

Durante sua passagem pelas seleções de base, Marquinhos dividiu espaço com diversos jogadores que posteriormente construíram carreiras de destaque no futebol brasileiro e internacional. A geração reunia nomes como Adriano Imperador, Diego Cavalieri, Kaká, Júlio Baptista, Edu Dracena, Luisão e Michel Bastos.

“Peguei uma geração de atletas que tinha Adriano Imperador, Léo Lima, Rubinho, Diego Cavalieri, e depois ainda chegaram Eduardo Costa, que é daqui também. No sub-20, joguei com Edu Dracena, Luisão, Michel Bastos, Júlio Batista, Fábio Rockembach, Kaká. Era uma safra muito boa. Desde a primeira convocação até o meu último ciclo no sub-20, sempre fui titular”, completou Marquinhos.

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