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·10 de julho de 2026

Executivo da Fatal Fans detalha parceria com o Corinthians e explica ações previstas para o futebol feminino

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  1. Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

Anunciada como nova patrocinadora do Corinthians até o fim de 2027, a Fatal Fans iniciou nesta semana os primeiros trabalhos de integração com representantes do clube. Em entrevista ao programa Entre Linhas, do Meu Timão, o executivo Samuel Ongaratto detalhou o planejamento da empresa para o início da parceria, comentou as ações previstas para as modalidades patrocinadas e explicou a decisão de não expor a marca comercial no uniforme da equipe feminina.

Segundo o dirigente, uma comitiva do Corinthians esteve em Pelotas, no Rio Grande do Sul, onde fica a sede da empresa, para alinhar estratégias de trabalho entre as partes.


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Foto: Divulgação/Corinthians

“Na terça-feira, chegou aqui uma comitiva do Corinthians, que permaneceu com a gente durante o dia. Tivemos a oportunidade de trabalhar, conversar, trocar ideias. No dia seguinte, teve uma apresentação institucional do Corinthians com foco especial no futebol feminino aqui na nossa empresa. Tivemos a visita do Corinthians na figura do Vini (Vinícius Manfredi), o diretor de marketing, o diretor de comunicação, a diretora do futebol feminino, mais algumas lideranças dentro do clube, justamente para discutirmos como vai ser o dia a dia de trabalho daqui para frente, ações que podemos fazer em conjunto, coisas que devemos evitar, que devemos buscar, questões nesse sentido. Foi muito legal a troca e a gente entende que essa integração, sabendo que a marca Fatal Fans tem suas peculiaridades, é uma marca diferente das demais, por também abrigar conteúdo adulto, a gente entende que o entrosamento é a melhor ferramenta para que a gente possa trabalhar da melhor forma possível.”

O contrato entre Corinthians e Fatal Fans prevê investimento de R$ 22 milhões até o fim de 2027, contemplando o futebol masculino, futebol feminino, futsal e basquete. De acordo com Ongaratto, a comunicação da empresa será baseada em campanhas institucionais, sem divulgação direta do conteúdo comercial da plataforma.

“A nossa maneira de trabalhar vai ser muito parecida com o que a gente já fez no Vitória e em outros clubes. A nossa empresa trabalha com uma propaganda institucional ou educativa. Isso quer dizer que a torcida do Corinthians não vai ver um QR Code convidando para acessar o site e comprar conteúdo, nem uma propaganda convidando para se tornar produtor de conteúdo. A nossa propaganda será institucional, sempre trazendo alguma mensagem, como, por exemplo, respeito, segurança, dignidade, algo nesse sentido, com os elementos de marca visual da empresa.”

O executivo também citou exemplos de ativações realizadas em outros clubes patrocinados pela empresa.

“As formas de ativar também serão semelhantes. No Vitória, por exemplo, nós penduramos um carro em um guindaste, em um jogo da final do Brasileirão Série B, e sorteamos um carro para a torcida. Outra ativação que nós fizemos, a Caçada Fatal, onde a gente tem uma van que vai circular por pontos turísticos da cidade, fazendo a distribuição de camisetas para os torcedores.”

Futebol feminino terá campanhas sociais

Durante a entrevista, Ongaratto explicou que o Corinthians solicitou que a marca comercial da Fatal Fans não fosse exibida nos uniformes do futebol feminino. Em vez disso, o espaço será utilizado para campanhas de conscientização e projetos sociais desenvolvidos em parceria com o clube.

“Foi uma demanda do clube. A gente foi bastante receptivo a todas as demandas que ele entendia que poderiam gerar algum risco à marca do Corinthians. Então, a gente atendeu a todas as exigências e foi muito solícito nisso. E essa (short do feminino) foi uma exigência na negociação, que o espaço fosse destinado para projetos sociais, principalmente o ‘Respeita as Minas’, que tem valores muito parecidos com os nossos, de respeito, segurança e dignidade. E tem muito a ver com a questão da luta contra o preconceito.”

Segundo o executivo, a empresa também adota protocolos para evitar que menores de idade sejam impactados pelas ações promocionais.

“Essas ativações são construídas a várias mãos. Trabalha o nosso setor de marketing junto com o marketing do clube, parceiros, assessoria de imprensa, agência, para poder definir o tom da ativação, o que é adequado ou não. Sempre buscamos deixar de fora crianças e adolescentes menores de idade. A gente não vai distribuir uma camiseta com a marca para uma criança. Da mesma forma com as ativações de bet, tem uma restrição, você não pode fazer uma ativação de bet ou de cerveja para uma pessoa menor de 18 anos. Vamos trabalhar da mesma forma. O Fatal Fans não é um produto construído para pessoas menores de idade. Nós temos dispositivos que buscam assegurar que menores de 18 anos não consigam comprar o conteúdo. Essa pessoa vai conseguir acessar o Fatal Fans? Vai. Mas não vai ver nada de mais, porque no momento em que ela for comprar um conteúdo com restrição de idade, há uma verificação de quem está comprando esse conteúdo. E aí há o bloqueio caso essa pessoa tenha menos de 18 anos.”

Recursos serão destinados às modalidades

Ao comentar a negociação com o Corinthians, Samuel Ongaratto afirmou que uma das principais preocupações apresentadas pelo clube durante as conversas foi garantir a continuidade de modalidades como futsal e basquete masculino, além de oferecer melhores condições para o futebol feminino.

“Não nos foi citado (o basquete feminino). Havia uma preocupação grande do clube em manter essas modalidades que a gente está apoiando (futsal e basquete masculinos). O que ouvimos é que esse seria o último ano do basquete, por exemplo, e o futsal estava a perigo. E que, se não tivesse essa injeção de capital, isso iria acontecer. Então, o norte da conversa o tempo todo foi a iminência desses dois esportes virem a fechar. E sobre o futebol feminino, o norte foi a dificuldade de manter o elenco e de melhorar a infraestrutura que elas têm.”

Questionado sobre a repercussão da parceria entre parte da torcida corinthiana, o executivo afirmou considerar natural a existência de opiniões divergentes e disse que o assunto também foi debatido durante a visita da diretoria alvinegra à empresa.

“A gente viu de maneira absolutamente normal a rejeição. E não estou dizendo normal para uma marca que trabalha num mercado sensível, mas de maneira geral. A taxa de rejeição, para qualquer marca, gira em torno de 15% a 20%. Uma marca de refrigerante vai ter 12%, 13% de taxa de rejeição porque vão dizer que o refrigerante faz mal para a saúde. Apostas, a mesma coisa. Hambúrguer, tem colesterol. Então, se você pegar qualquer marca, ela vai ter uma taxa de rejeição.”

Na sequência, ele comentou a análise feita pela empresa sobre a repercussão nas redes sociais.

“Isso foi tema da nossa conversa aqui com o Corinthians, nesta semana. Você tem um post da Fatal Fans com 50, 60 mil visualizações. Dessas 60 mil visualizações, teve 3 mil curtidas. Das 3 mil curtidas, 70% das curtidas são negativas. Então você baixa lá para cerca de 2 mil curtidas. Puxa, então quer dizer que 50 mil pessoas viram e consentiram? Porque vamos pegar aquela frase: quem cala consente. Viu e não se manifestou. E aí tem os comentários de apoio, os comentários criticando e os comentários de quinta série, que a gente também coloca do lado positivo. Sendo bem sincero, a gente esperava uma rejeição até maior. E essa foi a percepção do grupo que aqui estava, não é nem a minha.”

Ao encerrar a entrevista, Ongaratto defendeu que plataformas de produção de conteúdo podem ampliar sua presença no esporte nos próximos anos, citando o crescimento financeiro do setor.

“Não é nosso papel fazer as pessoas mudarem de ideia, nós nunca argumentamos nesse sentido. O que a gente faz, sim, é trazer informações sobre esse mercado. ‘Puxa, você tem ideia de quantas pessoas trabalham com isso? Quanto movimenta o mercado de Fatal Fans?’ Um dia de faturamento do OnlyFans, que é o nosso concorrente, paga o contrato anual do Pogba. Se o OnlyFans quisesse pagar a dívida do Corinthians, ela levaria seis meses do faturamento dela. Com menos de um ano de faturamento, ela paga essa dívida que alguns consideram impagável. Então é um mercado que está crescendo cada vez mais. Nós já tivemos a onda dos patrocínios de cerveja, de montadoras de veículos, está passando a onda das bets. Quem não dirá que a próxima onda não vai ser das empresas criadoras de conteúdo? Tivemos aí o OnlyFans oferecendo um contrato de 40 milhões de euros, cerca de R$ 250 milhões, para o Chelsea. Então é um mercado que hoje cresce muito, as pessoas consomem esse produto e, enfim, por que não?”

Caso seja acionada a cláusula de renovação prevista em contrato, a Fatal Fans poderá investir aproximadamente R$ 31 milhões no Corinthians ao longo da parceria.

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