Central do Timão
·03 de setembro de 2026
Executivo detalha reconstrução da base do Corinthians após retorno ao Movimento dos Clubes Formadores

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·03 de setembro de 2026

As categorias de base do Corinthians vivem um momento de reconstrução após um longo período afastadas das principais competições nacionais. O clube conseguiu retornar recentemente ao Movimento dos Clubes Formadores (MCF), depois de encerrar o impasse envolvendo o Palmeiras nos bastidores, e voltou a receber convites para torneios importantes do futebol brasileiro.
A retomada, no entanto, não apaga os efeitos deixados pelos cerca de 18 meses de isolamento. Algumas gerações de jovens atletas passaram parte importante de seu processo de formação sem disputar competições relevantes, e o impacto desse período ainda deve ser sentido pelo Corinthians nos próximos anos.

Foto: Carlos Freitas/Corinthians
O executivo Erasmo Damiani, responsável pelas categorias de base do clube desde o fim do ano passado, compara o momento vivido pelo departamento a uma nova pandemia, diante da quantidade de torneios que os jovens deixaram de disputar durante o afastamento.
“A categoria de base do Corinthians viveu uma segunda pandemia. Nós ficamos quase dois anos fora das competições nacionais. De 2025 até agora, o Corinthians ficou fora de 38 competições importantes. O menino que hoje é sub-15 do Corinthians perdeu várias competições importantes no sub-14 e no sub-13”, disse o dirigente em entrevista ao ge.globo.
Damiani detalhou o trabalho realizado para reorganizar a estrutura da base, falou sobre o processo de retorno ao Movimento dos Clubes Formadores e comentou os planos do Corinthians para ampliar a captação de jovens talentos em diferentes regiões do país.
O dirigente também abordou a relação com os familiares dos atletas, um dos desafios enfrentados pelo departamento, e defendeu que a atual gestão da base passou a funcionar com profissionais reconhecidos no mercado, sem interferência política do Parque São Jorge.
“Hoje, você não vê uma reclamação na base do Corinthians. Tentamos fazer tudo muito transparente para o funcionário e para a direção. O início aqui foi conturbado, entramos com o Corinthians fora do Movimento, logo teve o caso Flora. Tudo foi conversado com o presidente, nada foi feito de surpresa. Tudo foi aprovado por ele”, comentou.
O afastamento do Corinthians do Movimento dos Clubes Formadores aconteceu após uma denúncia apresentada pelo Palmeiras. O rival acusou o clube alvinegro de um suposto aliciamento do atacante Pedro Morelli, que integrava as categorias de base da equipe alviverde. O caso foi encaminhado ao MCF com documentos e elementos apresentados pelo rival. Após a análise dos clubes que integram o Movimento, o Alvinegro acabou sendo excluído do grupo.
A situação foi resolvida em agosto, quando o clube decidiu rescindir o contrato de Pedro Morelli. Com a liberação do jogador, o Corinthians conseguiu retornar ao Movimento e, consequentemente, voltou a ter acesso às competições organizadas entre os clubes participantes.
Agora de volta ao circuito de competições, o Corinthians pretende aceitar os convites considerados importantes para colocar novamente seus atletas diante de diferentes escolas de formação. Para Damiani, o contato com adversários variados e o aumento da competitividade são fatores fundamentais para o desenvolvimento dos jovens.
“Estamos aceitando os convites que recebemos porque são competições importantes e estamos precisando conviver com as diferenças entre outras escolas. Quanto mais competitividade, mais importante para o desenvolvimento”, pontuou.
Como exemplo dos prejuízos acumulados durante o afastamento, o dirigente citou a geração que estará na categoria Sub-15 em 2027. Na avaliação dele, esses atletas deixaram de participar de diversos torneios relevantes tanto no Sub-13 quanto no Sub-14.
“Vamos usar como exemplo os meninos que serão do sub-15 em 2027. No sub-13, eles perderam pelo menos quatro competições importantes, no sub-14 mais seis outras competições. Ao todo, deixaram de disputar dez torneios de extrema importância para o aprendizado deles”, ressaltou Erasmo Damiani.
Além da ausência nos campeonatos, o período fora do Movimento também trouxe consequências para o elenco do Corinthians. Damiani afirmou que a falta de jogos prejudicou a competitividade e a minutagem dos atletas, enquanto alguns jogadores acabaram deixando o clube durante o processo.
“Os garotos perdem na questão da competitividade e minutagem de jogos. O Corinthians teve prejuízo com as entradas e saídas de jogadores. Como ficamos fora do Movimento, alguns pais tiraram jogadores do clube. Perdemos menos do que poderíamos ter perdido, mas perdemos peças importantes”, comentou.
Com o retorno às competições, porém, o executivo acredita que o cenário passa a ser diferente. Além de recuperar o espaço perdido no calendário, o Corinthians poderá observar com mais precisão o desempenho de seus jogadores diante de adversários de outros centros de formação.
“Agora, não mais. Não tem mais essa desculpa, o Corinthians está de volta às competições. O prejuízo é imensurável, os atletas sofreram, foram prejudicados em seu processo de formação por não ter jogo contra outras escolas. O Corinthians vai começar a entender quais jogadores têm um nível mais alto a partir de agora”, analisou o executivo.
Antes de optar pela rescisão do contrato de Pedro Morelli, o Corinthians chegou a trabalhar com outras alternativas para recuperar sua vaga no Movimento dos Clubes Formadores. Uma das possibilidades discutidas envolvia um acordo direto com o Palmeiras, mas as conversas não tiveram um desfecho positivo.
“Havia a possibilidade de um acordo entre Corinthians e Palmeiras, o que não aconteceu. Ficou muito próximo, mas não houve desfecho positivo por alguns fatores. O Corinthians sempre esteve disposto a fazer o acordo. Quero lembrar que não fomos nós (gestão Osmar Stabile) que criamos essa situação, poderia ter sido resolvido no ano passado com mais transparência no início do ano”, disse.
Sem um entendimento entre os clubes, a liberação do jogador passou a ser apresentada como condição para que o Corinthians pudesse retornar ao Movimento. Segundo Damiani, a diretoria precisou analisar o impacto da decisão levando em consideração todo o grupo de atletas que seria beneficiado pela reintegração.
“O segundo ponto apresentando foi de que, para volta ao Movimento, era necessária a liberação do atleta. Para nós pesou o seguinte: “vou prejudicar 430 atletas ou abrir mão de um e beneficiar 429?”. Ficou nessa situação, chegamos a um acordo com a família e com os representantes de que do jeito que estava seria também prejudicial ao atleta e ao seu desenvolvimento”, explicou o dirigente.
Na visão do executivo, a solução encontrada buscou atender tanto aos interesses da estrutura de formação do Corinthians quanto ao futuro profissional do próprio atleta, que poderá seguir sua carreira em outra equipe.
“A decisão contempla o desenvolvimento do atleta, que poderá dar sequência à carreira em outro clube e contempla a categoria de base do Corinthians, que está beneficiando os outros 429 atletas”, complementou.
Damiani também foi questionado sobre uma possível motivação política do Palmeiras durante todo o processo. O dirigente afirmou não enxergar o caso dessa forma e reconheceu que o rival se sentiu prejudicado pela condução da situação envolvendo o jogador.
Para o executivo, porém, a responsabilidade pelo prolongamento do problema não pode ser atribuída apenas a uma das partes. Damiani entende que o Corinthians também poderia ter buscado uma solução antes, especialmente no período anterior à sua chegada ao clube.
“Não vejo assim. O Palmeiras se sentiu prejudicado na condução do que houve no início do ano passado e procurou seus direitos. O Corinthians, naquele primeiro momento, antes da minha chegada ao clube, não tentou resolver. Hoje, digo que todo mundo teve um pouco de culpa nisso”, avaliou o profissional.
Embora descarte uma motivação diretamente política, Damiani reconheceu que o período de fragilidade vivido pelo Corinthians acabou criando uma situação favorável ao Palmeiras na disputa por atletas das categorias de base. Segundo ele, o rival contratou dois jogadores ligados ao Corinthians e tentou avançar sobre outros nomes, aproveitando o cenário criado pelo afastamento do clube alvinegro do Movimento dos Clubes Formadores.
“É claro que, para o Palmeiras, passou a ser interessante o Corinthians ficar fragilizado porque eles pegaram dois jogadores nossos e tentaram outros. Não diria que o Palmeiras agiu com motivação política, mas eles tiveram uma arma a favor deles e usaram porque tinham poder de decisão”, afirmou.
Apesar de Corinthians e Palmeiras terem chegado perto de um acordo, a negociação não foi concluída. A saída de Pedro Morelli acabou sendo o caminho adotado para encerrar o impasse e permitir o retorno do clube alvinegro ao Movimento. Com a situação resolvida, Damiani entende que o Timão volta a ter uma proteção maior na disputa pelos jovens atletas, especialmente nas categorias iniciais, que, segundo ele, estavam mais expostas durante o período de afastamento.
“O Corinthians chegou muito próximo de ter um acordo com eles, mas não aconteceu. O atleta está livre no mercado e o Corinthians está de volta ao Movimento, que nos resguarda de perder novos atletas, tínhamos preocupação com isso. Nas categorias menores, estávamos muito fragilizados, agora temos respiro de segurança na iniciação dos jogadores”, finalizou o executivo.







































