Central do Timão
·18 de setembro de 2026
Executivo do Corinthians revela conversas por renovação com André Carrillo e comenta peso de desfalques

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·18 de setembro de 2026

O Corinthians enfrentou o Estudiantes-ARG, ao longo da noite da última quarta-feira (16), na Neo Química Arena, pelo segundo jogo das quartas de final da Conmebol Libertadores de 2026, e acabou sendo eliminado da competição internacional ao perder por 1 x 0 – a soma dos placares foi de 2 x 1 – e com pouco mais de R$ 25 milhões nos cofres.
Quase um dia após o resultado negativo, o executivo de futebol Marcelo Paz concedeu entrevista coletiva no CT Dr. Joaquim Grava e foi questionado sobre diversos temas. O dirigente afirmou que, neste momento, o único atleta, dos que possuem contrato se encerrando, que tem tratativas para renovar é o meio-campista André Carrillo. Os demais, por sua vez, estão sendo avaliados. Além disso, comentou sobre o fato de Memphis Depay não ter passado na zona mista após a derrota somado ao envolvimento do camisa 10 com questões políticas do clube.

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Marcelo Paz ainda respondeu sobre o fato do Corinthians não ter feito nenhuma venda nesta temporada, já que no início do ano, havia dito que o Alvinegro faria a maio venda de sua história. O profissional também discorreu sobre sua relação com o vice-presidente Armando Mendonça, processo eleitoral no clube, planejamento para 2027 e evitou entrar em detalhes sobre sua opinião referente à SAFIEL, grupo que visa transformar o clube em uma Sociedade Anônima de Futebol (SAF) promovendo uma maior participação da torcida nas decisões do clube. Por fim, falou sobre o quanto o alto número de desfalques, sendo o principal deles Yuri Alberto, interferiu no andamento da temporada do time.
O Corinthians, a partir de agora, retoma seus focos para a única competição que restou nesta temporada. Isso porque, neste domingo (20), antes da pausa para a Data Fifa, o Alvinegro receberá o Fluminense, também na Neo Química Arena, às 16h (de Brasília), pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2026. Atualmente, o Timão ocupa apenas a 14ª colocação com 32 pontos – oito vitórias, oito empates e 11 derrotas – 28 gols marcados e 29 sofridos, estando apenas a quatro pontos acima da zona de rebaixamento que, neste momento, tem o Vasco da Gama como primeiro time – 28 pontos em 26 jogos.
Confira abaixo algumas das respostas do dirigente em entrevista coletiva à imprensa:
Impacto da eliminação nos cofres e blindagem de Memphis das questões políticas
“Do ponto de vista financeiro, é ruim porque seria um valor a mais que entraria numa possível semifinal. O planejamento de qualquer clube tem essas variáveis, a performance esportiva não é sempre garantida. O dinheiro não entrou, às vezes vem, às vezes não.”
“Quando à blindagem, isso vai muito dele. Naturalmente, é um atleta muito exposto, é normal, faz parte, não tenho incômodo quanto a isso. Ele tem que ter cuidado, está incomodado por não ter feito gols. Ontem, tentou, se esforçou. Em termos de participação, foi uma das melhores partidas dele desde a volta.”
Sobre eleições no Corinthians
“O que temos que fazer aqui é ganhar jogo. Quando ganhamos jogo, diminui crítica, polêmica. Nosso papel dentro do futebol é ganhar jogo, é isso que move. Quando não ganhamos, e estamos um tempo sem ganhar. O torcedor do Corinthians quer que o time ganhe e que não haja influência direta no futebol do clube. Eu me reporto apenas ao presidente Osmar. Nós nos falamos ao telefone diariamente três ou quatro vezes ao dia. Não tem influência, a responsabilidade do futebol é nossa. É bom que um clube seja conturbado politicamente? Não, não é bom. Tem a questão financeira também, acho que isso impacta até mais. Não estou reclamando, estou relatando. A questão eleitoral vai ficar fora do CT, vai ficar no Parque São Jorge. Não quero e não vou ter participação nisso. Meu trabalho é aqui com o Fernando Diniz e com os jogadores”.
O vice-presidente atrapalha o futebol do Corinthians?
“Nunca tentou intervir em nada no futebol. Se sabe e se comenta do problema dele com o Memphis, mas nunca os vi se destratarem. O Armando não entra no vestiário. Viaja com a delegação, é o vice-presidente eleito. Janta conosco, mas fica na dele, tranquilo, não interfere. Vai, viaja e faz o papel institucional dele como vice-presidente. Nunca tentou intervir em nada. Ontem, me ligou para falar sobre levantar a cabeça. Tenho que ser honesto, nunca vi. Se há um desentendimento dele com algum jogador, eu nunca vi. Ele respeita o espaço do futebol, não tive nenhum problema. Você pode fazer essa questão para o Diniz, não há queixas. Sou transparente e falo a verdade. De minha parte, nunca tive desconforto com ele. Sabemos desse problema público, mas nunca vi desarmonia.”
Reflexão sobre o momento do futebol paulista. O que melhorar?
“Acho que o futebol paulista é o mais forte do país, acho que a Federação Paulista é a mais bem gerida no país. Antes de estar aqui, já participava. O Corinthians, especificamente, tem 19 títulos e um protagonismo grande. O futebol paulista continua forte, nesta semana foi realmente doloroso. Acho que tudo passa sim por gestão, não gosto de falar de outros clubes, mas os três que não passaram de fase vivem problemas financeiros. Essa questão precisa ser encarada, as equipes que investem mais são as que aparecem mais nas competições. Quais os volumes de investimento de Palmeiras, Fluminense e Flamengo? O Corinthians não compra quase ninguém há dois anos, a última foi o Martínez, que virou um transfer ban. É uma dívida grande, valor alto.”
“É muito difícil reestruturar financeiramente e conseguir títulos e, mesmo assim, o Corinthians conquistou três títulos. Tem muita gente que não está no clube, que poderiam nos ajudar. Vejo a marca como muito forte. É um desafio, passa sim pela gestão, mas não posso deixar de dizer que algo está sendo feito. Quando não se contrata jogadores com salários altos é um passo para sanar a dívida. O Corinthians é uma potência esportiva, mas hoje não é uma potência financeira.”
SAFiel é uma solução?
“Esse é um tema político e não vou entrar. Transformar em SAF não é o meu papel. O modelo atual é o associativo, então que se busque aumentar receitas e diminuir despesas. As receitas tradicionais batem no teto. O que é isso? Direito de transmissão e bilheteria. Não quero entrar na questão política.”
Por que o Corinthians não conseguiu fazer a maior venda da história?
“O ano não acabou, ainda pode ter uma venda até dezembro. O Corinthians tinha uma venda encaminhada do André, ele não fez e reconhece isso claramente. Aquela venda ali poderia nos ajudar nesse fluxo de caixa. Boa parte das receitas com venda poderia ser feita naquele momento. Faz parte, acontece, é normal. Foi uma decisão tomada, acho também que o Corinthians tem que buscar valorizar seus ativos. O mercado sabe que o Corinthians passa por problemas e vem com ofertas abaixo. Existem vendas em dezembro, o ano ainda não acabou. Se a venda não ocorrer, os convocados têm um valor maior do que tinham antes da convocação. O Corinthians terá um retorno financeiro quando essas vendas ocorrerem.”
Sobre departamento de scout
“Trabalho que se iniciou esse ano, era um departamento que não existia no clube. O Gabriel buscou vários mercados, mas até agora não houve vendas. Há uma plataforma que promove eventos para venda de jogadores, ele esteve uma vez lá em Tóquio e outra em Madrid. Não teve resultado nessa janela, mas pode ter na próxima. Tenho um reporte diário com o Gabriel, me traz relatórios e espero que isso melhore.”
Por que o Memphis não passou na zona mista?
“Lá em La Plata, o Memphis teve aquele gesto que gerou uma polêmica. Ele me disse que se tivesse uma multa, pagava. Acredito que seja o mesmo comportamento em relação à zona mista, não foi só ele que não passou. Ficou chateado, a gente orienta os jogadores. Se foi uma atitude individual, é normal que a pessoa arque com a consequência disso.”
Como dar confiança ao torcedor?
“Ganhar jogo, a vida não é linear. Estou aqui para responder as perguntas sem qualquer limitação, o torcedor merece isso. O caminho para ter paz e estabilidade é ganhar jogo, não tem outro caminho. Estou em um momento negativo, mas acredito muito que vamos voltar a vencer e dar essa satisfação ao torcedor.”
Até onde vai a convicção do trabalho do Diniz?
“A convicção é de que no Corinthians ele já entregou resultado. No Vasco do ano passado, ele pegou numa situação ruim e entregou um trabalho bom, inclusive chegando na final da Copa do Brasil. Precisamos voltar a ganhar, temos jogadores, brio e comando técnico para voltar a jogar.”
Sobre jogadores em fim de contrato
“Alguns jogadores são empréstimos, não depende da gente. Alguns têm cláusula de compra. O Zakaria terá seu contrato renovado em função da lesão, tivemos uma conversa inicial com os representantes do Carrillo. É isso que podemos passar. Tudo passa por performance esportiva e liberação de transfer ban para tomar essas decisões.”
Lesões de Yuri Alberto e Zakaria e possível impacto do gramado da Arena
“A ausência desses dois jogadores tem impacto, se eles estivessem disponíveis performariam. Não consigo atribuir diretamente as lesões ao gramado. A lesão do Yuri foi muscular, sofreu um empurrão, travou e não consigo dizer que foi o gramado. O Zakaria travou o joelho, pode ser que sim ou pode ser que não. Não consigo cravar. A do Yuri foi uma lesão muscular no gramado. Tivemos dois jogos com gramado ruim, não era o que se desejava, existia um planejamento de ter a reforma do gramado. É uma empresa que conhece o gramado, o histórico, tem um retrospecto muito positivo. Foi a primeira vez que houve o plantio no inverno, a resposta foi diferente do que eles imaginavam. Demorou um pouco mais para a grama pegar. Contra o Athletico-PR, por coincidência ou não, se relaciona com o gramado.”
Paz faz autocrítica do trabalho
“Eu não gosto muito de me avaliar, de me julgar. No Fortaleza, as pessoas diziam: você é o maior, você acha que é? Eu não acho ideal fazer autoavaliação, porque, de alguma forma, estará enviasada. Desafio novo, diferente. Chegar em um clube que tem todas as questões bem peculiares, que foram faladas muito aqui nesta coletiva, em uma função que eu não fazia há bastante tempo. Eu fui diretor de futebol lá atrás no Fortaleza e voltei a ser aqui no Corinthians. Tem coisas positivas de gestão, de ambiente, de melhoria. O executivo de futebol gerencia os departamentos e conseguiu fazer o recovery. Estamos buscando dar tranquilidade no CT, qualificando os funcionários”.
“Geramos com o departamento de fisioterapia qualificações, estudos, facilitamos fazer, equipamentos que foram comprados. Coisas que não aparecem muito. O que aparece são resultados em campo. Em campo, tivemos um título, Libertadores uma campanha decente e Brasileiro ainda não acabou. Copa do Brasil não fomos eliminado e Paulista. Não é um trabalho excelente, está dentro de uma média, com acertos e erros, com uma relação muito transparente com o torcedor. A verdade, o olhar no olho, o tentar passar sempre com transparência tudo que acontece. Avaliação vai ser no final, quando terminar o ano, que coincide com o fim do meu trabalho, se pode fazer uma avaliação mais precisa”.
“Questões pontuais, de certa forma, têm responsabilidade do gestor máximo, mas muitas vezes ocorrem em esferas bem abaixo, em que você não tem controle direto. Quando acontece o problema, acende o sinal de alerta e passa o sinal de alerta. Surgiu sinal de alerta de que tinha procedimento que não estava sendo feito de maneira ideal. Deixo para vocês da imprensa e torcedores avaliarem, dentro desse contexto difícil, mas ainda trazendo algum resultado, melhorando a estrutura do CT, participando de negociações importantes e trazendo jogadores a custo zero”.
Metas do clube para 2027
“O clube tem que se planejar independentemente de troca de presidente. Cada posição na tabela rende um dinheiro a mais, rende uma vaga continental, pode ser uma Sul-Americana, uma Libertadores ou uma Pré-Libertadores. Temos que nos planejar, independentemente de qual será o nosso próximo presidente.”







































