Faixa sobre as Malvinas pode render punições FIFA à Argentina; entenda 🤔 | OneFootball

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·16 de julho de 2026

Faixa sobre as Malvinas pode render punições FIFA à Argentina; entenda 🤔

Imagem do artigo:Faixa sobre as Malvinas pode render punições FIFA à Argentina; entenda 🤔

A seleção da Argentina comemorou muito a dramática vitória de virada, por 2 x 1, sobre a Inglaterra, na semifinal da Copa do Mundo da FIFA de 2026.

Após o apito final, os jogadores pegaram uma faixa das arquibancadas e a estenderam no gramado com a frase: "As Malvinas são argentinas".


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A manifestação, no entanto, esbarra nas rígidas regras da Fifa contra mensagens políticas no futebol.

O que diz o regulamento?

O Código Disciplinar da Fifa, em seu artigo 17 (parágrafo dois), responsabiliza as federações pelo uso de mensagens de cunho político, ideológico, religioso ou ofensivo.

O leque de punições possíveis para a Associação do Futebol Argentino (AFA) inclui:

  1. Aviso formal ou advertência.
  1. Aplicação de multas financeiras.
  1. Devolução de prêmios.
  1. Retirada de título (em casos extremos).

O peso no bolso

Para uma primeira infração envolvendo esse tipo de faixa, a multa varia de R$ 31 mil (casos leves) a R$ 62 mil (casos graves).

Os valores sofrem um aumento de 100% a cada reincidência.

Desrespeito ao hino inglês

As arquibancadas também podem gerar dor de cabeça.

Antes de a bola rolar, a torcida sul-americana abafou a execução do hino da Inglaterra cantando "quem não pula é inglês".

A Fifa prevê punições específicas para perturbações durante os hinos, com multas que variam de R$ 31 mil a R$ 47 mil logo na primeira ocorrência.

Reino Unido repudia faixa

O Governo do Reino Unido pediu à FIFA que investigue a Argentina por causa de faixa sobre as Malvinas na Copa do Mundo.

"A Copa do Mundo pode até não ser nossa, mas as Ilhas Falkland definitivamente são", declarou um porta-voz do primeiro-ministro Keir Starmer nesta quinta-feira (15). "A autodeterminação cabe aos habitantes da ilha e o nosso compromisso com as Falkland jamais irá vacilar", afirmou.

"Starmer apoiou os apelos para que a Fifa investigue, disse o porta-voz, depois que o Secretário de Negócios do Reino Unido, Peter Kyle, afirmou que o comportamento dos jogadores foi 'totalmente inapropriado'."

"A Fifa pode processar os jogadores e a federação de futebol da Argentina porque o seu código disciplinar proíbe nos estádios qualquer 'mensagem que não seja apropriada para um evento esportivo', incluindo aquelas de 'natureza política, ideológica, religiosa ou ofensiva'."

As declarações foram publicadas pela Bloomberg.

E aí, galera, acham que isso pode resultar em alguma punição para a Argentina? Deixe sua opinião no comentários!

Contexto Histórico

A rivalidade entre Argentina e Inglaterra transcende os gramados.

O protesto argentino com a faixa "As Malvinas são argentinas" reacendeu a atenção mundial para uma disputa territorial de séculos que culminou em uma guerra em 1982.

Geograficamente, as ilhas estão a apenas 550 quilômetros da costa da Argentina, mas a 12.800 quilômetros da Grã-Bretanha.

No entanto, os dois países tratam o território de formas completamente diferentes (até mesmo no nome da capital: Puerto Argentino para os sul-americanos e Stanley para os britânicos).

A situação atual

As ilhas, chamadas de Falkland Islands pelos britânicos, são um Território Ultramarino do Reino Unido.

Elas possuem governo local próprio, mas Londres é responsável pela defesa e parte das relações exteriores.

A Argentina, no entanto, rejeita a administração britânica, argumentando que o arquipélago está sob ocupação ilegal desde 1833.

O país alega ter herdado os direitos sobre o território da Espanha após a sua independência, em 1816.

O que dizem a ONU e a população local?

O cenário internacional trata o assunto como uma pendência diplomática não resolvida:

A posição da ONU: A Organização das Nações Unidas não declara a quem as ilhas pertencem. Desde 1965, reconhece formalmente que existe uma disputa de soberania e pede uma resolução pacífica entre os dois países.

A vontade dos moradores: Em 2013, um referendo perguntou aos habitantes se desejavam continuar como território britânico. O resultado foi esmagador: 99,8% disseram "sim" (apenas 3 pessoas votaram contra). O Reino Unido usa isso como prova do direito de autodeterminação do povo. Já a Argentina ignora a validade do referendo, afirmando que a população atual foi "implantada" pelos colonizadores britânicos.

A Guerra das Malvinas (1982)

A disputa diplomática transformou-se em conflito armado em 2 de abril de 1982.

O Início: A então ditadura militar argentina, liderada pelo general Leopoldo Galtieri, invadiu e ocupou as ilhas numa tentativa de retomar a soberania das ilhas.

A Resposta: A primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, reagiu enviando uma massiva força-tarefa militar ao Atlântico Sul.

O Desfecho e as Vítimas: Após 74 dias de intensos combates terrestres, navais e aéreos, os argentinos se renderam em 14 de junho de 1982. A guerra deixou 907 mortos no total (649 militares argentinos, 255 britânicos e 3 civis locais).

Consequências Políticas: A derrota acelerou o fim da ditadura militar na Argentina. Por outro lado, a vitória garantiu a reeleição e o fortalecimento de Margaret Thatcher no Reino Unido.

Futebol no meio do conflito

Durante a guerra, o sentimento antibritânico na Argentina foi tão forte que escolas de inglês foram depredadas e ruas renomeadas.

Clubes centenários, fundados no final do século 19 por influência de engenheiros e operários britânicos que trabalhavam nas ferrovias argentinas, no entanto, mantiveram seus nomes em inglês.

É o caso de times gigantes como River Plate, Boca Juniors, Racing Club e Newell's Old Boys.

Dentro de campo, porém, o rancor virou combustível.

Quatro anos após a guerra, em 1986, Diego Maradona fez história ao eliminar a Inglaterra da Copa do Mundo com dois gols emblemáticos (incluindo a famosa "Mão de Deus").

Quarenta anos depois, em 2026, a Argentina repete a vitória sobre os ingleses em um Mundial, resgatando a memória das Malvinas no maior palco do esporte.


📸 PAUL ELLIS - AFP or licensors

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