Falta de eficácia, falta de golos... Falta uma segunda grande figura a este Benfica? | OneFootball

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·02 de fevereiro de 2026

Falta de eficácia, falta de golos... Falta uma segunda grande figura a este Benfica?

Imagem do artigo:Falta de eficácia, falta de golos... Falta uma segunda grande figura a este Benfica?

Ao longo da história do futebol, tem-se tornado algo clara a evidência de que uma equipa enquanto organismo coletivo tende, regra geral, a sobrepor-se a um conjunto excessivamente dependente de individualidades para sustentar o seu rendimento e sucesso desportivo. 

Ainda que a presença regular de figuras decisivas seja fundamental, é como estrutura global que uma equipa consegue atingir objetivos e conquistar troféus de forma consistente. O jogo do Benfica frente ao Real Madrid, para a Liga dos Campeões, surge como um exemplo quase perfeito dessa lógica — e é precisamente sob essa mentalidade que a equipa encarnada se tem regido ao longo da presente temporada. 


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Mourinho, inclusive, revelou isso mesmo na conferência de imprensa depois da vitória por 1-0 frente ao Famalicão, em dezembro. 

«E não é que nós tenhamos no nosso plantel aqueles jogadores que são capazes de, por si só, e só, levantar estádios, aqui não há nem ‘Mbappés’, nem Vinicius, nem Yamal, essa gente não está obviamente aqui. Fazemos equipa, somos equipa, trabalhamos como equipa, crescemos como equipa, e, quando não é possível fazer um jogo brilhante, como hoje, é possível ganhar», disse o técnico depois do triunfo com um golo solitário de Pavlidis.

No entanto, se em várias ocasiões ao longo da época Vangelis Pavlidis acabou por surgir como a referência ofensiva solitária — a âncora à qual o Benfica se agarrou nos momentos decisivos —, o empate sem golos frente ao Tondela voltou a expor um problema estrutural: a ausência de uma segunda figura capaz de se afirmar quando o jogo aperta, quando o tempo escasseia e quando as soluções coletivas deixam de ser suficientes. 

Tal como já havia acontecido frente a SC Braga, FC Porto e Juventus, por exemplo, o Benfica dominou mas não foi capaz de traduzir essa superioridade em eficácia e sobretudo, em golos. Isto porque jogos como aquele que se registou frente ao Real Madrid não se registam todos os dias e, normalmente, a falta de eficácia paga-se caro.

Nesse sentido impõe neste momento uma pergunta no panorama encarnado: Faltará ao Benfica uma segunda grande figura ofensiva?

Pavlidis, Pavlidis e…quase sempre Pavlidis

Enquanto principal referência ofensiva, Pavlidis soma números que, isoladamente, impressionam. São já 27 golos e cinco assistências, perfazendo 32 participações diretas em golos em 38 jogos realizados esta temporada. Uma influência clara, inegável, mas que começa a revelar uma dependência silenciosa.

Nos últimos tempos, mesmo longe de exibições dominantes, o avançado grego tem surgido sobretudo em momentos-chave, salvando o Benfica de cenários mais comprometidos. A questão que se coloca não é sobre a sua qualidade, mas sobre a estrutura que o rodeia. Estará o Benfica excessivamente refém dessa capacidade decisiva? 

Os dados ajudam a sustentar a dúvida: em 19 jogos esta época em que Pavlidis não marcou, o Benfica não venceu em 11 ocasiões. Não se trata de uma relação causal absoluta, mas de uma tendência clara — quando Pavlidis não aparece, o Benfica sente dificuldades acrescidas para vencer.

«Falta de ADN goleador», ou falta de… Ivanovic?

Depois do nulo em Tondela, José Mourinho explicou que a falta de eficácia da equipa se deve, em certa parte, à falta de um «ADN goleador», relembrando também o jogo frente ao Rio Ave para o campeonato.

Nesse sentido, Mourinho poderá mesmo ter razão. Isto porque, Prestianni, Sudakov e Schjelderup têm oferecido muito futebol ao Benfica desde que começaram a atuar conjuntamente atrás de Pavlidis, no entanto, não oferecem golos, pelo menos de forma regular.

Olhando para a lista de melhores marcadores da equipa, o retrato é revelador. Depois de Pavlidis (27 golos), surge Ivanovic com apenas cinco. Seguem-se Sudakov, Aursnes e Schjelderup, todos com quatro. Para uma equipa que iniciou a época com ambições claras em todas as frentes, o fosso é demasiado acentuado. 

Ivanovic, contratado por cerca de 20 milhões de euros e teoricamente a segunda figura ofensiva do plantel, parece hoje afastado do centro das decisões. O croata não saiu do banco nas últimas três jornadas do campeonato e, nas últimas cinco vezes que foi utilizado na Liga, nunca entrou antes dos 80 minutos. Um estatuto que levanta interrogações inevitáveis.

Se outrora a sua entrada coincidia com momentos de desespero coletivo, hoje nem isso parece acontecer. A dúvida impõe-se: será Ivanovic apenas uma alternativa de recurso a Pavlidis ou o seu espaço foi definitivamente ocupado por Anísio Cabral, um jovem de apenas 17 anos? 

Figura procura-se!

Nem sempre dos avançados surgem os golos, isso é um facto. Na temporada passada, por exemplo, Di Maria (19) e Kerem Akturkoglu (16) contribuíram com 35 golos na equipa. Tal como Orkun Kokcu, que, com 12 golos, também entrou na lista dos melhores marcadores das águias ao longo da última época. 

Esta temporada, no entanto, faltam essas individualidades ao Benfica. Na falta de Pavlidis, peca em aparecer alguém que acrescente aquilo que o Benfica precisa em frente à baliza. 

Lukebakio, Rafa ou Bruma apresentam-se como nomes que, a regressar, podem causar impacto na rotação encarnada, tal como Sidny Cabral, que já fez o gosto ao pé numa ocasião desde que veste vermelho e branco. 

Ainda assim, contributos esporádicos não garantem regularidade — e, neste momento, é precisamente de regularidade que o Benfica mais necessita. 

Numa semana em que o Benfica viveu uma autêntica utopia frente ao Real Madrid, desceu novamente ao inferno com o resultado frente ao Tondela depois de ver espelhado novamente um problema que se vem arrastando ao longo da época: a falta de eficácia e de golos. 

Porque o futebol bonito, intenso e dominador que o Benfica tem apresentado dificilmente será lembrado se não cumprir a regra mais simples do jogo, os encarnados precisam de encontrar outras figuras que tornem o Benfica de Mourinho num grupo verdadeiramente vencedor e não apenas uma promessa romântica que acabou sem nada depois de momentos que teve tudo.

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