Calciopédia
·22 de maio de 2026
Fechando em alta: 38ª rodada da Serie A terá Dérbi de Turim e decisão de vagas europeias

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·22 de maio de 2026

A última rodada da Serie A chega dividida em dois campeonatos distintos. De um lado, metade da jornada reúne partidas sem efeito concreto sobre a tabela, consequência natural de uma temporada que definiu com antecedência boa parte de seus vereditos. Do outro, cinco confrontos simultâneos transformarão o domingo à noite italiano em um exercício permanente de cálculo, secadora ligada e pressão cruzada na disputa por vagas na Champions League e na luta contra o rebaixamento.
O principal foco recai sobre a corrida pela Liga dos Campeões, obviamente. A Roma está muito próxima de retornar ao torneio depois de sete anos e depende apenas de uma vitória sobre o já rebaixado Verona para encerrar a espera. O Milan também entra na rodada em posição confortável: recebe um Cagliari sem objetivos e se classifica caso confirme o favoritismo em San Siro. Esse cenário estreita drasticamente a margem da Juventus, obrigada a atravessar justamente o compromisso mais pesado da jornada.
O Derby della Mole assume o centro da rodada não apenas pelo peso histórico do confronto, mas pela circunstância incomum que o envolve. O Torino chega ao clássico de Turim sustentado por ambiente mais leve e por uma posição emocionalmente superior à da rival, algo raro nas últimas décadas – mas por demérito da adversária e não por mérito seu. Além disso, atua diante de sua torcida e ainda carrega a possibilidade de impor à Juventus um prejuízo esportivo e financeiro considerável ao afastá-la da principal competição europeia. Mesmo já garantida ao menos na Europa League, a equipe bianconera entra pressionada por um contexto que extrapola o simples resultado do dérbi.
A disputa continental também atravessa a Lombardia. O Como ainda preserva chances matemáticas de alcançar a Champions League e visita a desesperada Cremonese precisando vencer enquanto torce por pelo menos um tropeço de Roma ou Milan. O encontro regional tem alguma rivalidade entre as torcidas, que não se gostam tanto. A Cremo precisa vencer para tentar selar a sua permanência, mas não depende só de si: necessita de um tropeço do Lecce contra o Genoa. Eusebio Di Francesco, técnico dos salentinos, busca evitar o seu terceiro rebaixamento seguido, enquanto Marco Giampaolo, comandante grigiorosso, tentará impor a queda ao time que salvou na temporada anterior. Roteiros interessantes. Abaixo, confira a prévia da rodada.
Torino x Juventus
Pela primeira vez, o Derby della Mole será disputado na última jornada da Serie A. E o clássico encerra a temporada colocando a Juventus diante de um cenário de flerte com a improbabilidade. Sexta colocada, a equipe de Luciano Spalletti depende de uma combinação nada fácil para alcançar a Champions League: além da obrigação de vencer o rival na casa dele, precisa que o Como não vença e que Roma ou Milan sejam derrotados, ou então torcer simultaneamente por empates de romanos e milaneses, que encaram rivais desinteressados. Existe ainda um terceiro cenário possível: derrotas de Loba e Diavolo, independentemente do resultado dos comascos.
A situação delicada escancara a iminência de uma segunda conclusão da Velha Senhora fora do G4 da Serie A em quatro temporadas, algo impensável durante a sequência anterior de 11 campeonatos consecutivos terminados ao menos na quarta posição. Os bianconeri ainda podem concluir a Serie A abaixo dos 70 pontos pela primeira vez desde 2010-11. Para Spalletti, o desfecho também tende a ser excepcional: desde que o certame adotou em definitivo o formato com 20 clubes, em 2004, o treinador terminou fora do G4 – e da Champions League – apenas uma vez em 11 campanhas concluídas em seus trabalhos por Udinese, Roma, Inter e Napoli. A única exceção aconteceu em 2008-09, com os giallorossi, quando encerrou o torneio na sexta colocação.
O retrospecto recente do clássico cria uma contradição interessante entre domínio histórico e equilíbrio. Torino e Juventus empataram os dois dérbis mais recentes na Serie A e só em duas ocasiões ocorreram ao menos três igualdades consecutivas: em 1967 e 1978. Ainda assim, os granata venceram apenas uma das últimas 39 partidas contra a rival no Campeonato Italiano, acumulando 27 derrotas e 11 empates nesse intervalo. Desde o triunfo por 2 a 1 em abril de 2015, o time grená atravessa 21 confrontos seguidos sem sucesso diante da Vecchia Signora.
A formação mandante chega sem pressão classificatória, mas ainda possui um objetivo estatístico concreto. Com um empate, o Torino, 12º colocado, superaria a pontuação obtida na temporada passada, quando encerrou a Serie A com 44 pontos. O momento recente, porém, é de perda de consistência: depois de quatro compromissos invictos, a equipe sofreu duas derrotas nas últimas três apresentações. Mesmo assim, o conjunto piemontês preserva uma característica capaz de incomodar a adversária. Nenhum participante do campeonato marcou mais gols em contra-ataques do que os granata, responsáveis por nove tentos nesse tipo de jogada. A Juventus aparece logo atrás, com oito, empatada com Como, Verona e Sassuolo.
Vivendo momento de alta nesta temporada, Simeone atravessa excelente sequência em casa: marcou em cada uma das últimas cinco atuações como mandante e pode se tornar o primeiro atleta do Torino a balançar as redes em seis partidas caseiras consecutivas na era dos três pontos. O argentino soma ainda seis gols diante da Juventus na competição, marca inferior apenas ao desempenho obtido contra a Lazio, sua vítima preferida (10).
Prováveis escalações
Torino: Paleari; Como, Ismajli, Ebosse; Pedersen, Ilkhan, Gineitis, Obrador; Vlasic; Simeone, Zapata.
Juventus: Di Gregorio; Kalulu, Gatti, Kelly; Holm, Locatelli, McKennie, Cambiaso; Conceição, Yildiz; Vlahovic.
Cremonese x Como
Cremonese e Como chegam à última rodada sustentados por objetivos opostos, mas igualmente dependentes de combinações de resultados. Os grigiorossi iniciam a jornada na antepenúltima colocação, com 34 pontos, e precisam vencer além de torcer por um tropeço do Lecce para escaparem diretamente do rebaixamento. Existe ainda um segundo cenário possível: igualdade em Cremona combinada a derrota dos apulianos, circunstância que levaria a disputa a um jogo extra pela permanência. O momento recente alimenta a esperança local. Mesmo sem Baschirotto, líder da zaga que será desfalque novamente, a equipe venceu Pisa e Udinese nas duas apresentações anteriores sem sofrer gols. Agora, tenta alcançar uma marca inédita em sua história na elite italiana: três triunfos consecutivos dentro da mesma edição da Serie A.
O retrospecto do confronto também favorece amplamente os mandantes. A Cremonese atravessa 10 partidas sem derrotas diante dos lariani entre as séries A, B e C, acumulando sete vitórias e três empates desde o último sucesso do Como em campeonato nacional, registrado em outubro de 2013 – mas, convenhamos, hoje os comascos estão em outro patamar. No Giovanni Zini, a superioridade recente é ainda mais evidente: quatro êxitos consecutivos, oito gols marcados e apenas dois sofridos.
O Como, por sua vez, ainda preserva chances matemáticas de alcançar a Champions League. Para isso, precisa vencer fora de casa e depender de uma combinação envolvendo Roma e Milan. Os lariani se classificam com triunfo e caso uma entre Roma e Milan seja derrotada; também avançam se o Milan vencer e os giallorossi empatarem; outra possibilidade surge com igualdade rossonera somada a triunfos de Roma e Juventus; por fim, empates simultâneos de romanos e milanistas também servem desde que a Vecchia Signora vença – tudo isso porque se registrariam empates de times com 71 pontos e os critérios de desempate se dariam numa conta mais complexa, levando em conta todos os confrontos entre os clubes no certame. O rendimento recente sustenta a ambição continental: três vitórias e um empate nas últimas quatro rodadas, todas sem sofrer gols.
A consistência defensiva transformou o Como em exemplo estatístico nas grandes ligas europeias. O time soma 19 clean sheets na Serie A, mesma marca do Arsenal, com quem dividem a primazia no quesito nos cinco principais campeonatos do continente. Caso preserve novamente a meta inviolada, se tornará apenas a quarta equipe nas últimas 10 temporadas italianas a alcançar pelo menos 20 partidas sem sofrer gols, repetindo feitos obtidos recentemente por Inter (2023-24), Lazio (2022-23) e Juventus (2022-23 e 2017-18). Existe ainda a possibilidade de uma quinta atuação consecutiva sem serem vazados, algo inédito para os azzurri na elite. A possível ausência de Paz, principal nome do elenco, porém, pode alterar a fluidez ofensiva de um conjunto que depende bastante da circulação interior para acelerar transições.
O duelo também reúne atacantes atravessando momentos relevantes individualmente. Vardy marcou nas duas apresentações mais recentes e tenta alcançar uma sequência de três compromissos consecutivos balançando as redes pela primeira vez desde setembro e outubro de 2021, quando emplacou quatro pelo Leicester na Premier League. Já Bonazzoli, a outra referência ofensiva da Cremonese, pode atingir dois dígitos em uma edição de Serie A pela segunda vez na carreira após os 10 gols obtidos pela Salernitana em 2021-22. No Como, Douvikas chega embalado pelos tentos anotados contra Genoa e Verona fora de casa e busca marcar pela terceira viagem consecutiva, algo que jamais conseguiu nas cinco grandes ligas europeias. O grego já acumula 13 bolas na rede nesta campanha, número superior à soma das duas temporadas anteriores.
A Roma está muito perto de voltar à Champions League, que disputou pela última vez em 2018-19 (Getty)
Verona x Roma
Verona e Roma chegam à última rodada atravessando momentos opostos dentro da competição. Encarando um adversário já rebaixado, os giallorossi dependem apenas de uma vitória para se classificarem à Champions League pela primeira vez desde 2017-18, temporada em que também superaram pela última vez a barreira dos 70 pontos na Serie A, fechando a campanha com 77. Desde então, o clube da capital acumulou seis classificações para a Europa League e uma para a Conference League. O conjunto romanista venceu as últimas quatro pelejas e pode alcançar cinco triunfos consecutivos pela primeira vez desde março de 2025, sequência em que emplacou sete resultados positivos.
A consistência defensiva recente da Roma encontra um adversário atravessando enorme dificuldade ofensiva em casa. Os capitolinos venceram os dois encontros mais recentes contra o Verona sem sofrer gols e podem registrar três clean sheets consecutivos diante dos scaligeri pela primeira vez desde 1989. O Hellas, por sua vez, não balança as redes no Marcantonio Bentegodi há cinco partidas de campeonato e corre o risco de estabelecer a pior série caseira sem marcar em toda sua história na elite italiana. O dado ajuda a explicar a campanha extremamente pobre da formação vêneta, que produziu o segundo pior aproveitamento do clube na Serie A – inferior apenas ao de 1978-79.
O retrospecto recente em Verona, porém, impede qualquer leitura simplista do confronto. Os scaligeri venceram quatro dos últimos cinco compromissos contra a Roma no Bentegodi, incluindo os dois mais recentes. Existe inclusive a possibilidade de alcançar três sucessos internos consecutivos diante dos giallorossi pela primeira vez desde a era Osvaldo Bagnoli, entre 1984 e 1986 – período em que o Hellas foi campeão italiano pela única vez. A sequência cria um contraste curioso entre a força recente da equipe da capital no torneio e a dificuldade específica encontrada nesse recorte.
Enquanto os mandantes depositam suas fichas no atacante Bowie, que marcou os últimos quatro gols anotados pelo Verona no campeonato, a equipe visitante celebra Mancini – o zagueirão, autor de doppietta decisiva sobre a Lazio no clássico, segue transformando bolas aéreas em arma decisiva. O defensor soma quatro tentos nesta edição, desempenho inferior apenas ao registrados com a Atalanta em 2018-19 (cinco), e guardou seus 10 últimos tentos com cabeçadas. O fundamento é responsável por 16 dos 22 acumulados por ele na elite italiana, o que corresponde a 73%. Desde o retorno da Serie A ao formato com 20 participantes, nenhum atleta com mais de 20 tentos apresenta percentual tão elevado utilizando esse recurso quanto o camisa 23 romanista, que está empatado com Bremer.
Sexta, 22/5, 15h45 Fiorentina x Atalanta
Sábado, 23/5, 13h Bologna x Inter
Sábado, 23/5, 15h45 Lazio x Pisa
Domingo, 24/5, 10h Parma x Sassuolo
Domingo, 24/5, 13h Napoli x Udinese
Domingo, 24/5, 15h45 Lecce x Genoa Milan x Cagliari







































