Central do Timão
·31 de agosto de 2026
Fernando Diniz cobra mais intensidade do Corinthians após derrota e admite incômodo com sequência no Brasileirão

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·31 de agosto de 2026

O Corinthians recebeu, na tarde deste domingo (30), o Santos, na Neo Química Arena, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2026, e foi derrotado por 1 x 0. Com o resultado, o clube do Parque São Jorge permaneceu na décima colocação, com 32 pontos, somando oito vitórias, oito empates e nove derrotas, além de 26 gols marcados e 25 sofridos.
Depois do clássico, Fernando Diniz concedeu entrevista coletiva e analisou o desempenho alvinegro. O treinador reconheceu que faltaram agressividade e eficiência ofensiva, explicou as escolhas feitas na escalação, detalhou a ausência de André Carrillo e comentou a terceira derrota consecutiva do Timão no Brasileirão. O comandante também falou sobre Memphis Depay e o processo de desenvolvimento dos jovens utilizados no profissional.

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Diniz analisa dificuldades ofensivas do Corinthians
Na avaliação do treinador, o Corinthians apresentou um desempenho defensivo satisfatório e limitou as oportunidades do Santos. Por outro lado, Diniz reconheceu que sua equipe teve dificuldades para transformar a posse e o volume ofensivo em oportunidades claras.
O técnico também apontou problemas no preenchimento da área e na execução dos cruzamentos. Para ele, a dificuldade não esteve relacionada somente à ausência de Yuri Alberto, já que o Timão buscou diferentes alternativas para atacar a equipe santista.
“Então, falando do jogo, eu acho que a gente fez uma partida que merecia ter um resultado melhor. O time, defensivamente, foi bem, ofereceu muito pouco para o Santos. E o que a gente pecou hoje foi, eu concordo com a sua análise, que faltou a gente criar chances mais efetivas de gol. E isso acontece por algumas razões. Na hora dos cruzamentos, às vezes a área é mal preenchida. Até não concordo nos seguintes dias, porque a gente tentou de outras formas hoje. A gente tentou tabela por dentro, parede, chute fora da área. E o Santos tinha uma proposta mais clara de esperar na marcação. A gente acabou empurrando o Santos para trás, principalmente no segundo tempo. A gente teve mais dificuldade de encerrar as jogadas, de terminar. Tivemos muitas chances de cruzamento. A gente cruzou, o que é um padrão meio normal. Já falei para vocês, não é porque a gente tinha o Pedro Raul na área ou não tinha o Pedro Raul na área.
Quando a gente pega times que acabam baixando muito as linhas de marcação, as jogadas acabam terminando muito pelo lado e os gols acabam saindo por ali. Eu acho que a gente teve uma terminação ruim hoje nos cruzamentos e um mau preenchimento de área. E a gente acabou não tendo chances efetivas de gol. Tivemos também muita bola parada, porque a gente não conseguiu converter nenhuma. Não teve nenhum lance de muito perigo. Tivemos oito escanteios, o Santos teve um só. E o Santos acabou sendo muito feliz na falta que cobrou. A gente podia ter ido mais rápido para o rebote também, que teria evitado o gol. Mas foi uma falta muito bem batida pelo Neymar, que acabou determinando o resultado final do jogo.”
Diniz também explicou a utilização de Dieguinho e revelou que Carrillo poderia ter sido utilizado caso apresentasse condições físicas melhores. Segundo o treinador, o peruano sentiu dores na região posterior da coxa e, diante do número de baixas no elenco, a comissão técnica decidiu não correr riscos. O técnico ainda citou a ausência de Jesse Lingard por um quadro viral.
“Em relação ao Dieguinho, você perguntou também? O Dieguinho era uma das possibilidades para jogar. O Carrillo era uma possibilidade, mas se ele estivesse em condições plenas. Mas ele estava com uma dor na posterior que a gente resolveu preservar, porque ele vinha de uma sequência grande e, durante a semana, ele não estava seguro. E a gente já está com vários desfalques nesse setor do meio para a frente e a gente achou melhor preservá-lo para esse jogo. Mas não tem lesão muscular, mas tinha sinais importantes que a gente precisava respeitar. O Dias teve um quadro viral. Também não estava em condição de ir para o jogo. E o Dieguinho era uma possibilidade. É um jogador que sabe jogar naquela função, já jogou, já treinou, tanto aberto como flutuando por dentro. E por isso que ele foi escolhido.”
Falta de atenção e agressividade
O gol santista surgiu após uma cobrança de falta de Neymar. Na sequência da defesa, Oliva aproveitou o rebote para marcar o único gol do confronto. Questionado sobre a participação de Rodrigo Garro na jogada e outros momentos de desatenção, Diniz preferiu dividir a responsabilidade pelo lance entre toda a equipe.
Para o treinador, porém, o principal problema do Corinthians esteve na falta de agressividade, especialmente durante o primeiro tempo.
“Eu não sei se dá para resumir só dessa forma por isso que a gente perdeu. Pode ter faltado atenção, mas, no lance do primeiro gol, não foi só o Garro. Naquele lance, quando bate uma falta, ele fez o comportamento do time, de todo mundo andar para trás. Se tiver um rebote, a gente, tanto na trave como se o goleiro defender, está atento. Praticamente ninguém voltou da barreira para trás. Onde a bola caísse em outro setor, se tivesse outro jogador, também poderia ter saído o gol. Então, foi uma falha também coletiva, porque ninguém acabou indo para o rebote.
E, em relação a esse lance, teve outros momentos que eu não consigo definir por conta disso. Acho que o que faltou, para mim, foi mais agressividade, principalmente no primeiro tempo. A gente ter uma posse mais agressiva, terminar mais rápido as jogadas, preencher mais a área, chutar mais no gol, criar mais volume, trazer o torcedor junto, que era isso mais ou menos o que a gente tinha treinado para acontecer no jogo. No segundo tempo, essa questão melhorou, a gente foi mais efetivo, a gente andou mais para frente, o Santos praticamente não saiu de trás, e faltou um pouco de inspiração para a gente poder criar as nossas chances e aproveitá-las em gol.”
Diniz explica ausência de Carrillo e lamenta terceira derrota consecutiva
Carrillo voltou a ser assunto durante a coletiva. Diniz explicou que o jogador apresentou um edema que regrediu durante a semana, mas ainda não se sentia seguro para atuar. O treinador ressaltou que o problema atingia uma região bastante exigida pelos atletas e citou outros jogadores que estão em processo de recuperação.
“Em relação ao Carrillo, né? Então, o Carrillo, assim, ele tinha… Mas o edema regrediu durante a semana, mas ele não reuniu condições, não estava seguro para jogar. Com o número de jogadores, ainda mais que a gente tem no Departamento Médico, principalmente no setor ofensivo, a gente achou melhor não arriscar com o Carrillo. Então, não é por conta que a gente teve uma semana aberta que a gente tinha que correr um risco com o Carrillo. A gente já tem o Yuri tentando voltar, o próprio André, e tudo meio que… uma região do posterior de coxa. Se fosse um músculo diferente, a gente poderia até arriscar com o Carrillo, mas é um músculo que é muito solicitado pelos jogadores.”
Na sequência, o comandante reconheceu a frustração da torcida. Mesmo depois de uma semana com maior período para recuperação e treinamentos, Diniz considerou que a equipe deveria ter apresentado uma atuação mais intensa.
“Em relação à semana, a frustração do torcedor eu entendo completamente. Eu acho que, ainda mais pelo público que a gente teve aqui hoje, se eu não me engano, foi o quarto maior público da Arena, merecia um resultado melhor e um desempenho melhor também. A gente tinha que ter jogado melhor, com mais intensidade, com mais agressividade, como eu disse anteriormente. Eu acho que faltou. E eu já falei isso também outras vezes: não é porque tem uma semana aberta que vai acontecer um monte de coisa diferente. A gente teve jogos sequenciais, sem tempo para treinar, que a gente foi muito mais intenso do que a gente foi no jogo de hoje. Eu acho que a intensidade, principalmente do primeiro tempo, tinha que ter sido outra. A gente tinha que ter sido mais intenso, mostrado mais agressividade e criado mais situações.”
A derrota para o Santos foi a terceira seguida do Corinthians no Campeonato Brasileiro. Antes do clássico, o Timão havia sido superado por Cruzeiro e Coritiba. Diniz afirmou que os três resultados negativos incomodam, mas ponderou que as circunstâncias das partidas foram diferentes.
“Então, as três derrotas incomodam muito, Vessoni. Muito. É uma coisa que não estava… Se você explicar, as derrotas não são iguais. O jogo do Cruzeiro foi um jogo diferente do jogo de hoje. O jogo de Curitiba tem uma questão de a gente ter jogado na quinta, um jogo aqui mentalmente muito desgastante. Mas a gente tem também por obrigação saber superar isso. Era difícil, mas era uma coisa que é possível. A gente fez isso no jogo do Inter, da eliminação para o jogo do Red Bull. A gente conseguiu fazer uma boa partida contra o Red Bull em situações parecidas com esse jogo que foi de Curitiba. E hoje eu acho que, desses três jogos, hoje acho que a gente ainda tem um peso maior para nós, porque a gente teve tempo para recuperar, teve tempo para treinar e tempo para ter jogado um jogo com mais intensidade do início ao fim.”
Gestão do elenco entre Brasileirão e Libertadores
Com uma sequência importante pela frente e diversos problemas físicos no elenco, Diniz também foi questionado sobre como pretende administrar os jogadores entre o Campeonato Brasileiro e a Libertadores.
O treinador reconheceu que será necessário encontrar equilíbrio, principalmente porque o Corinthians terá a Chapecoense pelo torneio nacional antes do primeiro confronto contra o Estudiantes pelas quartas de final da competição continental.
“Isso é uma conta que a gente vai ter que saber administrar. E, no final das contas, a gente vai ser avaliado mais pelo resultado do que pela boa gestão ou má gestão. Então, a gente vai ter que saber conciliar. E a ideia, nesses três jogos que a gente tinha, era somar muito mais pontos do que a gente somou, porque a gente não somou nenhum ponto em três jogos e dois em casa. A gente agora vai ter que, no Brasileiro, conseguir somar pontos, independentemente de quem jogar. Então, no próximo jogo, a gente vai ver o que vai fazer, porque a gente joga no domingo e depois, quarta-feira, tem o primeiro jogo da decisão diante do Estudiantes. E a gente vai ter que saber se virar no Campeonato Brasileiro e, quando chegar o jogo da Libertadores, a gente também estar com carga máxima e fazer o nosso melhor para poder passar para a outra fase.”
Diniz cobra mesma postura apresentada na Libertadores
Desde o retorno da Copa do Mundo, o Corinthians soma 11 partidas, com quatro vitórias, três empates e quatro derrotas. Ao analisar o período, Diniz afirmou que os números não representam completamente o momento da equipe.
Na visão do técnico, o desempenho técnico apresentado nas derrotas recentes não foi necessariamente inferior ao visto nos confrontos contra o Rosario Central pela Libertadores. A principal diferença, segundo ele, esteve no aspecto anímico.
“É difícil responder essa pergunta. Eu não acho que reflete o momento do time. O time, contra o Cruzeiro, contra o Curitiba e hoje, não tem jogado mal tecnicamente, mas isso está sendo insuficiente para ganhar os jogos. A gente tem que voltar a ter o interesse que a gente teve, o interesse, a vontade e a gana que a gente jogou os jogos contra o Rosario. Contra o Rosario, tecnicamente, se pegar os dois jogos que a gente jogou, a gente não jogou melhor que nenhum desses três jogos que a gente perdeu.
Mas, no estado anímico, foi um estado anímico totalmente diferente. Ali, jogou a questão de garra, de vontade, representatividade dentro do campo. A gente teve muito mais. E eu acho que é isso que a gente precisa botar no Brasileiro. A gente não pode botar isso só em jogos da Libertadores. A gente tem que botar em todo jogo. Para o Campeonato Brasileiro, é muito importante para nós.”
Memphis completa 90 minutos e recebe avaliação positiva
O clássico também marcou o retorno de Memphis Depay à formação titular do Corinthians. Depois de um longo período sem disputar uma partida oficial completa, o holandês permaneceu em campo durante os 90 minutos.
Diniz revelou que o planejamento inicial não previa a utilização do atacante durante todo o confronto, mas Memphis se colocou à disposição para permanecer em campo.
“Ele fez uma partida, obviamente, que ele vai melhorar com a sequência de jogos. A ideia hoje nem era ele jogar os 90 minutos, mas, pela necessidade do time e eu conversando com ele, ele se colocou à disposição para jogar até o final do jogo, que é um jogador que tem capacidade de decidir o jogo a qualquer momento. Eu avalio o momento dele, não só o jogo de hoje, mas o momento, o tanto de tempo que ele ficou parado, sem jogar um jogo oficial, 90 minutos. Eu acho a volta dele uma volta individualmente bem positiva. Eu acho que, com a sequência dos jogos e treinamentos, ele vai render cada vez mais.”
Diniz evita atribuir derrota à arbitragem
Questionado sobre a atuação da arbitragem de Wilton Pereira Sampaio, o treinador preferiu não apontar decisões do árbitro como responsáveis pelo resultado. Diniz afirmou que tem evitado abordar o assunto e colocou o desempenho do próprio Corinthians no centro da análise.
“Se eu não falar a verdade, eu não vou… Estou evitando falar de arbitragem, sabe? Eu já falei uma ou duas vezes, uma vez eu fui denunciado por falar, mas eu não acredito. Hoje, a nossa derrota… não dá para a gente falar da arbitragem. Eu acho que a nossa derrota tem muito a ver com o que a gente fez e deixou de fazer no jogo.”
Treinador defende Dieguinho e Gui Negão
Por fim, Diniz foi perguntado sobre Dieguinho e Gui Negão, dois jogadores formados nas categorias de base e utilizados durante o clássico. O treinador rejeitou a ideia de que as atuações possam ser tratadas como uma frustração e ressaltou que oscilações fazem parte do desenvolvimento de jovens atletas.
“Não, eu não considero uma frustração. Eu acho que faz parte do desenvolvimento dos jogadores. Eu acho que o Dieguinho é um jogador que tem muita técnica, um jogador que tem uma condição física também privilegiada, um jogador rápido, um jogador que tem agilidade. É questão de amadurecimento. Se a gente agir dessa forma, a gente quer que bota os meninos, aí bota os meninos. Se não jogar bem, vira uma frustração, a gente não tem por que lançar. Já é difícil lançar. A gente tem que saber cuidar, saber exigir e saber avaliar. E precisa de tempo, precisa de espaço. Hoje teve espaço para colocar o Diego, ele tentou fazer o melhor dele, o Gui Negão da mesma forma. Eu não considero uma frustração. Acho que faz parte do desenvolvimento dos jogadores.”
Agora, depois de receber o Santos, em Itaquera, o Corinthians volta a ter uma semana livre de treinos, mas seguirá focado na disputa do Campeonato Brasileiro. Isso porque, no próximo domingo (6), às 19h30 (de Brasília), o Timão receberá a Chapecoense, também na Neo Química Arena, pela 26ª rodada da competição nacional.


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