Central do Timão
·21 de agosto de 2026
Fernando Diniz valoriza força coletiva do Corinthians após classificação e exalta retorno de Memphis: ‘Nosso grande reforço’

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·21 de agosto de 2026

O Corinthians garantiu presença nas quartas de final da Conmebol Libertadores de 2026 na noite da última quinta-feira (20). Na Neo Química Arena, o Alvinegro venceu o Rosário Central-ARG por 1 x 0, com gol de Breno Bidon, e confirmou a classificação após o empate sem gols no confronto de ida, disputado na Argentina.
Depois da partida, o técnico Fernando Diniz concedeu entrevista coletiva e analisou o desempenho da equipe nos dois confrontos. O treinador destacou principalmente a capacidade defensiva do Corinthians, que passou parte dos dois jogos com um atleta a menos e, mesmo assim, não sofreu gols.

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Diniz também comentou o retorno de Memphis Depay. Após ter a permanência no Parque São Jorge confirmada, o holandês começou no banco de reservas e foi acionado durante o segundo tempo. Foi dele a cobrança de falta que terminou no desvio de Breno Bidon para o gol da classificação.
“Primeiramente, boa noite. Em relação ao jogo, era um jogo difícil, a gente sabia. Foi difícil lá. São um time difícil de jogar contra. Eles recentemente jogaram contra o River Plate, no Monumental, ganharam de 1 x 0. A partida parecida que eles fizeram aqui. A gente começou muito bem o jogo e depois eles conseguiram ter uma série de faltas e escanteios, que aí o juiz deixou o jogo ficar amarrado. Cada escanteio era um minuto para bater, cada falta era um minuto para bater. A gente perdeu um pouco do ímpeto inicial e depois tivemos um pouco mais de dificuldade na troca de passes, e eles estavam marcando muito forte, como marcaram lá. Aí o jogo equilibrou um pouco.
No segundo tempo, a gente voltou melhor em relação a isso e aí teve a expulsão, que muda a característica do jogo. Aí a gente soube se defender muito bem, como tem sido a característica. Talvez o fundamento principal desse time é a capacidade de se doar do time inteiro para se defender. Vale ressaltar que, nesse duelo, a gente jogou uns 50, 60 minutos, talvez, com o jogador a menos, juntando o jogo daqui com o jogo de lá, e ficamos sem tomar gol, que é o que garantiu a nossa passagem. Se a gente tivesse tomado um gol, a gente já não teria vencido hoje. Isso vale ressaltar o trabalho coletivo de todos os jogadores, principalmente os jogadores da frente, que é onde começa o sistema defensivo. Em relação ao Memphis, eu tive uma conversa com ele em particular, um pouco antes da renovação. A gente estava torcendo muito para que desse certo, porque é um jogador diferente, que tem brilho diferente e hoje foi decisivo mais uma vez com a camisa do Corinthians. Já respondendo à tua pergunta, ele foi decisivo para a gente passar hoje. Entrou, contribuiu, bateu a falta muito bem, com o desvio do Bidon fez o gol, segurou a bola, se doou e eram esses minutos, mais ou menos, que a gente tinha para que ele entrasse.”
Diniz explica estratégia após expulsão de Raniele
Raniele recebeu o cartão vermelho aos 17 minutos da segunda etapa, obrigando o Corinthians a disputar novamente parte do confronto com inferioridade numérica. Mesmo com a expulsão de um volante, Diniz optou por não colocar imediatamente outro jogador de características mais defensivas no meio-campo.
O treinador explicou que Rodrigo Garro recuou para ajudar na organização do setor e ressaltou que a equipe trabalha situações de inferioridade numérica nos treinamentos. Para Diniz, colocar naquele momento um jogador que estivesse frio na partida também poderia trazer riscos.
“Eu acho que foram as duas questões que você postulou. A principal foi que o time estava bem e a gente treina muitas vezes com inferioridade numérica. Então, quando baixa o bloco para marcar, diferente do que a gente estava fazendo durante o jogo todo, e é o nosso ímpeto maior, sempre é avançar com a marcação e marcar mais alto, o Garro desceu de oito, que ele já treinou, já jogou assim em alguns momentos, e a gente conseguiu ajustar a marcação. E colocar naquele momento um jogador mais defensivo, que passa pela cabeça também, correria o risco de entrar um jogador frio e que a gente precisava jogar também com a bola. Aí, logo depois, depois de uns dez minutos, teve a parada técnica e a orientação era para a gente ficar bem estruturado para marcar e, com a bola, a gente tentar jogar, tentar jogar o máximo que a gente pudesse, não ficar se desfazendo da bola de qualquer jeito, e os jogadores foram muito bem nessa questão.
Quando a gente recuperou a bola, aí o time do Rosário, por fato de dar um espaço a mais, começou a se desorganizar um pouco, porque ele já não tinha uma marcação totalmente coletiva e a gente começou achando mais espaços, até com o jogador a menos, do que estava quando estava com igualdade numérica. Então, o time, além da percepção que a gente teve de fazer a manutenção, os jogadores souberam jogar o jogo com o jogador a menos, marcar e jogar quando tinha bola. E a gente evitou também baixar muito o bloco de marcação, a não ser no finalzinho, que eles colocaram mais um centroavante e tiraram o zagueiro e colocaram mais gente na última linha. Mas a gente conseguiu sustentar a marcação no bloco intermediário muito bem.”
Diniz projeta retornos de Yuri Alberto e André Luiz
Classificado, o Corinthians agora aguarda os confrontos contra o Estudiantes-ARG pelas quartas de final. Para a próxima etapa, Diniz espera contar novamente com Yuri Alberto e André Luiz, que estão afastados por problemas físicos.
Antes disso, porém, o foco passa a ser o Campeonato Brasileiro. O treinador afirmou que a competição nacional será a prioridade imediata e destacou a importância da próxima semana para a recuperação física do elenco.
“Eu acho que para a próxima fase os dois jogadores devem estar à disposição. O Yuri com um pouco mais de certeza, que machucou antes. Tiveram lesões um pouco parecidas. E quanto à prioridade, agora é o Campeonato Brasileiro, nesse momento. A gente não vai ter jogos de Copa do Brasil, que a gente infelizmente saiu para o Inter recentemente, e a prioridade agora é a gente conseguir descansar o máximo que der nesse pouquíssimo tempo que tem, menos de 72 horas para o jogo contra o Curitiba, um jogo duro lá em Curitiba, e procurar fazer o melhor lá.
Semana que vem a gente não tem Copa do Brasil no meio da semana. Vai ser uma semana, mais do que treinar, vai ser uma semana para recuperar, porque os jogadores têm jogado, têm mexido pouco no time, a gente tem dobrado, dobrado o jogo em cima de jogo. Então, a semana que vem vai ser uma semana boa para a gente, no primeiro momento, recuperar os jogadores.”
Técnico comenta expulsões nos dois jogos
A expulsão de Raniele foi a segunda sofrida pelo Corinthians na eliminatória. Na partida de ida, Allan também recebeu cartão vermelho. Somando os dois compromissos, o Timão precisou atuar por um período considerável com dez jogadores.
Apesar de a equipe não ter sofrido gols e ainda ter conseguido marcar em inferioridade numérica na volta, Diniz reconheceu que o cenário precisa ser evitado nas próximas fases.
“A gente tem que ter cuidado. Quem está com o cartão amarelo tem que ter cuidado. O que não dá também para o jogador tomar o cartão amarelo no primeiro tempo e você tirar o jogador. No caso do Raniele hoje, o Allan também lá, o jogador de meio que a gente tinha, e a gente estava jogando já sem o Allan, então tinha só o Raniele naquela função. Então, ele tomou o cartão amarelo no primeiro tempo, a gente ainda conversou no intervalo para ter cuidado, mas aconteceu e tem que se dividir em experiência para não acontecer. É sempre ruim, teoricamente sempre é ruim jogar com o jogador a menos. Na prática, acabou que não foi ruim para nós. A gente lá sustentou o placar de 0 x 0 e aqui a gente, com o jogador a menos, fez um gol. Mas não é o normal disso acontecer. A gente tem que fazer de tudo para não jogar com inferioridade numérica.”
Diniz destaca significado da classificação
Ao analisar a vaga entre os oito melhores da América, Fernando Diniz relacionou o resultado ao momento vivido pelo Corinthians fora das quatro linhas. O treinador valorizou a resposta do elenco diante das dificuldades e citou jogadores que tiveram de assumir funções importantes mesmo após períodos com menos minutos em campo.
“Eu acho que é uma alegria imensa, imensa mesmo, e motivo também de um acréscimo de estima, de satisfação pelos números de problemas que a instituição enfrenta e a gente conseguir, junto com os jogadores e com a torcida, criar essa conexão e levar o Corinthians para as quartas de final, que é um sonho máximo do torcedor corintiano, a gente avançar e o sonho do título. Então, tem um sabor muito especial essa classificação. Ninguém ficou reclamando, o que tinha era isso. Então, hoje entraram jogadores que fazia muito tempo que não jogavam. O Tchoca ficou muito tempo sem jogar, o Charles muito tempo sem jogar e todo mundo foi importante. Jogadores jogando fora de posição, o Carrillo suportando muito bem o jogo, tanto o jogo de domingo e jogar agora na sequência. Então, é muito importante a gente saber usar, confiar nos jogadores e trabalhar coletivamente. Eu acho que a força coletiva do grupo tem que ser muito ressaltada e, quando a gente trabalha coletivamente muito forte, os jogadores mais talentosos tendem a se destacar nos momentos-chave, como foi hoje.”
Questionado se a sequência de acontecimentos dos últimos dias e a maneira como a vaga foi conquistada transformaram a noite em uma das mais marcantes de sua passagem pelo clube, Diniz classificou a classificação como “épica”.
“É difícil você falar. Eu também joguei aqui durante quase duas temporadas, mas é uma das mais memoráveis. Foi uma classificação épica do Corinthians hoje, de acordo com o confronto como um todo. Acho que a gente soube jogar um jogo extremamente difícil, um adversário duro, com grandes jogadores, jogadores que foram de Copa do Mundo agora recentemente. Então, foi uma grande atuação e, mediante todas as coisas que aconteceram, como eu falei, dá um banho, um acréscimo de estima para todo mundo, para a gente seguir firme na nossa temporada.”
Fernando Diniz exalta liderança de Memphis
Por fim, o treinador voltou a falar sobre Memphis. Desta vez, Diniz abordou o papel exercido pelo holandês fora das quatro linhas e sua influência sobre os companheiros. Para o técnico, a permanência do camisa 10 representa o principal reforço corinthiano para a sequência de 2026.
“Influencia muito. Isso é claro desde quando ele chegou no Corinthians, naquela situação quando ele estava no Campeonato Brasileiro de 24 e tudo que ele foi construindo dentro do clube. Ele não é uma questão de uma liderança diferente, eu considero ele uma pessoa diferente, tem um brilho diferente e tem uma maneira de enxergar o mundo diferente. E eu acho que ele contribuiu muito para o Corinthians e tem muito para contribuir ainda. Está todo mundo, eu de maneira especial, muito feliz dele poder estar com a gente de novo. O nosso grande reforço da temporada foi a renovação do Memphis, com certeza disso.”
Depois de garantir a classificação na Libertadores, o Corinthians volta suas atenções ao Campeonato Brasileiro. No próximo domingo (23), às 19h30 (de Brasília), o Alvinegro visita o Coritiba, no Estádio Couto Pereira, pela 24ª rodada. Atualmente, o Timão ocupa a nona colocação, com 32 pontos, somando oito vitórias, oito empates e sete derrotas, além de 25 gols marcados e 22 sofridos.
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