Central do Timão
·14 de setembro de 2026
Fernando Diniz valoriza postura do Corinthians e se emociona ao lembrar Paulo Angioni: ‘Missão lindamente cumprida’

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·14 de setembro de 2026

A derrota do Corinthians por 2 x 1 para o Flamengo, no último domingo (13), no Maracanã, aumentou para cinco a sequência de tropeços consecutivos da equipe no Campeonato Brasileiro. Apesar do resultado negativo, Fernando Diniz enxergou uma mudança de comportamento em relação às partidas anteriores e destacou a postura apresentada pelo Timão, principalmente durante o segundo tempo.
Em entrevista coletiva após o confronto, o treinador analisou a diferença entre os elencos, falou sobre a evolução da equipe com a entrada de jogadores mais habituados à formação titular e comentou o processo ofensivo do Corinthians. Diniz também reservou parte de sua resposta para prestar uma longa homenagem a Paulo Angioni, ex-dirigente alvinegro que faleceu no último sábado (12), aos 80 anos.

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Diniz vê Corinthians mais próximo do caminho que busca
Questionado sobre a diferença estrutural entre Corinthians e Flamengo, principalmente pela possibilidade de o adversário recorrer a jogadores decisivos no banco de reservas, Diniz reconheceu o poder do elenco carioca. O treinador, porém, não atribuiu a derrota exclusivamente a esse fator e afirmou que o Timão também teve oportunidades para sair do Maracanã com um resultado diferente.
“Eu acho que, assim, o Flamengo é um time muito qualificado, especificamente o Bruno Henrique, que é um jogador diferente, que tem um poder de decisão muito grande. Ele é um dos maiores ídolos da história do Flamengo, assim como os outros jogadores. É um elenco, pelo poder econômico, pelos méritos do Flamengo também, que se reestruturou ao longo dos anos. É sempre difícil jogar contra eles, por conta da capacidade de investir que esse time tem. Mas, assim, eu acho que o fator determinante do jogo hoje… No segundo tempo, o Corinthians poderia ganhar, do mesmo jeito que o Flamengo poderia ganhar. Acho que o Corinthians está ganhando confiança ao longo do caminho.
Acho que as derrotas que aconteceram no Brasileiro serviram de lição. Hoje, a gente não teve o mesmo comportamento. Hoje, a gente perdeu o jogo. A gente precisa ganhar o jogo. A gente não está contente porque perdeu, de maneira alguma. Esse tipo de comportamento é um comportamento que tende a levar a vitórias. Aproximou muito a gente da vitória, como já aproximou muito, como fez com que a gente ganhasse muitos jogos quando eu entrei aqui no começo e como tem ajudado muito esse tipo de comportamento também na Libertadores.”
O resultado manteve o Corinthians com 32 pontos e ampliou a sequência sem vitórias da equipe no Brasileirão. Mesmo com o momento delicado na competição, Diniz entende que a atuação diante do Flamengo apresentou sinais diferentes daqueles vistos nos tropeços anteriores.
Treinador se emociona ao homenagear Paulo Angioni
Na mesma resposta, Diniz foi convidado a falar sobre Paulo Angioni. O treinador compareceu ao velório do ex-dirigente na manhã de domingo, horas antes de comandar o Corinthians no Maracanã.
A relação entre os dois começou justamente no clube alvinegro. Diniz conheceu Angioni em 1997, quando ainda era jogador do Corinthians. Décadas depois, os dois voltaram a trabalhar juntos em outros momentos de suas trajetórias no futebol brasileiro.
Ao recordar o dirigente, Diniz se emocionou e destacou principalmente a forma como Angioni se relacionava com jogadores, treinadores, funcionários e dirigentes.
“Agora, para falar do Paulo Angioni, é uma coisa que mexe muito comigo. Vocês sabem disso. O Paulo foi uma das melhores pessoas que eu conheci na minha vida. Ele deixou um legado importante para o futebol brasileiro. O Corinthians tem uma coisa muito importante a ver, porque eu conheci o Paulo no Corinthians, quando eu era jogador, há quase 30 anos, em 1997. Foi o nosso primeiro contato. E, desde esse primeiro contato, a gente ficou próximo. E o tempo foi nos aproximando cada vez mais. Até eu depois trabalhar com ele no Flamengo. Estive com ele no Fluminense como jogador e mais duas vezes como treinador no Fluminense. O seu Paulo Angioni é uma figura única. Ele foi um grande pai de todas as pessoas que passaram pelo caminho dele. Tanto os treinadores experientes, como Joel Santana, Sebastião Lazaroni, como os jovens que começaram, e para todos os jogadores. Ele deixou um legado de dignidade, de harmonia, de compaixão pelo próximo. Uma pessoa que sempre foi o ouvido e o coração para todas as pessoas. E eu gostaria muito que o futebol reconhecesse o Paulo Angioni do jeito que ele é, do jeito que ele foi. Qualquer pessoa que trabalhou com o Paulo Angioni vai falar coisas parecidas para vocês da imprensa que conviveram com ele.
Foi um ser iluminado, que sempre cativou as pessoas, sempre tratou com respeito, com educação. Eu nunca vi esse homem alterar o tom de voz com ninguém, desde o funcionário mais simples ao presidente do clube. É um dia muito triste para mim. Muito triste mesmo. Ele me ajudou muito na minha vida, na minha carreira. Eu sou próximo dele, sempre fui, sou próximo da família. Então, é um dia de grande sofrimento. E ele parte desse mundo aqui com a mesma genialidade que ele viveu, porque ele não merecia sofrer. Foi um homem que trabalhou, morreu trabalhando. Até 20 dias atrás, ele estava trabalhando na Argentina com a delegação do Fluminense. Ele trabalhou e trabalhava com 80 anos, ele trabalhava das 8h às 18h, todos os dias. Trabalhou e morreu trabalhando no clube que ele amava. Então, assim, acho que ele tinha um legado para todo mundo, muito importante. Que existam mais Paulo Angioni aí para nos auxiliar nessa jornada. Eu acho que foi muito boa a tua pergunta, porque eu ia falar dele de qualquer jeito hoje. O velho lobo do mar, que ele descanse em paz, porque a missão dele foi lindamente cumprida.”
Angioni teve duas passagens profissionais pelo Corinthians. Entre 1997 e 1998, trabalhou no Departamento de Futebol do clube, período em que teve o primeiro contato com Diniz. Anos depois, em 2004, retornou ao Parque São Jorge para exercer função no futebol profissional.
Mudanças no segundo tempo alteraram comportamento com a bola
Diniz também foi questionado pela Central do Timão sobre a construção ofensiva apresentada pelo Corinthians nos últimos compromissos. Depois de enfrentar dificuldades para criar em partidas anteriores, o Timão marcou contra Estudiantes e Flamengo a partir de jogadas construídas coletivamente.
Diante da equipe carioca, o treinador optou inicialmente por um bloco defensivo mais baixo. Segundo ele, a escolha também levou em consideração o pouco tempo de trabalho conjunto entre os atletas escalados desde o início.
“Eu acho que o time vai evoluindo. Foi um jogo em que a gente hoje nem teve tantas possibilidades de construir, mas, quando as teve, a gente soube aproveitar. No primeiro tempo, principalmente, a gente baixou bastante o bloco de marcação. Foi difícil a gente sustentar um bloco mais alto jogando contra o Flamengo, e você acaba deixando muitos espaços se você não estiver muito ajustado. Como era um time que tinha treinado pouco junto, a gente tinha a alternativa de subir o bloco de marcação, mas o jogo foi se desenhando de uma maneira em que o time ficou mais sólido, marcando um pouco mais atrás. E, quando a gente teve a bola no primeiro tempo, a gente poderia ter ficado com a bola mais do que ficou. Talvez isso fosse a ressalva do primeiro tempo. Mas os jogadores se dedicaram muito.”
No segundo tempo, Diniz promoveu mudanças e colocou em campo nomes que vinham sendo utilizados com maior frequência. As alterações fizeram o Corinthians adiantar suas linhas, aumentar a presença no campo ofensivo e chegar ao empate com Gui Negão. O Flamengo, entretanto, marcou novamente nos minutos finais e confirmou a vitória por 2 x 1.
“E, quando entraram os jogadores que são mais acostumados a jogar, a gente não só ficou com a bola, mas começou a marcar mais alto e ter mais a posse de bola, porque você não pode marcar alto se você não quer ficar com a bola. Então, a gente não estava muito confortável com a bola no primeiro tempo. No momento em que entraram os jogadores no segundo tempo, a gente subiu a marcação e começou a ter muito conforto com a bola. A gente fez o gol e estava perto de marcar o segundo. E a gente acabou tomando. Mas eu acho que as construções vão acontecer de maneira natural, cada vez com mais frequência ao longo do tempo, com os treinamentos e com os jogos acontecendo.”
Agora, o Corinthians deixa momentaneamente a sequência negativa do Campeonato Brasileiro em segundo plano para concentrar suas atenções na Libertadores. Nesta quarta-feira (16), às 21h30 (de Brasília), a equipe recebe o Estudiantes, na Neo Química Arena, pelo jogo de volta das quartas de final. Após o empate por 1 x 1 em La Plata, uma vitória garante o Timão na semifinal. Em caso de nova igualdade, a classificação será decidida nos pênaltis.
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