Fernando rende-se ao Dragão: “O FC Porto é a casa que me preparou em todos os sentidos” | OneFootball

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·18 de abril de 2026

Fernando rende-se ao Dragão: “O FC Porto é a casa que me preparou em todos os sentidos”

Imagem do artigo:Fernando rende-se ao Dragão: “O FC Porto é a casa que me preparou em todos os sentidos”

Chegou ao FC Porto vindo do Vila Nova, ainda muito cru, oriundo do interior do Brasil. Passou por um empréstimo ao Estrela da Amadora antes de se afirmar como uma peça indiscutível do meio-campo portista, sob as ordens de técnicos como Jesualdo Ferreira, André Villas-Boas, Vítor Pereira, Paulo Fonseca e Luís Castro. No final de uma carreira que ainda o leva pelos relvados, Fernando não tem dúvidas em apontar onde tudo começou, em entrevista ao jornal “O JOGO”.

“Foi o clube onde mais tempo joguei, onde tive maior estabilidade e foi a minha porta de entrada na Europa”, sublinha o médio, agradecido ao Dragão por tudo o que aprendeu. “Ensinaram-me muitas coisas: a mentalidade vencedora, o nunca desistir, independentemente das vitórias estar sempre preparado para o jogo seguinte. Não deixar que nada subisse à cabeça. Esse foi o ADN que me deu o FC Porto, fez-me crescer como pessoa e jogador. Saí muito novo para Portugal, do interior do Brasil. Tinha poucos recursos, pouca formação futebolística, e aprendi a ser muito organizado e a cuidar do meu futuro.”


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“Cheguei cá totalmente cru”

A passagem pelo FC Porto foi, na prática, uma escola completa — dentro e fora das quatro linhas. Fernando não esconde a transformação que viveu na cidade Invicta.

“Cheguei cá totalmente cru, até na formação humana. O FC Porto foi a casa que me preparou em todos os sentidos, tiveram muita paciência comigo e fizeram de mim um grande jogador”, confessa. “Cresci com a humildade de escutar as críticas construtivas e já consegui sair mais maduro, com uma mentalidade vencedora definida e estruturado para não passar dificuldades. Foi um curso de sete anos, onde foi tudo sensacional.”

A revolução futebolística do brasileiro, garante, deve-se sobretudo a Jesualdo Ferreira, técnico que percebeu desde cedo o potencial em bruto que tinha em mãos. “Era muito rápido, com boa técnica, mas com problemas de entendimento do jogo. No Brasil não sabia nada de receção orientada, jogava em relva alta e calor extremo, e aqui passei a jogar em relva baixa, com circulação muito mais rápida. O crescimento que tive foi fantástico — devo ao FC Porto e ao Jesualdo a carreira que fiz.”

Jesualdo professor, Villas-Boas visionário, Vítor Pereira o futebol bonito

Pedido para sintetizar os técnicos que o orientaram, Fernando arrisca um retrato breve mas certeiro de cada um deles.

“Jesualdo foi um professor; o Villas-Boas, um visionário que identificou tudo aquilo que a equipa necessitava; e o Vítor Pereira aprimorou com um futebol bonito. Adorei o carrossel do meio-campo com o Lucho, o Moutinho e ainda o James”, recorda, evocando uma das eras mais brilhantes da história recente do FC Porto. “Depois, com o Paulo Fonseca e o Luís Castro, foi mais complicado, porque o plantel não tinha tanta qualidade e os adversários passaram a ser melhores.”

A máquina portista de descobrir talento

Quatro campeonatos e uma prova europeia depois, Fernando faz questão de destacar a inteligência do FC Porto na construção dos seus planteis — uma engenharia de scouting que, durante anos, foi referência mundial.

“Sentíamos nessa altura que o FC Porto fazia aquisições espetaculares. Os jogadores chegavam e mostravam um potencial enorme. O FC Porto estava muito acima, fazia muitas coisas bem, ia à América do Sul, investia e potenciava os jogadores que trazia, otimizando as vendas. Pensávamos no plantel que não chegava outro igual — e eles conseguiam fazer outra compra barata e muito boa.”

Os exemplos sucedem-se com naturalidade na sua memória: “Quando sai o Falcao, chega o Jackson. Eu nunca ouvira falar dele, e veio com uma qualidade extraordinária. Trouxeram o Hulk do Japão, o Fernando do Vila Nova, o James menino da Argentina. Fomos todos muito bem vendidos, ajudando muito o clube a ser campeão. Acompanhei grandes planteis e vi grandes treinadores que fizeram crescer os jogadores individual e coletivamente.”

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