O Grêmio perdeu por 3 a 0 para o Atlético-MG, em Belo Horizonte, e voltou a apresentar uma versão completamente diferente daquela que havia animado o torcedor na vitória sobre o São Paulo. O resultado é péssimo, a atuação foi ainda pior e o time deixa novamente a sensação de que está muito longe de encontrar estabilidade sob o comando de Luís Castro. Fora de casa, a situação chega a ser alarmante: o Tricolor tem apenas 12% de aproveitamento no Campeonato Brasileiro.
E esse talvez seja o principal problema do Grêmio hoje. Não é apenas perder fora da Arena. É a incapacidade de repetir uma atuação minimamente consistente de um jogo para o outro. Contra o São Paulo, o time mostrou organização, teve um padrão tático mais claro e deu sinais de evolução. Contra o Atlético-MG, regrediu completamente. Foi dominado, produziu muito pouco e acabou sendo derrotado de forma justa, com direito a olé da torcida mineira no fim.
Luís Castro continua respaldado pela direção. Paulo Pelaipe já havia deixado claro antes da partida que o treinador não seria demitido, e isso ganha ainda mais peso pela proximidade do Grenal da Copa do Brasil. Portanto, para quem está revoltado com o técnico, não existe perspectiva de mudança imediata. O Grêmio vai ter de encontrar as respostas dentro do próprio trabalho.
O problema é que o sistema escolhido por Luís Castro segue praticamente o mesmo. Um 4-1-4-1, ou 4-3-3 com algumas variações, com Noriega como primeiro volante, Nardoni e Dodi mais à frente e dois pontas próximos de Carlos Vinícius. E aí aparece uma questão que começa a ficar cada vez mais evidente: determinadas combinações de jogadores simplesmente não funcionam.
Noriega, Dodi e Nardoni formaram o meio-campo diante do Atlético-MG. Para mim, é muito difícil enxergar esse trio funcionando. Vidi Sant ficou fora por lesão, enquanto Krovinović entrou apenas no segundo tempo, numa tentativa de Luís Castro de colocá-lo aos poucos no time. Só que o Grêmio sentiu muito a ausência do seu principal meio-campista de movimentação e voltou a ter enorme dificuldade para construir qualquer coisa ofensivamente.
O Atlético-MG dominou o início da partida e ficou muito mais perto de marcar desde os primeiros minutos. O Grêmio praticamente não ameaçava. A primeira grande evidência disso foi justamente o gol de bola parada. Em uma cobrança de escanteio, o Atlético se antecipou e encontrou espaço na defesa gremista. Diego Caito não conseguiu acompanhar o lance e Wallace também não fez o bloqueio necessário. O sistema defensivo falhou coletivamente e o Galo abriu o placar.
Depois disso, aconteceu algo curioso: o Atlético simplesmente entregou a bola ao Grêmio. E o Grêmio aceitou. A posse tricolor cresceu bastante e chegou perto dos 50%, mas foi uma posse completamente improdutiva. O próprio Carlos Vinícius resumiu bem a situação na saída para o intervalo: o Grêmio tinha a bola, mas ele permanecia completamente isolado na frente.
Esse é um dos principais problemas do time. Ter posse de bola não significa necessariamente jogar bem. O Grêmio troca passes, mas não consegue transformar isso em chances de gol, aproximação ou pressão sobre o adversário. É uma circulação de bola que muitas vezes termina em absolutamente nada.
No intervalo, Luís Castro fez três mudanças. Kannemann entrou após uma lesão e Gustavo Martins saiu. Gustavo Martins vinha atuando pela direita da defesa e Wallace acabou sendo deslocado. Krovinović também entrou no meio-campo. O Grêmio até teve mais controle durante alguns momentos do segundo tempo, mas continuava sem produzir ofensivamente.
Até que o técnico do Atlético-MG mexeu no time. Aos 16 minutos, fez duas alterações. Aos 17, veio o segundo gol. Aos 20, o terceiro. E isso também precisa ser colocado na conta de Luís Castro.
O treinador adversário fez duas mudanças que melhoraram a equipe imediatamente, enquanto as alterações do Grêmio pouco modificaram o cenário. O Atlético voltou a atacar, encontrou espaços e matou a partida rapidamente. É o tipo de situação que mostra como substituições também são parte fundamental do jogo e podem mudar uma partida.
No segundo gol, a defesa gremista voltou a falhar de maneira preocupante. A bola atravessou praticamente toda a área, ninguém conseguiu cortar o cruzamento e Coelho apareceu para finalizar. No terceiro, a situação foi ainda pior: cinco jogadores do Atlético chegaram dentro da área trocando passes como se não houvesse marcação. O Grêmio estava completamente perdido.
Kannemann, que entrou no intervalo, também teve uma participação negativa. Além de não conseguir organizar a defesa, recebeu um cartão amarelo completamente desnecessário em um lance no qual a bola sequer estava mais em disputa. É difícil continuar encontrando justificativas para o zagueiro quando as atuações negativas estão se acumulando.
O Grêmio, aliás, teve sorte de não sofrer ainda mais. O Atlético perdeu uma oportunidade clara para fazer o quarto gol e, a partir de determinado momento, simplesmente administrou a vantagem. O 3 a 0 acabou ficando barato.
E aqui está o grande alerta: o Grêmio tem somente 12% de aproveitamento fora de casa. Não é coincidência. Existe uma dificuldade enorme para competir longe da Arena e, principalmente, para produzir ofensivamente. O time até consegue ter períodos de posse, mas não consegue transformar essa posse em futebol.
Krovinović entrou no segundo tempo e não conseguiu mudar a partida. É cedo para fazer qualquer julgamento definitivo sobre o croata, obviamente, mas a estreia deixa uma constatação: ele sozinho não vai resolver um problema que parece muito maior do que uma simples falta de peça.
O ataque continua sendo o setor mais preocupante. Carlos Vinícius fica isolado, os pontas participam pouco e o meio-campo não consegue criar conexões suficientes. O Grêmio precisa trocar mais passes perto da área, precisa movimentar seus jogadores e precisa criar mais alternativas além das jogadas pelos lados.
O próprio Carlos Vinícius foi um exemplo disso. Em determinado momento, ficou praticamente sozinho diante da defesa do Atlético. E quando o centroavante recebe poucas bolas em condições de finalizar, não existe como cobrar que ele resolva o jogo sozinho.
Pavon foi mal. Amuso sentiu e praticamente não conseguiu participar. TT entrou durante a partida e também não mudou o cenário. Gabriel Mec apareceu, mas teve pouca influência. O Grêmio inteiro parece depender de uma inspiração individual para produzir alguma coisa, e isso é pouco para um clube que precisa sair da parte de baixo da tabela.
Curiosamente, eu não colocaria a defesa como o grande problema do Grêmio. Sim, o time sofreu três gols e cometeu falhas importantes, mas o problema começa antes. Quando o time não consegue jogar, não consegue atacar e não consegue manter a bola de maneira produtiva, passa tempo demais sendo pressionado. Em algum momento, a defesa vai falhar.
É por isso que Luís Castro precisa encontrar uma solução macro, não apenas corrigir detalhes de uma partida. O Grêmio precisa descobrir como jogar do meio para frente. Precisa criar mais, precisa ter mais movimento, precisa conectar os pontas aos meio-campistas e precisa fazer Carlos Vinícius participar mais do jogo.
Não adianta simplesmente trocar um jogador por outro e esperar que tudo se resolva. O problema está na estrutura ofensiva. O Grêmio tem um padrão de jogo, mas esse padrão está sendo improdutivo justamente onde mais importa.
E o mais preocupante é a oscilação. Uma semana o Grêmio faz uma atuação que dá esperança, como contra o São Paulo. Na semana seguinte, joga muito mal, perde por 3 a 0 e deixa o adversário administrar o jogo com tranquilidade. Esse é o tipo de instabilidade que impede qualquer reação consistente no Campeonato Brasileiro.
Luís Castro seguirá no cargo. Isso está decidido, pelo menos neste momento. Então não adianta transformar toda análise em uma discussão sobre demissão. O Grêmio precisa olhar para dentro, reconhecer que o trabalho ainda não encaixou e encontrar rapidamente uma forma de jogar melhor.
Porque, do jeito que está, o problema do Grêmio não é apenas perder jogos fora de casa. É parecer que, a cada nova partida, o time volta para o zero.