RTI Esporte
·28 de setembro de 2026
Fim das bets ameaça estoque de camisas de clubes; entenda

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·28 de setembro de 2026

O fim da publicidade das bets criou um problema para o varejo esportivo: o destino das camisas de clubes ainda em estoque. As peças poderão ser vendidas com as marcas até 5 de outubro; depois, a exposição das empresas será proibida.
A Agência RTI Esporte apurou que o principal temor do varejo está no custo das camisas já adquiridas. Em algumas operações, as lojas pagam 70% a 75% do preço final, deixando margem de 25% a 30%. Qualquer venda abaixo desse valor gera prejuízo.
Uma camisa oficial de R$ 600 pode custar R$ 420 a R$ 450 ao lojista. Se liquidada por R$ 350, a perda chega a R$ 70 a R$ 100 por peça. Em 1.000 unidades, o prejuízo potencial seria de R$ 70 mil a R$ 100 mil.
O problema vai além da retirada das camisas das prateleiras. A mudança afeta fabricantes, clubes e varejistas, que terão de encontrar uma solução para o estoque já produzido e distribuído. Empresas como a adidas, que fornecem uniformes para clubes brasileiros, podem precisar discutir alternativas comerciais com os parceiros.
Uma possibilidade é substituir ou alterar as peças, mas isso dependerá dos acordos entre fabricantes, clubes e lojas. A questão envolve uma cadeia comercial que começa na produção e passa por distribuição, compra pelo varejo e venda ao consumidor. Qualquer mudança no produto pode gerar um novo custo.
O problema ganhou escala porque as bets estavam presentes em 14 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, ampliando o volume de produtos potencialmente afetados pela mudança da MP das Bets.
Em 2025, por exemplo, os patrocínios de casas de apostas já representavam 7,9% das receitas dos clubes da Série A, segundo levantamento com base nos balanços financeiros dos times. O dado mostra o peso que esse mercado ganhou nas finanças do futebol brasileiro.
A saída mais rápida para o varejo seria reduzir os preços e acelerar a venda das peças. O problema é que qualquer valor abaixo do custo de aquisição transforma a operação em prejuízo milionário. Outra possibilidade é negociar com fabricantes e clubes a substituição das peças ou uma compensação comercial.
A medida, porém, exigiria definir quem assumirá o custo do novo fardamento. O impacto, portanto, não termina na publicidade dos uniformes. O fim das bets também coloca em jogo estoque, margem e caixa de lojas, além da relação comercial entre clubes, fabricantes e varejistas.







































