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·16 de agosto de 2026
Finanças do Palmeiras: quanto o clube fatura, deve e gasta

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·16 de agosto de 2026

As finanças do Palmeiras são as mais fortes do futebol brasileiro em patrimônio e, ao mesmo tempo, as mais dependentes de venda de jogador. As duas frases são verdadeiras e saem do mesmo documento. Esta página reúne, num lugar só, quanto o clube arrecada, quanto deve, quanto paga de folha e o que já aconteceu com as contas em 2026 — sempre com o número do balanço oficial ao lado, nunca com estimativa de mercado.
R$ 1,696 bi
Receita em 2025Receita bruta operacional, a maior da história do clube
R$ 292,4 mi
Superávit em 2025O orçamento aprovado previa R$ 12,5 milhões
R$ 986 mi
Dívida operacionalEra R$ 727 milhões em dezembro de 2024
R$ 2,153 bi
Ativo totalMaior patrimônio já registrado por um clube no Brasil
R$ 113,8 mi
Folha CLTPessoal e encargos de todo o clube em 2025
−R$ 124 mi
Déficit em 2026Resultado acumulado até 30 de junho de 2026
Demonstrações Financeiras 2025 da Sociedade Esportiva Palmeiras, auditadas pela BDO RCS e publicadas em 18 de março de 2026, e balancete de junho de 2026 divulgado pelo clube. Última atualização desta página: agosto de 2026.
O Palmeiras fechou 2025 com receita bruta operacional de R$ 1,696 bilhão, a maior da sua história. Para dar escala: o clube havia arrecadado cerca de R$ 1,2 bilhão em 2024 — e já em outubro de 2025 tinha passado esse total do ano anterior inteiro.
Só que a composição dessa receita importa mais do que o tamanho dela. A maior fonte de dinheiro do clube em 2025 não foi TV, nem patrocínio, nem bilheteria: foi a rubrica de outras receitas, puxada por negociações de atletas, que sozinha respondeu por 40% da receita bruta.
Valores de receita bruta no exercício de 2025. Fonte: Demonstrações Financeiras 2025 da SE Palmeiras.
O salto das premiações é o dado mais brutal da tabela: o clube saiu de R$ 69,1 milhões em 2024 para R$ 327,1 milhões em 2025, quase cinco vezes mais, com peso decisivo da participação na primeira Copa do Mundo de Clubes da Fifa. É dinheiro que entrou de verdade — e que não tem garantia nenhuma de se repetir.
Somando as receitas financeiras à operacional, o faturamento total do Palmeiras em 2025 passou de R$ 1,8 bilhão. O superávit contábil ficou em R$ 292,4 milhões, contra os R$ 12,5 milhões previstos no orçamento e os R$ 198,2 milhões registrados em 2024. O EBITDA ajustado chegou a R$ 681,3 milhões.
A resposta curta: R$ 986 milhões de dívida operacional em 31 de dezembro de 2025. A resposta honesta exige separar três números que costumam ser misturados na conversa do torcedor.
Fonte: Demonstrações Financeiras 2025 da SE Palmeiras, auditadas pela BDO RCS Auditores Independentes.
A dívida operacional é o que o clube deve em compromissos ligados à operação — e o crescimento de R$ 259 milhões em um ano tem causa declarada no próprio balanço: aquisição de atletas. O Palmeiras investiu perto de R$ 847 milhões em contratações ao longo de 2025, o maior volume da sua história. Comprar jogador parcelado aumenta a dívida e o ativo ao mesmo tempo.
O passivo total de R$ 1,584 bilhão é maior porque inclui tudo: obrigações trabalhistas, tributárias, fornecedores, empréstimos e a própria dívida operacional. E o patrimônio líquido positivo em R$ 568,9 milhões é o número que impede a leitura de crise — mesmo devendo R$ 1,584 bilhão, o clube possui mais do que deve.
O ponto de atenção real não é o tamanho da dívida. É o resultado financeiro líquido negativo de R$ 89,7 milhões — o custo de carregar essa estrutura, que cresceu 17% em um ano, empurrado principalmente por despesas com câmbio.
Aqui mora a confusão mais comum das finanças do futebol brasileiro. O balanço do Palmeiras registra R$ 113,8 milhões em pessoal e encargos em 2025 — e esse número está correto, mas não é a folha do elenco.
Seção “Pessoal e Encargos” das Demonstrações Financeiras 2025 da SE Palmeiras.
O que essa linha registra é a remuneração paga em regime CLT: salário em carteira, INSS, FGTS e benefícios. No futebol brasileiro, porém, a maior parte do que um atleta recebe não passa por ali — vai por direitos de imagem, pagos à empresa do jogador, com tributação diferente. É prática legal e generalizada, e é por isso que a folha contábil parece pequena diante do que o mercado conhece.
Quando se soma tudo — salário, direitos de imagem e bonificações —, o levantamento da Sports Value com dados de 2024 colocou o gasto do Palmeiras com atletas em R$ 449 milhões no ano, o segundo maior do Brasil.
Salários, direitos de imagem e bonificações somados. Fonte: Sports Value, com dados do exercício de 2024.
Para o valor estimado de cada jogador do elenco, mês a mês, veja a tabela do salário dos jogadores do Palmeiras, atualizada a cada janela de transferências.
O ativo total do clube saltou de R$ 1,762 bilhão em 2024 para R$ 2,153 bilhões em 2025 — crescimento de R$ 392 milhões em doze meses, e o maior ativo já registrado por um clube de futebol brasileiro.
Composição do ativo em 31 de dezembro de 2025.
O intangível é o valor contábil do elenco: o que o clube pagou pelos direitos federativos dos seus atletas, amortizado ao longo dos contratos. O imobilizado reúne o que é de tijolo — a Academia de Futebol, as instalações e a estrutura permanente construída no último ciclo. Sobre o estádio vale a distinção: a arena pertence à concessionária, e o clube opera sob o contrato descrito na página do Nubank Parque.
O exercício de 2026 conta uma história diferente da de 2025. O Palmeiras encerrou o primeiro semestre com déficit acumulado de R$ 124,047 milhões — mais de seis vezes o resultado negativo de R$ 19,377 milhões que o próprio orçamento já previa para o período.
Balancete de junho de 2026, publicado pelo clube e ainda não auditado.
O problema não está no gasto. As despesas operacionais ficaram R$ 1,039 milhão acima do previsto — desvio de 0,17%, ou seja, controle quase perfeito. O buraco está na entrada de dinheiro: a arrecadação veio R$ 186,721 milhões abaixo da meta.
E há um culpado isolado. A rubrica de rendas diversas, onde entram as negociações de atletas, previa R$ 242,446 milhões no semestre e entregou R$ 87,135 milhões. Essa diferença de R$ 155,311 milhões corresponde a cerca de 83% de toda a frustração de receita do clube. Publicidade e patrocínio também ficaram abaixo: R$ 109,114 milhões contra a meta de R$ 133,731 milhões.
O déficit não apareceu de uma vez. Ele cresceu mês a mês, conforme a janela de transferências passava sem as vendas projetadas:
MarçoR$ 14,6 mi
AbrilR$ 35,9 mi
MaioR$ 65,0 mi
JunhoR$ 124,0 mi
Déficit acumulado em cada fechamento mensal de 2026. Fonte: balancetes publicados pela SE Palmeiras.
Déficit não é dívida. Os R$ 124 milhões são o resultado contábil acumulado até 30 de junho, não uma conta que vence amanhã. E o número é reversível dentro do próprio ano: premiações de Copa do Brasil e Libertadores e vendas fechadas depois de junho entram no segundo semestre. O Portal do Palestra fez essa conta em quanto o Palmeiras ainda pode recuperar até dezembro.
O orçamento aprovado pelo Comitê de Orientação e Fiscalização em dezembro de 2025 projeta R$ 1,2 bilhão de arrecadação e superávit de R$ 11,2 milhões. A distribuição por fonte explica o modelo financeiro do clube melhor do que qualquer discurso de gestão.
Orçamento de 2026 aprovado pelo COF em 2 de dezembro de 2025.
Quase um terço da receita prevista depende de vender jogador — cerca de R$ 399,5 milhões em negociações ao longo de 2026. Foi exatamente aí que a conta furou no primeiro semestre, e por uma escolha esportiva: o clube preferiu manter o elenco no meio do ano em vez de aceitar propostas por Flaco López e Allan, operações que somadas poderiam passar de R$ 260 milhões. O acompanhamento das negociações fica no Mercado da Bola do Palmeiras.
A contrapartida desse modelo é a base do clube: em 2025, a formação rendeu 31 títulos nas categorias inferiores e 33 atletas relacionados ao profissional. Cada cria vendida é receita quase integralmente líquida, sem custo de aquisição a amortizar.
A comparação exige uma ressalva de honestidade: os clubes fecham e publicam balanços em ritmos diferentes, e os números dos rivais abaixo são do exercício de 2024, os mais recentes disponíveis em base comparável.
Dados dos rivais referentes ao exercício de 2024. O ativo do Corinthians é calculado pela equação contábil (passivo total somado ao patrimônio líquido).
O contraste que salta é o do patrimônio líquido. O Palmeiras tem R$ 568,9 milhões positivos; o Corinthians fechou 2024 com R$ 425 milhões negativos, o que significa que, vendendo tudo o que possui, o clube ainda ficaria devendo. O balanço corintiano de 2024 foi publicado com ressalva de dúvida sobre a continuidade operacional. O São Paulo registrou déficit de cerca de R$ 288 milhões, o maior da sua história. O Flamengo, que tem a maior receita bruta do país, encerrou 2024 com déficit de R$ 734 mil — praticamente zero, mas no vermelho.
Juntando 2025 e o primeiro semestre de 2026, o retrato é de um clube grande e caro, com receita recorrente sólida — TV, patrocínio, Avanti, bilheteria — que sustenta a operação, mas não sustenta sozinha o padrão de elenco que o Palmeiras decidiu manter. A diferença entre um superávit de R$ 292 milhões e um déficit de R$ 124 milhões cabe quase inteira numa variável: se as vendas de atletas saem ou não saem no ano.
É por isso que os dois anos parecem contraditórios e não são. Em 2025 o clube vendeu Estêvão, Vitor Reis e Richard Ríos e faturou uma Copa do Mundo de Clubes; em 2026 optou por segurar o time e pagou o preço contábil dessa escolha. O balanço registra a decisão esportiva com um ano de atraso — sempre.
A dívida operacional do Palmeiras era de R$ 986 milhões em 31 de dezembro de 2025, contra R$ 727 milhões um ano antes. O passivo total do clube, que inclui todas as obrigações, é de R$ 1,584 bilhão. O crescimento é atribuído no próprio balanço às aquisições de atletas.
A receita bruta operacional foi de R$ 1,696 bilhão, a maior da história do clube. Somando as receitas financeiras, o faturamento total passou de R$ 1,8 bilhão. A maior fonte isolada foi a negociação de atletas, com R$ 602,2 milhões.
O balanço de 2025 registra R$ 113,8 milhões em pessoal e encargos de todo o clube: R$ 103,3 milhões no futebol masculino, R$ 8,7 milhões no feminino e R$ 1,75 milhão no social. Esse valor cobre apenas a remuneração em regime CLT. Considerando salários, direitos de imagem e bonificações, o gasto total com atletas foi estimado em R$ 449 milhões em 2024 pela Sports Value.
Não. O clube fechou o primeiro semestre de 2026 com déficit de R$ 124,047 milhões, mas mantém patrimônio líquido positivo de R$ 568,9 milhões e ativo total de R$ 2,153 bilhões. O déficit é um resultado contábil acumulado, não uma dívida vencida, e decorre principalmente de vendas de jogadores que não se concretizaram no semestre.
Porque o modelo financeiro do clube depende de negociações de atletas, que representam cerca de um terço da receita prevista. Em 2025, as vendas de Estêvão, Vitor Reis e Richard Ríos e a premiação da Copa do Mundo de Clubes geraram receita excepcional. Em 2026, o clube optou por manter o elenco no meio do ano e arrecadou R$ 87,1 milhões em negociações, contra R$ 242,4 milhões previstos.
O ativo total do clube é de R$ 2,153 bilhões, o maior já registrado por um clube de futebol brasileiro. Desse total, R$ 971,5 milhões correspondem ao intangível — o valor contábil dos direitos dos atletas — e R$ 747,2 milhões ao imobilizado, que é a infraestrutura física.
As Demonstrações Financeiras anuais são auditadas por firma independente, publicadas em jornal de grande circulação e disponibilizadas no site oficial do clube. O balanço de 2025 foi auditado pela BDO RCS e publicado em 18 de março de 2026. O clube também divulga balancetes mensais ao longo do ano, que não passam por auditoria.
Todos os valores desta página vêm de documentos oficiais da Sociedade Esportiva Palmeiras: as Demonstrações Financeiras de 2025, auditadas pela BDO RCS Auditores Independentes e publicadas em 18 de março de 2026, e os balancetes mensais divulgados pelo clube durante 2026 — que, por definição, não são auditados e podem ser revisados no fechamento do exercício. O gasto total com atletas em base comparável entre clubes é do levantamento da Sports Value com dados de 2024.
Esta página é atualizada a cada publicação de balanço ou balancete relevante. As análises detalhadas de cada divulgação ficam em o balanço de 2025 e em o fechamento do primeiro semestre de 2026. Para o resto do acervo permanente sobre o clube, veja a Enciclopédia Alviverde.
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