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·01 de setembro de 2026

Flamengo atropela o Botafogo, mas análise aponta alerta para Leonardo Jardim

Imagem do artigo:Flamengo atropela o Botafogo, mas análise aponta alerta para Leonardo Jardim
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O Flamengo bateu o rival Botafogo em uma tarde de futebol de altíssimo nível no Maracanã. Mais do que o resultado, a partida apresentou alguns comportamentos coletivos que merecem ser destacados.

Como tem sido recorrente nos confrontos recentes, a equipe de Leonardo Jardim voltou a apresentar um primeiro tempo de altíssimo nível, impondo um domínio territorial absoluto e encurralando o adversário em seu próprio campo defensivo.


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O Flamengo controlou a partida a partir da circulação da bola, alternando acelerações e pausas, com muita mobilidade dos jogadores e constantes movimentos de ruptura nas costas da última linha do Botafogo.

O sistema alvinegro encontrou enormes dificuldades para bloquear as linhas de passe e, principalmente, para pressionar o portador da bola. Isso concedeu ao Flamengo algo extremamente perigoso: tempo e espaço para jogadores de enorme qualidade técnica e capacidade de leitura encontrarem soluções. A equipe conseguiu manipular a estrutura defensiva adversária por meio da circulação, atraindo o Botafogo para um setor antes de acelerar a jogada no espaço oposto.

O primeiro gol é um excelente exemplo desse mecanismo. O Flamengo circula a bola até provocar um desencaixe na estrutura defensiva do Botafogo. No momento em que a última linha é desorganizada, Samuel Lino ataca o espaço nas costas da defesa e recebe um passe espetacular de Jorginho, que, durante todo o primeiro tempo, foi o grande organizador e direcionador das ações ofensivas rubro-negras.

Samuel Lino: masterclass do Flamengo contra o Botafogo

Elogiar a temporada de Samuel Lino é chover no molhado, não é? O atacante vive sua melhor temporada como profissional e, mais do que simplesmente manter o alto nível de produção, vem adicionando novas ferramentas ao seu repertório.

Lino não é apenas um jogador de profundidade. Ele também participa da construção. Baixa para oferecer apoio, recebe de costas, joga de primeira e dá continuidade às sequências de passes. É um jogador que consegue conectar diferentes momentos da posse, funcionando como apoio quando a equipe precisa controlar a bola e como elemento de ruptura quando surge espaço para atacar.

Ofensivamente, apresenta excelente leitura para infiltrar por dentro, atacar o espaço entre lateral e zagueiro e, quando necessário, também oferece amplitude para abrir a estrutura defensiva adversária. O mais impressionante é o critério nas tomadas de decisão. Lino não acelera todas as jogadas de maneira indiscriminada. Ele entende quando fixar, quando atacar a profundidade, quando se aproximar e quando atacar o espaço.

Chegou ao duplo-duplo na temporada: 11 gols e 10 assistências. É, sem dúvida, um dos grandes protagonistas da temporada rubro-negra.

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Ponta esquerda e seu dono

Com a saída de Gonzalo Plata, Luis Araújo iniciou a partida como titular, mas novamente apresentou uma atuação bastante apagada. Foi então que entrou em cena o colombiano Jorge Carrascal.

O meia-atacante tem apresentado uma evolução importante em termos de concentração, entendimento do jogo e critério nas tomadas de decisão. Quando está plenamente conectado à partida, Carrascal é um jogador de enorme qualidade técnica e capacidade de desequilíbrio.

Tem facilidade para receber entrelinhas, conduzir quebrando linhas, associar-se em espaços curtos e encontrar soluções em zonas congestionadas. Mais do que o talento individual, o ponto que chama atenção atualmente é a sua participação dentro da estrutura coletiva. Carrascal parece cada vez mais confortável em interpretar os espaços e escolher o momento correto para acelerar.

Queda no segundo tempo e as opções para a posição de volante

Mais uma vez, porém, apareceu um padrão negativo que vem se repetindo nas últimas partidas: a diferença acentuada de rendimento entre os dois tempos.

O Flamengo construiu uma série de situações perigosas na primeira etapa, mas não conseguiu transformar o volume ofensivo em uma vantagem proporcional no placar. Ao não matar o jogo quando teve o controle territorial e técnico da partida, permitiu que o Botafogo permanecesse vivo.

Na segunda etapa, o cenário mudou. O Flamengo perdeu parte da intensidade na circulação, passou a ter menos capacidade para pressionar imediatamente após a perda e encontrou mais dificuldades para sustentar o domínio territorial.

Isso também está diretamente relacionado ao nível de exigência física imposto pelo modelo de jogo de Leonardo Jardim. A equipe precisa pressionar, reagir à perda, acelerar a circulação, oferecer linhas de passe constantemente e atacar a profundidade durante praticamente toda a partida.

Nesse contexto, uma posição merece atenção especial: a de volante. Pulgar e Jorginho são jogadores de enorme qualidade, mas apresentam uma tendência de queda física ao longo da partida, principalmente Jorginho. E isso impacta diretamente a capacidade do Flamengo de sustentar o modelo de jogo durante os 90 minutos.

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Foto: Divulgação/CRF

Por isso, mais do que simplesmente ter reposição numérica, é importante contar com alternativas que consigam preservar as características estruturais e técnicas do modelo.

Contra o Botafogo, essa possibilidade foi limitada. Paquetá entrou como meia pelo lado direito, Nico e Saúl não estavam à disposição, aliás, essas ausências são recorrentes, e Evertton Araújo oferece características diferentes, sendo um jogador mais voltado à proteção, ao duelo e à destruição das jogadas.

Não é uma crítica individual ao Evertton. É uma questão de perfil e complementaridade dentro do modelo. O Flamengo precisa de jogadores capazes de entrar na estrutura sem necessariamente alterar a lógica coletiva da equipe: capacidade de circulação sob pressão, qualidade no passe vertical, leitura para ocupar os espaços corretos e intensidade para sustentar a pressão após a perda.

É uma posição na qual o Flamengo certamente precisa ficar atento no planejamento do elenco, buscando mais amplitude de opções e diferentes perfis de volante, principalmente para manter o nível de controle e intensidade durante os 90 minutos.


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