Jornal do Fla
·31 de julho de 2026
Flamengo dispara e supera R$ 800 milhões de receita no 1º semestre de 2026

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·31 de julho de 2026

O Flamengo fechou o primeiro semestre de 2026 com receita bruta de R$ 839 milhões, alta de 9,5% comparado ao mesmo período de 2025. O número está abaixo do crescimento de 35% visto no primeiro trimestre, e a explicação está na base de comparação.
Isso porque o primeiro semestre de 2025 incluiu R$ 155,8 milhões em receitas extraordinárias da Copa do Mundo de Clubes. Esse valor infla a base usada para o cálculo do crescimento e distorce a comparação direta entre os dois períodos.
Descontado esse efeito pontual, o crescimento real da receita recorrente do clube no semestre foi de 32%, patamar em linha com o observado nos primeiros três meses do ano. Ou seja, o Flamengo não desacelerou, mas trocou parte de uma receita extra e não recorrente por crescimento recorrente em diferentes frentes comerciais.
No primeiro trimestre, a receita bruta do Flamengo já havia disparado 35% e ultrapassado R$ 383 milhões, puxada por patrocínios e bilheteria.
O relatório de transparência do clube separa dois números que costumam ser confundidos. A receita bruta total soma tudo que entra no caixa, incluindo venda de jogadores. Já a receita recorrente bruta exclui as vendas de atletas e mede apenas o dinheiro que vem da operação estável do clube.
No semestre, a receita recorrente bruta somou R$ 732,4 milhões, uma alta “oficial” de apenas 2,9% sobre 2025. Só que essa comparação também carrega o efeito da Copa do Mundo de Clubes. Descontado esse valor extraordinário, a receita recorrente cresceu 32%.
É esse número de 32%, que a própria administração do Flamengo destaca como o mais representativo da saúde financeira do clube.
A composição da receita bruta consolidada por atividade no semestre mostra um retrato bem diferente entre as frentes:
Queda de 36% comparado aos R$ 312,5 milhões de 2025. A queda, contudo, não é motivo de alarme, pois reflete diretamente o fim do efeito da Copa do Mundo de Clubes na linha “participação, exposição e performance”, que caiu de R$ 203,5 milhões para R$ 42,2 milhões.
Alta de 35,6% sobre os R$ 217 milhões do ano anterior. Essa é a fonte de receita que mais cresce de forma consistente e onde fica claro o ótimo momento comercial do clube.
Alta de 31,7% frente aos R$ 137,1 milhões de 2025, puxada por bilheteria (R$ 67,8 milhões), receitas do Estádio (R$ 60,8 milhões) e Sócio Torcedor (R$ 52,1 milhões).
Na prática, o Flamengo trocou parte da receita “extra” da Copa do Mundo de Clubes por crescimento recorrente em patrocínio e nas operações ligadas ao Maracanã, o que ajuda a explicar por que a queda na linha de mídia não compromete as finanças.
Um dos indicadores mais usados para medir a saúde financeira é o Ebitda, sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Ele mostra quanto dinheiro a operação do clube gera por conta própria, sem entrar nas dívidas, impostos ou lançamentos contábeis que não representam saída ou entrada real de caixa.
O Ebitda recorrente é uma variação que exclui o efeito da venda de atletas, assim como a receita recorrente. No semestre, esse número somou R$ 156,9 milhões, com margem de 22,8%.
Segundo o próprio relatório de transparência do clube, esse é o melhor desempenho recorrente dos últimos cinco anos, mesmo excluindo o impulso não recorrente da Copa do Mundo de Clubes. É um indicativo de que o crescimento de receita não veio acompanhado de descontrole nos custos.
“Desconsiderados os efeitos de compra e venda de atletas e os resultados extraordinários do Mundial de Clubes em 2025, o desempenho recorrente do período é o mais forte dos últimos cinco anos”, diz trecho do documento.
R$105,71
Mesmo com todos os números positivos, o semestre fechou com déficit consolidado de R$ 33,8 milhões. O número pode parecer contraditório diante de uma receita em alta e de um Ebitda recorde, mas a explicação está na amortização contábil de R$ 192,4 milhões dos direitos econômicos dos jogadores.
Esse lançamento não representa saída de caixa, apenas o reconhecimento contábil do investimento já feito no elenco.
O detalhe mais importante sobre o déficit é a trajetória dentro do semestre. Isso porque o primeiro trimestre fechou com o déficit de R$ 63,9 milhões, e o segundo trimestre, isolado, já trouxe superávit de R$ 30,1 milhões.
Ou seja, o pior momento do resultado ficou no início da temporada, e a tendência dentro do próprio semestre já é de recuperação.
O próprio Flamengo reforça, no relatório, a expectativa de manter o ritmo de crescimento da receita recorrente para o restante do ano. Historicamente, o primeiro semestre costuma fechar com resultado inferior ao segundo, já que premiações e parte relevante das receitas de estádio se concentram na segunda metade da temporada.
Em 2026, essa diferença entre os dois semestres deve ser ainda maior que o normal. Isso porque o calendário teve a pausa para a Copa do Mundo. Essa paralisação pesou sobre os números do primeiro semestre. Segundo o próprio relatório, sem essa pausa os resultado teriam sido ainda mais favoráveis.
Isso quer dizer que o segundo semestre de 2026 tende a puxar o resultado anual do Flamengo de forma ainda mais desproporcional. o clube projeta encerrar o ano com o melhor desempenho recorrente de receita da sua história recente, mesmo sem contar com eventos extraordinários como a Copa do Mundo de Clubes.
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