Jogada10
·15 de setembro de 2026
Flamengo faz acordo com Guerrero após acusação de “vingança”

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·15 de setembro de 2026

Flamengo e Paolo Guerrero chegaram a um acordo para encerrar uma disputa judicial que se arrastava há oito anos. O clube informou à Justiça do Rio de Janeiro, na segunda-feira (14), que acertou os termos com o ex-atacante para colocar fim a dois processos que, somados, envolviam cobranças de aproximadamente R$ 2 milhões.
Os valores e demais detalhes do acordo foram mantidos em sigilo. Entretanto, o entendimento aconteceu poucos dias depois de Guerrero apresentar uma manifestação na Justiça na qual acusou o Flamengo de tentar se “vingar” dele por não ter conseguido renovar seu contrato antes da transferência para o Internacional, em 2018.
Em uma das ações, o Rubro-Negro cobrava R$ 200 mil por danos morais de Guerrero e também acionava a Federação Peruana de Futebol. Já no outro processo, o clube buscava a devolução de R$ 1,8 milhão referente ao período em que o centroavante esteve suspenso por doping.

Duerrero disputou 115 partidas e marcou 43 gols pelo Flamengo – Foto: Divulgação/CRF
Em agosto, a defesa de Guerrero apresentou uma manifestação dura contra o Flamengo. Segundo os advogados do peruano, o clube tentava atribuir ao atacante uma série de prejuízos econômicos decorrentes do período em que ele esteve suspenso.
Entre os impactos citados pelo Flamengo estavam perda de premiações, redução no número de associados, queda nas vendas, prejuízos com ingressos e efeitos sobre contratos de patrocínio.
A defesa do atacante, porém, sustentou que a cobrança tinha como objetivo uma “vingança” pela saída do jogador. Além disso, acusou o Flamengo de tentar transferir para Guerrero riscos relacionados à própria atividade econômica do clube.
“Com mera intenção de ‘se vingar’ de sua frustração por não ter obtido sua renovação com o atleta”, afirmou a defesa em um trecho da manifestação.
Ainda segundo os representantes do peruano, a conduta do Flamengo configuraria “absoluta e inequívoca má-fé”.
Em uma das ações, o Flamengo pedia uma indenização de R$ 200 mil por danos morais. Além de Guerrero, a Federação Peruana de Futebol também figurava como ré no processo.
Entretanto, a tramitação enfrentou dificuldades ao longo dos anos. Como os endereços dos réus estavam no Peru, houve demora para que as citações fossem realizadas. Por isso, o clube apresentou diferentes pedidos à Justiça peruana para que os procedimentos determinados no Brasil fossem cumpridos.
Na segunda-feira, porém, os advogados rubro-negros comunicaram ao tribunal que o acordo havia sido fechado. Com isso, o Flamengo desistiu de prosseguir com a ação.
Já o segundo processo envolvia uma quantia significativamente maior. Nele, o Flamengo cobrava aproximadamente R$ 1,8 milhão de Guerrero.
O clube alegava que o valor correspondia a gastos realizados durante os 120 dias em que o atacante permaneceu suspenso. Além disso, sustentava que Guerrero havia prejudicado a imagem do Flamengo e impedido o clube de usufruir dos direitos de imagem previstos no contrato.
Entretanto, o Rubro-Negro sofreu derrotas em diferentes instâncias. Além disso, acabou condenado a pagar 10% do valor da causa em honorários advocatícios ao jogador, o equivalente a aproximadamente R$ 180 mil.
O processo chegou ao Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. No fim de agosto, porém, Flamengo e Guerrero apresentaram uma petição conjunta informando que negociavam um acordo e pediram a suspensão do julgamento.
Agora, com o entendimento entre as partes, a disputa também caminha para ser encerrada definitivamente.
A origem da briga está relacionada à suspensão de Guerrero por doping enquanto ainda defendia o Flamengo.
O atacante testou positivo para um metabólito da cocaína e, posteriormente, recebeu uma suspensão de 14 meses da Corte Arbitral do Esporte. Durante parte do processo, entretanto, conseguiu atuar graças a um efeito suspensivo.
A defesa do peruano sustentou ao longo da disputa que a ingestão da substância proibida não ocorreu de maneira intencional. Segundo essa versão, Guerrero tomou um chá indicado por uma nutricionista ligada à Federação Peruana durante período em que estava com a seleção.
Além disso, os advogados argumentaram que o próprio Flamengo reconheceu, em determinado momento, que a responsabilidade pelo episódio estaria relacionada à estrutura da federação.
Guerrero deixou o Flamengo em agosto de 2018, depois de não renovar seu contrato, e acertou com o Internacional. A saída ocorreu justamente em meio às consequências esportivas e jurídicas do caso de doping.
Pelo Rubro-Negro, o centroavante disputou 115 partidas e marcou 43 gols. Além disso, conquistou o Campeonato Carioca de 2017.
Posteriormente, pelo Internacional, entrou em campo 72 vezes e marcou 32 gols, mas não conquistou títulos.
Agora, oito anos depois do início das disputas judiciais, Flamengo e Guerrero chegam a um entendimento para encerrar definitivamente um capítulo conturbado da relação entre o clube e o atacante peruano.







































