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·03 de fevereiro de 2026

Flamengo projeta corte de gastos após estudo apontar aumento significativo de impostos

Imagem do artigo:Flamengo projeta corte de gastos após estudo apontar aumento significativo de impostos

O Flamengo já começou a se movimentar para enfrentar o que considera uma ameaça financeira sem precedentes. Após um estudo detalhado realizado por advogados tributaristas, o clube estima um pagamento de R$ 746 milhões em impostos nos próximos oito anos devido às mudanças na reforma tributária.

Diante desse cenário, a diretoria rubro-negra, segundo o jornalista Rodrigo Mattos, do "Uol", já prepara um plano de corte de custos que deve impactar o orçamento de 2026.


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A medida é uma resposta direta aos vetos do Ministério da Fazenda, que retiraram benefícios fiscais dos clubes associativos, elevando a carga tributária das entidades sem fins lucrativos para cerca de 11%, enquanto as SAFs (Sociedades Anônimas do Futebol) pagariam aproximadamente 5%.

Tamanho do prejuízo

Para entender o tamanho do impacto, o Flamengo contratou um escritório de advocacia especializado. A projeção é de que, em 2026, começaria em R$ 19 milhões, saltando para R$ 214 milhões em 2033. Em oito anos, o montante totaliza R$ 746 milhões a mais em tributos.

Em comparação, se o Flamengo fosse uma SAF, pagaria R$ 473 milhões a menos em impostos durante esse mesmo período, segundo o estudo interno.

Corte de gastos e risco ao esporte olímpico

Com a previsão de aumento de despesas, o clube iniciou a readequação orçamentária. Para 2026, já está estimada uma redução de R$ 16 milhões nas despesas. O alvo principal são as atividades deficitárias, colocando os esportes olímpicos na mira.

Hoje, o esporte olímpico rubro-negro opera com um déficit de quase R$ 50 milhões anuais (investe R$ 70 milhões e arrecada cerca de R$ 24 milhões com incentivos). O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, foi enfático sobre a inviabilidade de manter esse investimento no novo cenário.

"Temos que buscar esse dinheiro. Não vai botar R$ 700 milhões nos próximos sete anos para aprofundar esse investimento porque vai afetar o futebol rubro-negro", declarou Bap.

Ministério da Fazenda se pronuncia

O Ministério da Fazenda, por sua vez, contesta a versão de que os clubes associativos pagarão necessariamente mais impostos. Segundo João Pedro Machado Nobre, assessor da pasta, que foi diretor da reforma tributária, o novo regime permite compensações que não foram consideradas na reclamação dos clubes.

O argumento é que, diferente das SAFs, que são tributadas sobre a receita total, os clubes associativos serão cobrados por operação (como compras). Cada operação gera um crédito tributário que pode ser descontado ou devolvido.

"Não está claro se há uma desvantagem para um ou para outro. Pode ser mais vantajosa tributação para as SAFs ou para associações. Não é isso, só aplicar as alíquotas", defendeu o assessor, alegando que o objetivo é reduzir distorções.

Flamengo mantém alerta ligado

Segundo Mattos, a cúpula rubro-negra não se convenceu com a explicação do governo. A análise dos advogados do clube conclui que, sim, haverá aumento significativo e que o Ministério da Fazenda "não estudou o impacto de suas decisões no sistema esportivo brasileiro", especialmente nas modalidades olímpicas.

Enquanto prepara a tesoura para cortar gastos, o Flamengo mantém uma articulação política para tentar reverter os vetos em Brasília e reduzir o prejuízo projetado para a próxima década.

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