Jornal do Fla
·31 de julho de 2026
Flamengo reduz dívida e recupera fôlego de caixa no 2º trimestre

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·31 de julho de 2026

Depois de um primeiro trimestre marcado pelo investimento recorde em Lucas Paquetá, o Flamengo mostra sinais claros de normalização financeira entre abril e junho de 2026. O Endividamento Operacional Líquido do clube caiu de R$ 488,1 milhões para R$ 280,2 milhões, uma redução considerável para apenas três meses.
O indicador, chamado de EOL, reúne as obrigações do balanço com fornecedores, outros clubes, funcionários e governo, descontando o caixa e os valores a receber de clientes e de outros clubes. Os dados foram divulgados pelo próprio clube através do balancete do segundo trimestre do ano.
É uma métrica de dívida operacional líquida, e a queda forte no trimestre reflete os recebimentos do período somados à quitação de parte das obrigações assumidas na primeira janela de transferências do ano.
“Em 30/06/26, o EOL somava R$ 280,2 milhões — uma queda de R$ 207,9 milhões em relação ao pico de 31/03/26, refletindo os recebimentos do trimestre e a quitação de parte das obrigações assumidas na primeira janela de transferências do ano”, diz parte do balancete.
O Flamengo encerrou junho com R$ 127,8 milhões de caixa livre consolidado, considerando conta corrente e aplicações de renda fixa, e excluindo o caixa de uso restrito destinado a projetos incentivados. Valor R$ 57,3 milhões acima do registrado em 31 de março, o que reforça a recuperação ao longo do segundo trimestre.
Desse total, R$ 89,8 milhões estão sob gestão direta do Flamengo, enquanto o restante é administrado pela Fla-Flu Serviços S.A., empresa responsável pela operação do Maracanã.
Ainda assim, na comparação com dezembro de 2025, a posição de caixa recuou R$ 63,9 milhões. O motivo, segundo o próprio clube, é essencialmente o pagamento de parcela dos direitos econômicos de Lucas Paquetá, efeito parcialmente compensado pelos resultados positivos no período.
Outro indicador que melhora na comparação trimestral, mas ainda é o pior índice no acumulado do ano, é o capital circulante líquido. O Flamengo fechou junho de 2026 com capital de giro negativo em R$ 222,7 milhões, ante R$ 41,6 milhões negativos em dezembro de 2025.
O número parece ruim, mas melhora se comparado ao primeiro trimestre, quando o indicador chegou a R$ 282,7 milhões negativos. Ou seja, mesmo com o passivo circulante ainda rodando acima do ativo circulante, o segundo trimestre reduziu essa distância.
A própria administração reforça, nas notas explicativas do balanço, que esse nível de capital circulante negativo não representa risco à continuidade das operações, considerando a capacidade de geração operacional de caixa do Flamengo, que somou R$ 344,6 milhões no semestre.
“Em 30 de junho de 2026, o Clube apresenta um capital circulante líquido consolidado negativo no montante de R$222.711 (R$41.613 negativo em 31 de dezembro de 2025). A Administração entende que o nível de capital circulante líquido negativo não representa um risco para a continuidade operacional do Clube, considerando sua capacidade de geração operacional de caixa, que atingiu R$344.600 em 30 de junho de 2026”, diz trecho do documento.
R$70,99
O movimento de alívio financeiro aparece também na dívida líquida com atletas, que soma o que o clube ainda tem a pagar e a receber por negociações de jogadores. Esse indicador encerrou o segundo trimestre em R$ 304 milhões, menor que os R$ 393,9 milhões do primeiro trimestre.
Em proporção à receita total dos últimos 12 meses, esse número representa 14,1%, patamar que o clube classifica como saudável e em linha com o observado no mesmo período de 2025.
“A movimentação de atletas gerou receita bruta de R$ 106,9 milhões no primeiro semestre – praticamente o dobro dos R$ 54,5 milhões do 1S/25. No trimestre, o destaque foi a transferência de Ryan Dantas ao FC Shakhtar Donetsk, por R$ 56,2 milhões, somando-se às vendas de Juninho (Pumas, R$ 25,6 milhões), Victor Hugo (Atlético-MG, R$ 10,7 milhões) e Iago Teodoro (MLS,R$ 6,2 milhões.”
A queda reflete tanto os pagamentos já efetuados de contratações como Lucas Paquetá quanto as vendas concretizadas no trimestre, com destaque para a saída de Ryan Roberto ao FC Shakhtar Donetsk por R$ 56,2 milhões.
O quadro geral confirma a leitura que o Flamengo usou parte relevante do caixa acumulado em 2025 para viabilizar o investimento no elenco. Gastos assumidos sem recorrer a endividamento financeiro externo.
Esse movimento concentrou a pressão sobre o caixa e sobre os indicadores de liquidez no início do ano, justamente no período em que o clube fechou a contratação de Paquetá. A partir de abril, no entanto, os números começam a mostrar reversão em praticamente todas as frentes. A EOL está em queda, caixa livre em recuperação e capital de giro menos negativo.
Para o segundo semestre, a expectativa do próprio Flamengo é de que essa trajetória de recuperação continue, puxada pelo crescimento da receita recorrente e pela maturação das principais frentes comerciais.
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