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·26 de agosto de 2026

Flamengo traça plano para aumentar receitas com a base

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O Flamengo prepara uma mudança de patamar no trabalho das categorias de base com o objetivo de aumentar as receitas com vendas de jogadores nos próximos anos. Apesar de registrar números próximos aos do Palmeiras em negociações no geral, o Rubro-Negro vê o rival abrir vantagem quando o recorte considera principalmente atletas formados em casa.

Entre 2019 e 2025, o Flamengo arrecadou R$ 2,17 bilhões com transferências de jogadores, contra R$ 2,21 bilhões do Palmeiras, considerando valores corrigidos pelo IPCA. A diferença, porém, aumentou nos últimos anos e ganhou novo capítulo com a venda de Allan ao Manchester City por 40 milhões de euros (cerca de R$ 240 milhões).


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De 2023 a 2025, o Palmeiras arrecadou aproximadamente R$ 1,5 bilhão com transferências, sendo 73% do valor proveniente de jogadores formados na base. No mesmo período, o Flamengo registrou R$ 966 milhões em negociações, com os Garotos do Ninho responsáveis por cerca de 62% do montante.

A diretoria rubro-negra já trabalha para mudar esse cenário. A estratégia passa por investir mais na contratação de jovens ainda durante o processo de formação, buscando talentos em diferentes regiões do Brasil e até no exterior. A expectativa interna é começar a colher resultados mais expressivos a partir de 2027. As informações são do ‘UOL’.

“A gente não espera um ano brilhante em 2026, mas em 2027 a gente vem voando baixo. Estamos contratando pontualmente garotos que acreditamos que possam estourar. A ideia é comprar oito, dez garotos desses para posições do time profissional e que têm carência no mercado. É um conceito de banqueiro de investimento. Se um estourar, pagou por todos os outros “, disse o presidente.

Flamengo muda estratégia de captação na base

A gestão de Bap passou a autorizar investimentos proporcionalmente maiores para contratar jogadores ainda nas categorias de formação. Em vez de concentrar a captação apenas em oportunidades de baixo custo, a ideia é identificar atletas com potencial de chegar ao profissional e posteriormente gerar retorno esportivo e financeiro.

Um exemplo recente é Miguel Távora. O lateral-esquerdo de 18 anos estava no Operário-PR e foi anunciado pelo Flamengo na última semana. A busca não se limita aos grandes centros e tem como prioridade o talento e posições consideradas escassas no mercado.

Desde 2019, 50 operações envolvendo jogadores formados no Flamengo foram registradas nos balanços do clube. Considerando os valores lançados na época de cada negociação, os Garotos do Ninho renderam cerca de R$ 1,2 bilhão, média aproximada de R$ 24 milhões por atleta.

A maior parte desse dinheiro, porém, está concentrada em poucas vendas. Wesley, Lucas Paquetá, Reinier, Matheus França e João Gomes superaram individualmente a casa dos R$ 100 milhões e, juntos, renderam aproximadamente R$ 670 milhões.

Palmeiras abre vantagem com vendas milionárias

O salto recente do Palmeiras está diretamente ligado à sequência de grandes jogadores revelados pelo clube. Endrick, Estêvão, Luís Guilherme e Vitor Reis protagonizaram transferências superiores a R$ 100 milhões, e Allan agora amplia ainda mais essa diferença com a negociação de 40 milhões de euros com o Manchester City.

O Flamengo também conseguiu uma venda relevante em 2026 sem sequer precisar consolidar o jogador no profissional. Ryan Roberto foi negociado com o Shakhtar Donetsk por cerca de R$ 56 milhões depois de ter recebido poucas oportunidades na equipe principal.

Esse aproveitamento dos jovens é justamente uma das diferenças entre os clubes. Enquanto nomes como Endrick, Estêvão e Allan ganharam protagonismo no profissional antes das respectivas vendas, o Flamengo encontra maior dificuldade para oferecer sequência aos atletas da base em um elenco recheado de jogadores consolidados.

Atualmente, além de Paquetá, que retornou ao clube depois de construir carreira na Europa, Evertton Araújo é o jogador formado no Ninho com maior presença no elenco principal, mas ainda ocupa condição de reserva.

Base não tem o mesmo peso nas receitas do Flamengo

Apesar da vantagem palmeirense nas vendas recentes, o Flamengo depende proporcionalmente menos das transferências para sustentar suas receitas. Segundo levantamento do relatório Convocados, as negociações de jogadores representaram 40% da arrecadação do Palmeiras em 2025, contra 26% no Flamengo.

O Rubro-Negro consegue compensar a diferença com receitas maiores em áreas como direitos de transmissão, premiações e departamento comercial. Isso permite ao clube ter maior margem para manter seus principais jogadores, mas também reduz a necessidade imediata de abrir espaço no profissional para jovens visando uma futura negociação.

A estratégia para os próximos anos busca justamente conciliar os dois objetivos. Além do novo modelo de investimento na base, o Flamengo também procura jogadores com menos de 26 anos para o elenco profissional, aumentando a possibilidade de revenda futura sem abrir mão de um grupo capaz de disputar os principais títulos

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