RTI Esporte
·11 de setembro de 2026
Flamengo vence em Quito e dá recado na Libertadores

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·11 de setembro de 2026

O Flamengo venceu o Independiente del Valle por 2 a 0, em Quito, e saiu de um dos jogos mais difíceis das quartas de final da Copa Libertadores da América com uma vantagem que vale muito mais do que parece.
E não foi simples.
Eram 2.800 metros de altitude, um adversário soberano no futebol equatoriano e acostumado a decisões. O Independiente del Valle já cruzou o caminho do Flamengo em momentos importantes e até tirou do clube um título nos pênaltis.
Por isso, tratar o jogo como mera formalidade seria desconhecer a Libertadores.
O primeiro tempo confirmou a dificuldade. O time equatoriano adiantou a marcação, incomodou a saída de bola e obrigou o Flamengo a jogar mais longe de sua melhor versão.
Carlos Quintero, um dos artilheiros da competição, ainda acertou a trave de cabeça. Foi praticamente a única jogada realmente perigosa do time equatoriano, mas suficiente para mostrar que o adversário sabia onde atacar.
O Flamengo sentiu a altitude. Errou passes, perdeu intensidade e teve dificuldade para aproximar seus jogadores no ataque. Em compensação, não se desorganizou.
Essa talvez tenha sido a melhor notícia antes do intervalo.
E houve outra. Quintero deixou o campo lesionado no fim da primeira etapa. O Independiente del Valle perdeu sua principal referência ofensiva justamente quando precisava transformar a pressão em alguma coisa mais concreta.
Leonardo Jardim entendeu o recado.
No segundo tempo, o Flamengo passou a jogar mais adiantado e com seus jogadores mais próximos. A equipe recuperou a troca de passes, começou a quebrar as linhas equatorianas e tirou do Independiente del Valle aquilo que ele tinha conseguido no primeiro tempo: tempo para pressionar.
A entrada de Bruno Henrique no lugar de Pedro também merece destaque. Foi uma escolha por velocidade, profundidade e experiência. E funcionou.
Jorginho encontrou Samuel Lino pela esquerda. O cruzamento terminou na cabeça de Bruno Henrique e abriu o placar.
Depois, Emerson Royal cruzou com precisão para Léo Pereira marcar o segundo. Em uma noite na qual o Flamengo teve dificuldades para colocar a bola no chão, os dois gols vieram pelo alto.
A altitude também produziu uma cena curiosa. Os dois times erraram muitos passes e pareceram sofrer com a velocidade da bola. Em vários momentos, jogadores precisaram parar, apoiar as mãos nos joelhos e recuperar o fôlego.
Só que o Flamengo conseguiu administrar melhor o desconforto.
Isso é amadurecimento.
Não foi uma atuação brilhante. Foi uma atuação inteligente. O time percebeu que não precisava transformar Quito em espetáculo. Precisava sair vivo. Depois, percebeu que poderia sair vencedor.
Na próxima quinta-feira, o Maracanã estará cheio e os 2.800 metros ficarão do outro lado da história. O Independiente del Valle continua sendo perigoso, mas mostrou fragilidade defensiva e terá de correr atrás de uma desvantagem considerável.
Antes disso, há o Corinthians pelo Brasileirão. A liderança também exige atenção, porque não adianta fazer uma grande Libertadores e relaxar na competição que pode definir a temporada.
E existe ainda um detalhe interessante: Corinthians e Flamengo podem voltar a se encontrar na semifinal, caso ambos confirmem a classificação.
Por enquanto, o Flamengo fez aquilo que os candidatos ao título precisam fazer.
Sofreu quando precisou. Mudou quando percebeu o caminho. E venceu quando teve a oportunidade.
Em Quito, não foi apenas uma vitória.
Foi um recado.
(*) Marco Marcondes é jornalista, radialista, ator, diretor de cinema, teatro e televisão, promotor de eventos e CEO da Agência RTI Esporte


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