O empate em 1 a 1 com o Remo, no Beira-Rio, é daqueles resultados que resumem perfeitamente o Internacional atual. Foi um verdadeiro crime futebolístico. O Colorado abriu o placar, controlou a partida dentro da sua proposta, teve oportunidades claríssimas para matar o jogo e, quando parecia ter tudo encaminhado para uma vitória importante na luta contra o rebaixamento, conseguiu tomar um gol aos 48 minutos do segundo tempo em uma cobrança de falta no meio do campo.
O mais impressionante é que o Inter fez exatamente o que Paulo Pezzolano vem propondo nas últimas partidas. Linha de cinco, muita gente atrás da linha da bola, dois jogadores mais à frente e velocidade para tentar escapar no contra-ataque. O Remo terminou com 60% de posse de bola, contra 40% do Inter, mas isso não significa que tenha sido superior em oportunidades. Pelo contrário: o Colorado teve as chances necessárias para vencer.
A partida começou praticamente do jeito que o Inter queria. Mercado lançou Mateus Bahia, que chegou ao fundo e cruzou para a entrada da área. Carbonero apareceu batendo de primeira e fez 1 a 0. Era o cenário perfeito para o time de Pezzolano: fazer o gol, entregar a bola ao adversário e explorar os espaços deixados pelo Remo.
Só que aí apareceu o maior problema do Internacional nesta noite: a falta de eficiência. Carbonero teve outras duas oportunidades claríssimas para marcar. Em uma delas, ficou praticamente sozinho diante do goleiro e tentou tirar a bola, mas mandou para fora. Depois, teve outra chance em que finalizou, a bola desviou e saiu. Era para Carbonero ter saído do Beira-Rio com um hat-trick. Marcou um gol e desperdiçou duas chances que poderiam ter transformado uma atuação correta em uma vitória tranquila.
E aí entra aquela velha máxima do futebol: quem não faz, leva. O Inter teve a oportunidade de matar o jogo e não matou. O Remo continuou vivo até o último minuto e encontrou um gol completamente inesperado.
Aos 48 do segundo tempo, uma falta cobrada praticamente do meio da rua terminou com a bola desviando em Alerrandro e enganando Matheus Cunha. O goleiro tinha apenas dois jogadores na barreira e também não pareceu bem posicionado. O desvio complicou, claro, mas o goleiro poderia ter feito mais no lance. Foi um gol que não deveria acontecer em uma partida que o Inter tinha praticamente controlado.
Matheus Cunha, aliás, é outro ponto que precisa entrar na análise. O goleiro vinha fazendo partidas aceitáveis, mas voltou a cometer um erro importante. Em outro lance da partida, fez uma defesa que pareceu espetacular, mas que foi muito mais consequência de um posicionamento ruim. Estava praticamente no centro do gol e precisou se esticar para evitar a finalização. Não é o tipo de atuação que transmite segurança absoluta.
Apesar disso, não dá para colocar a culpa do empate exclusivamente no goleiro. O Inter teve o jogo nas mãos e não conseguiu fechá-lo. Carbonero perdeu chances, o time não aproveitou as escapadas e, no fim, os próprios jogadores acabaram se sabotando.
Dentro do campo, Pezzolano manteve praticamente a mesma estrutura das últimas partidas. O Inter atuou com cinco defensores, Bruno Gomes, Mercado e Maripán por dentro, Vitinho e Matheus Bahia pelos lados. Bruno Henrique teve participação mais defensiva, enquanto Bernabei avançava como uma espécie de terceiro homem de meio-campo. Na frente, Alan Patrick recuava para ajudar na construção, enquanto Carbonero e Bernabei buscavam velocidade pelas laterais.
A ideia é bastante clara. O problema é que um sistema reativo exige eficiência. Você pode entregar a bola ao adversário, jogar com 40% de posse e ainda assim ganhar. Mas precisa aproveitar as poucas chances que aparecem. Foi exatamente isso que o Inter não conseguiu fazer.
E isso torna o empate ainda mais doloroso porque o torcedor fez a parte dele. Quase 30 mil colorados foram ao Beira-Rio numa segunda-feira para apoiar uma equipe que está brigando na parte de baixo da tabela. O cenário estava montado para uma noite importante. O time abriu o placar, teve chances para ampliar e parecia caminhar para uma vitória fundamental.
No fim, porém, ficou apenas um ponto. E esse ponto é péssimo olhando para a tabela. O Inter chegou aos 23 jogos e está com 24 pontos, apenas um à frente de equipes que também brigam na parte de baixo. Pior: já disputou uma partida a mais que alguns concorrentes diretos. O aproveitamento é muito ruim e a margem para erro praticamente desapareceu.
Ainda assim, existe uma coisa que precisa ser reconhecida: esse resultado não é culpa principal de Pezzolano. O treinador encontrou uma maneira de fazer esse grupo competir. Contra adversários mais fortes, o Inter já mostrou que consegue jogar de forma organizada, sofrer menos e arrancar resultados. O problema é que, mesmo quando encontra uma estratégia que funciona, os próprios jogadores acabam desperdiçando as oportunidades e entregando situações que poderiam ser evitadas.
O Inter atual é um time extremamente limitado. Isso não significa que não existam problemas no trabalho de Pezzolano, mas o treinador claramente está tirando muito do pouco que tem. Ele criou uma estratégia que permite ao time competir e, diante do Remo, essa estratégia funcionou novamente durante quase toda a partida.
O que não funciona é a execução. Carbonero precisava ter feito mais. Matheus Cunha precisava ter defendido melhor. E toda a equipe precisava ter sido mais competente nos minutos finais.
É justamente por isso que o empate parece tão absurdo. Não foi um jogo em que o Inter foi dominado, tomou pressão durante 90 minutos e escapou por pouco. Foi o contrário. O Colorado teve a chance de construir uma vitória relativamente tranquila e deixou o adversário voltar para o jogo.
No futebol, pequenos erros fazem uma diferença gigantesca. O Inter poderia estar comemorando três pontos e uma semana de tranquilidade. Em vez disso, termina a rodada pressionado, olhando para a zona de rebaixamento e tentando entender como uma partida que parecia controlada acabou em mais um resultado frustrante.
Esse é o retrato do Internacional atual: um time que encontrou uma maneira de competir, mas que continua cometendo erros individuais e desperdiçando oportunidades demais. Pezzolano pode montar a estratégia, pode organizar o sistema e pode colocar os jogadores nas melhores condições possíveis. Mas, em algum momento, os próprios jogadores precisam parar de entregar.
Porque contra um Remo dentro do Beira-Rio, com quase 30 mil torcedores e 1 a 0 no placar, não existe explicação aceitável para terminar empatando. É, de fato, mais um capítulo das façanhas do Inter.