Jogada10
·09 de julho de 2026
França usa companhia que opera voos do ICE durante deslocamentos na Copa do Mundo

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·09 de julho de 2026

A logística adotada pela França na Copa do Mundo entrou em foco e abriu discussões sobre imigração nos bastidores da Copa do Mundo. Isso porque a seleção utilizou voos fretados da Global Crossing Airlines (GlobalX), empresa que aparece no centro das operações de deportação do governo americano, em seus deslocamentos durante o torneio.
Seguindo imagens divulgadas pela seleção e dados de rastreamento, sabe-se que a equipe utilizou aeronaves da GlobalX em pelo menos três deslocamentos domésticos entre partidas e o CT em Boston. A companhia operou mais da metade dos voos de remoção do ICE, órgão de imigração dos Estados Unidos, em 2024 e 2025.
Ainda baseado na investigação do jornal The Guardian, que fez os rastreamentos dos voos da França, a empresa transportou milhares de pessoas detidas dentro e fora dos Estados Unidos. Os dados analisados sobre o programa de deportações do governo Trump indicaram transferências sem aviso prévio para locais distantes de familiares e comunidades, situação que especialistas classificaram como possível violação de direitos constitucionais ligados ao devido processo legal.

Deslocamento da seleção francesa vira assunto nos bastidores da Copa – Foto: Jaiden Tripi/Getty Images
A GlobalX, segundo levantamento, ainda realizou transportes de detidos para o Cecot, em El Salvador. Trata-se de uma megaprisão conhecida pelo alto número de presos. Passageiros citados na investigação apontaram que alguns não tinham informações sobre o destino da viagem, enquanto outros eram transportados com algemas nas mãos e nos pés.
A aeronave utilizada pela França depois da vitória sobre o Paraguai acumulava 44 voos relacionados a deportações em 2026 e aproximadamente 950 desde 2022. Dados fornecidos pelo ICE Flight Monitor ao The Guardian indicaram que o mesmo avião levou imigrantes detidos de um centro no Arizona para a Louisiana em 1º de julho. Ou seja, poucos dias antes do deslocamento da seleção.
“É comum que certas companhias aéreas alternem entre operar voos da ICE e voos fretados de outras entidades privadas. Isso dentro de uma semana ou até mesmo no mesmo dia”, afirmou Sierra Randolph, gerente de dados do ICE Flight Monitor.
As análises começaram após um vídeo no Instagram da França que mostrava jogadores, entre eles Olise, nascido em Londres, entrando em um voo entre Filadélfia e Boston. Nas imagens, um adesivo com o logotipo da GlobalX apareceu em um compartimento de bagagem de mão.
A partir disso, o jornal investigou dados do Flightradar24, plataforma de rastreamento de voos. Lá descobriu registros de um Airbus saindo da Filadélfia por volta da meia-noite de 5 de julho e chegando em Boston aproximadamente uma hora depois. Pesquisadores do ICE Flight Monitor, então, identificaram a aeronave como uma das monitoradas regularmente em operações de fiscalização migratória.
Nem a GlobalX e nem a seleção francesa se manifestaram à imprensa sobre o uso das aeronaves. Sabe-se, porém, que o uso não se restringiu aos franceses durante a Copa do Mundo. De acordo com o Daily Mail, a Inglaterra teve contrato com a empresa, enquanto o Irã também utilizou serviços da companhia de voos fretados.
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