Gabriel Jesus no Barcelona: o Brasil desistiu antes da Europa | OneFootball

Gabriel Jesus no Barcelona: o Brasil desistiu antes da Europa | OneFootball

In partnership with

Yahoo sports
Icon: RTI Esporte

RTI Esporte

·07 de setembro de 2026

Gabriel Jesus no Barcelona: o Brasil desistiu antes da Europa

Imagem do artigo:Gabriel Jesus no Barcelona: o Brasil desistiu antes da Europa

Gabriel Jesus é do Barcelona. E a notícia diz muito mais sobre o atacante do que sobre o clube catalão. Diz também sobre a maneira como o futebol brasileiro passou a enxergá-lo.

O Barcelona, que fez da juventude uma espécie de obsessão administrativa, decidiu contratar um jogador de 29 anos. Pagou € 10 milhões ao Arsenal, cerca de R$ 60 milhões, além de bônus por produtividade.


Vídeos OneFootball


Pouco, considerando a experiência acumulada em Manchester City, Arsenal e Champions League. Muito menos do que clubes brasileiros costumam pagar por jogadores com currículo bem menor.

E aqui aparece a pergunta que deveria incomodar Flamengo, Palmeiras e outros candidatos a protagonistas no mercado nacional: por que ninguém pareceu interessado? Gabriel não estava escondido. Estava na Inglaterra. Jogando em uma das ligas mais competitivas do mundo. É verdade que as lesões atrapalharam suas últimas temporadas. Também é verdade que começava a recuperar espaço justamente quando surgiu a proposta do Barcelona.

Ainda assim, no Brasil, praticamente ninguém tratou a possibilidade de retorno como uma oportunidade real.

Talvez porque o futebol brasileiro tenha comprado uma versão simplificada de Gabriel Jesus: a do atacante que não funcionou em Copa do Mundo.

É uma leitura pobre. E, principalmente, conveniente.

Gabriel foi transformado em uma espécie de réu permanente pelos fracassos da seleção. Como se uma eliminação fosse obra de um único jogador. Como se ele tivesse escolhido sozinho escalações, funções e estratégias.

Na era Tite, muitas vezes atuou longe da posição em que mais poderia produzir. Depois, ficou com a conta.

Barcelona oferece o recomeço que o Brasil não ofereceu

A chegada ao Barcelona permite justamente apagar parte dessa caricatura.

Hansi Flick terá um atacante móvel, capaz de jogar centralizado, cair pelos lados, pressionar e atacar espaços. Não é difícil imaginar por que o treinador pode enxergar utilidade em um jogador que conhece o futebol de alto nível há mais de uma década.

A concorrência será forte, com Gordon, Adeyemi e Raphinha. Gabriel não chega como dono da posição. Terá de reconquistar esse status.

E talvez seja a melhor coisa que poderia acontecer.

O contrato de duas temporadas também diz muito. O Barcelona não está oferecendo uma aposentadoria dourada. Está oferecendo uma prova.

Se responder, pode ficar. Se não responder, a experiência terá sido curta.

Para Gabriel Jesus, entretanto, a oportunidade é enorme. Aos 29 anos, ele ainda tem tempo para reconstruir a própria história. E o mais curioso é que precisou sair do Arsenal para encontrar um clube disposto a apostar nisso.

O futebol brasileiro preferiu julgá-lo.

O Barcelona preferiu testá-lo.

Agora Gabriel Jesus terá de responder em campo. Sem a proteção da nostalgia e sem a desculpa das Copas.

Porque, depois de tantos anos sendo tratado como problema, talvez tenha chegado o momento de descobrir se ele realmente era o problema.

Ou se o problema sempre esteve na facilidade com que decidiram culpá-lo.

(*) Marco Marcondes é jornalista, radialista, ator, diretor de cinema, teatro e televisão, promotor de eventos e CEO da Agência RTI Esporte

Saiba mais sobre o veículo