Esporte News Mundo
·06 de janeiro de 2026
Gestão do São Paulo é investigada por suspeita de desvio de R$ 1,5 milhão

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·06 de janeiro de 2026

Relatórios financeiros obtidos pelo UOL mostram que o presidente do São Paulo, Julio Casares, recebeu R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro vivo entre janeiro de 2023 e maio de 2025. As movimentações estão sendo analisadas em uma investigação da Polícia Civil, que apura as irregularidades envolvendo o clube.
De acordo com os documentos e com a apuração do UOL, o valor depositado em espécie representa 47% de toda a renda de Casares no período. Já o salário pago pelo São Paulo ao dirigente correspondeu a menos de 20% de toda a movimentação registrada na mesma conta bancária.
Os relatórios apontam que os depósitos foram feitos de forma fracionada, em valores menores e repetidos ao longo do tempo. Essa prática é chamada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) de “smurfing”, vista como uma tentativa de driblar os mecanismos de controle do sistema financeiro.
Há registros, por exemplo, de 12 depósitos realizados em um único dia, além de diversas operações no valor de R$ 49 mil (abaixo do limite de R$ 50 mil, que exige comunicação automática ao Coaf).
Segundo os documentos, Casares informou ao banco que os valores seriam “recursos recebidos em espécie do SPFC referentes a bonificações por campeonatos”. Os relatórios, porém, não detalham se houve comprovação dessa justificativa.
As informações levantadas pelo Coaf servem de base para uma investigação conduzida pela Polícia Civil, que pediu segredo de Justiça em três ocasiões. Procurada pelo UOL, a Polícia confirmou apenas que existe um inquérito em andamento, mas não deu detalhes sobre o conteúdo da apuração nem sobre possíveis investigados.
A investigação também analisa movimentações financeiras do próprio clube. Um outro relatório mostra que o São Paulo realizou R$ 11 milhões em saques em dinheiro vivo entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, divididos em 35 saques. Até agora, a Polícia afirma que não há ligação comprovada entre esses saques e os depósitos feitos na conta de Casares.
Em nota, o São Paulo informou que vai apresentar a contabilidade completa dos R$ 11 milhões e reforçou que os valores não têm relação com os depósitos investigados do presidente.
Os documentos também mostram que a conta bancária de Julio Casares foi usada, de forma recorrente, para pagar despesas de sua ex-mulher, Mara Casares, que é diretora licenciada do clube.
Ao todo, foram identificados 104 boletos pagos em nome dela. Os relatórios não apontam, até o momento, se essas despesas têm ligação com as irregularidades apuradas.









































