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·23 de abril de 2026

Gestor admite falha contábil de cerca de R$ 80 milhões no fundo da Neo Química Arena

Imagem do artigo:Gestor admite falha contábil de cerca de R$ 80 milhões no fundo da Neo Química Arena
  1. Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão

A nova administradora do fundo imobiliário da Neo Química Arena reconheceu a existência de uma inconsistência contábil relevante, estimada entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões, que afetou os demonstrativos do Arena Fundo de Investimento Imobiliário (Arena FII). Segundo a atual gestão, já há um trabalho em andamento para corrigir o problema e regularizar a situação financeira do estádio.

Em entrevista ao UOL Esporte, o CEO da Asarock Asset Management, Gabriel Pupo, explicou que registros equivocados envolvendo receitas de bilheteria acabaram inflando os balanços do fundo por anos. Esses valores foram contabilizados como se fossem créditos a receber, embora, na prática, nunca tenham ingressado no caixa, o que gerou inconsistências apontadas por auditorias independentes.


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Foto: Mauro Horita/Getty Images)

De acordo com o executivo, a falha ocorreu em gestões anteriores, ainda sob responsabilidade da BRL Trust, antiga administradora do fundo. “Era algo em torno de 80 e poucos milhões. E que não existia. Não teve essa entrada de recurso. Foi um lançamento contábil errado”, afirmou Pupo.

Após a saída da BRL Trust, a gestão passou para a Reag, empresa envolvida no escândalo do Banco Master, antes de ser assumida pela Asarock. Apesar disso, o atual gestor garante que não há qualquer indício de irregularidade envolvendo o fundo da arena nesse episódio.

“De fato, nada aponta que haja qualquer contaminação. Não entrou em nenhuma investigação. Esse fundo sempre rodou limpo. Os fundos contaminados foram os que receberam aportes. As vezes desavisados, recebiam dinheiro era sujo ou sabiam. No clube nunca entrou um centavo da Reag”, declarou.

O problema contábil, segundo Pupo, está relacionado ao registro de receitas que nunca foram efetivamente recebidas. Esses valores permaneceram nos balanços ao longo de diferentes exercícios, sem conciliação adequada, situação que se agravou durante a pandemia de covid-19, quando a operação da arena foi impactada. “O auditor olhava, pedia extrato e o dinheiro não estava lá. Era uma diferença significativa”, relatou.

Documentos obtidos pelo UOL confirmam que, por vários anos, valores elevados foram registrados como “contas a receber” ou “receitas operacionais a receber”. Em dezembro de 2022, o montante alcançava R$ 99,54 milhões, praticamente mantido no ano seguinte, quando chegou a R$ 99,56 milhões.

O relatório de auditoria referente a 2022 já indicava problemas, apontando a impossibilidade de confirmar esses valores por meio de fontes externas. A falta de evidências suficientes impediu uma avaliação adequada, levando a auditoria a emitir uma opinião com ressalva.

Após discussões envolvendo clube, auditores e responsáveis pela contabilidade, houve entendimento de que os registros eram indevidos e precisariam ser ajustados. “O auditor entendeu que realmente esse lançamento foi feito de forma errada e concordou em dar baixa. Mas, para isso, foi necessário reprocessar exercícios anteriores”, explicou Pupo.

Posteriormente, a Asarock informou que a redução abrupta de cerca de R$ 100 milhões nas contas a receber entre outubro e novembro de 2025 ocorreu justamente por conta dessa correção. Os valores haviam sido lançados de maneira equivocada após mudanças na estrutura financeira envolvendo a Caixa Econômica Federal. Com a constatação de que os recursos nunca entraram no fundo, foi feita a baixa contábil.

Os registros mostram ainda que essas inconsistências não começaram na pandemia. Já entre 2016 e 2018 havia valores relevantes lançados como receitas a receber. Em 2017, por exemplo, o saldo era de R$ 36,5 milhões, enquanto em 2018 aparecia em R$ 28,3 milhões.

Nos anos seguintes, esses números cresceram gradualmente até se aproximarem dos R$ 100 milhões, representando cerca de 13% dos ativos do fundo. Esse cenário comprometeu a governança e dificultou operações estratégicas, como a entrada de investidores. “Não dá para buscar um sócio ou investidor com balanço sujo. Com auditor dizendo que tem algo errado ali”, afirmou o CEO.

A situação também gerou instabilidade operacional, agravada pela liquidação da Reag, o que deixou o fundo temporariamente sem funcionamento no início de 2025. Durante esse período, o Corinthians precisou antecipar recursos para manter as atividades da arena, valores que deverão ser ressarcidos posteriormente.

Atualmente, está em curso o processo de revisão das demonstrações financeiras referentes aos anos de 2023, 2024 e 2025. A expectativa da gestão é que, a partir de 2026, os balanços sejam apresentados sem ressalvas.

Para isso, será necessária a atuação do liquidante designado pelo Banco Central para a antiga administradora, responsável por formalizar as correções. “Existe um compromisso do liquidante de nos entregar as DFs limpas. Isso está em ata”, destacou Pupo.

Com a regularização dos dados, a administração acredita que o fundo passará a ter maior transparência, estabilidade e segurança para decisões futuras. Embora não tenha detalhado próximos passos, o gestor afirmou que a normalização abre espaço para novos movimentos estratégicos.

Por fim, a atual gestão informou que pretende divulgar regularmente as informações do fundo por meio de um portal de transparência, além de se manter disponível para esclarecer dúvidas sobre a estrutura e os números do Arena FII.

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