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·06 de março de 2026
Gigi Fresco, também presidente, se 'demite' como técnico após 44 anos no cargo na Itália

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Luigi Fresco foi demitido do Virtus Verona nesta quinta-feira (5). Uma notícia normal, certo? Nem um pouco. Isso porque o treinador italiano de 64 anos estava no comando da equipe desde 1982. E para deixar ainda mais curioso: Gigi também é presidente dos Virtussini há quatro décadas.
Tudo começou em 1969, quando o ainda criança Gigi ingressou no Virtus Verona como um zagueiro. Quatro anos mais tarde, o jovem italiano teve sua primeira experiência na beirada dos gramados: assumiu como treinador da equipe de jovens, que havia entrado como defensor há quatro anos.
A ascensão do italiano enquanto treinador ofuscou sua trajetória como jogador. E a área técnica parecia mesmo ser o seu destino. Em 1979, aos 18 anos, foi eleito membro do conselho do clube. Um ano depois, aos 19, foi escolhido como chefe do setor juvenil. No mesmo ano, viu o companheiro Pasuello deixar a coordenação de atividades para jovens, para se tornar o único responsável pelo setor.
Em 1982, Luigi foi eleito presidente do Virtus Verona, ganhando a votação entre os sócios do clube por cerca de 500 votos a 150. Alguns meses depois, em julho de 1982, ele mesmo se elegeu para técnico profissional, cargo que assumiu por longevos 44 anos.
O "Ferguson italiano", como é carinhosamente apelidado, esteve no comando da equipe por mais de 500 partidas, totalizando pouco menos de 16 mil dias no comando de uma mesma equipe profissional. Embora não reconhecido pelo Guinness, o comandante italiano é considerado por algumas fontes longevo dentro de sua profissão - sem sombra de dúvidas é um dos mais longevos.
Nesse período, Gigi foi responsável pela ascensão do Virtus Verona. Fundado em 1921 no bairro Borgo Venezia, o clube italiano conviveu muitos anos disputando as divisões do futebol local, sem esperança de sair disso. Até que o profissionalismo se mostrou uma meta atingível.
Ao fim da temporada 91/92, Gigi conduziu o Virtus à Promozione, equivalente à sexta divisão do futebol italiano. Em 99/00, conquistou outro acesso. Em 05/06 alcançou a Serie D, com o título da divisão, inclusive. A quarta divisão era, naquela altura, a primeira dos amadores, última antes do futebol profissional.
Foram sete temporadas disputando pelas vagas mais altas na Serie D, até que, em 12/13 o Virtus confirma a participação nos playoffs de acesso e chega ao futebol profissional, para disputar a Serie C2, hoje extinta. Em 13/14, a cidade de Verona foi a única a contemplar três equipes profissionais na Itália. Com a unificação da terceira divisão um ano depois, o Virtus volta a Serie D.
Os anos se passaram e o Virtus seguiu nessa gangorra, entre a terceira e a quarta divisões. Desde o vice-campeonato na Serie D em 17/18, o clube de Verona se manteve na Serie C, mas raramente disputou o acesso para o segundo escalão do futebol italiano. Em 20/21, 22/23 e 24/25, o Virtus chegou a disputar os playoffs de acesso, mas sequer passou da terceira fase (sendo seis ao todo).
Gigi Fresco deixou o comando do Virtus após 44 anos. A notícia caiu como uma bomba em Verona. O italiano segue como presidente e, inclusive, auxiliar técnico, mas tomou a decisão de deixar o comando principal pelo bem de seu clube. Isso porque, atualmente, a equipe ocupa a 19ª colocação com riscos reais de rebaixamento à Serie D.
Mas é necessário entender a forma de disputa da Serie C italiana. 60 equipes disputam o terceiro nível do futebol local, divididas em Grupos A, B e C. Dos cinco piores, os últimos colocados de cada chave são automaticamente rebaixados à quarta divisão, enquanto os outros quatro (16º a 19º) disputam playouts pela permanência. São 38 rodadas nessa primeira fase e, após 30 delas, o Virtus está a uma posição da lanterna.
Com receio de retornar ao futebol amador, Luigi Fresco "se demitiu" e colocou Tommaso Chiecchi, ex-jogador de Chievo, Modena e SPAL e sem clube desde que deixou o Ambrosiana, em seu lugar. Com oito rodadas remanescentes na primeira fase, o cartola entendeu que era hora de "injetar nova energia e motivação no grupo", de acordo com a nota oficial do clube.
Para reverter a situação e se manter na Serie C, Chiecchi terá uma dura missão, afinal o 15º colocado do Grupo A e primeiro fora da zona dos playouts está a 13 pontos de distância. Como é de se imaginar, os jogadores do clube não são muito badalados, à exceção de um.
33 dos 35 jogadores do elenco atual são italianos, e é um dos estrangeiros que chama a atenção: Hachim Mastour. Ex-promessa do Milan, o meia marroquino chamou a atenção do mundo pela sua habilidade com a camisa rossonera entre 12/13 e 14/15 e foi disputado por grandes clubes, como Real Madrid, Barcelona e Manchester United, mas se tornou uma eterna promessa. Desde que saiu do clube, porém, Mastour virou um andarilho da bola.
Mais jovem da história a jogar pela seleção marroquina e "algoz" de Neymar em desafio de freestyle, Mastour não vingou no futebol. Passou um tempo emprestado entre Málaga e Zwolle antes de rodar por divisões inferiores de Itália e Marrocos. Aos 27 anos, em sua décima temporada como profissional, o marroquino soma menos de 100 jogos.
"Não tive boas oportunidades. As pessoas e o sistema me viam como uma máquina de fazer dinheiro, não como um garoto que queria realizar seu sonho. Contratos, dinheiro, visibilidade... Eu só pensava em futebol. Nunca encontrei meu lugar. Se cometi erros, não tenho problema em admiti-los. Se tivesse progredido passo a passo, minha carreira certamente teria sido diferente. A chama ainda está acesa. Sinto que ainda tenho algo a fazer e dizer no futebol. Ainda sonho com a Champions League", disse o jogador em entrevista ao L'Equipe.









































