Jogada10
·22 de agosto de 2026
Gol de Hulk tem “bola fantasma” e chama atenção no Maracanã

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·22 de agosto de 2026

O gol de Hulk na vitória do Fluminense por 2 a 1 sobre o Remo, neste sábado (22), no Maracanã, chamou atenção não apenas por iniciar a reação tricolor. A trajetória da bola depois da cabeçada do atacante produziu uma daquelas imagens que parecem desafiar a lógica e que, na história do clube, inevitavelmente remetem ao Sobrenatural de Almeida e a João de Deus.
O lance aconteceu aos 20 minutos do segundo tempo, quando o Fluminense ainda perdia por 1 a 0. Soteldo avançou pela esquerda e cruzou na medida para Hulk. O camisa 7 cabeceou com efeito, e a bola acertou o travessão antes de cair na pequena área.
Depois de tocar no gramado, porém, ela ganhou um quique incomum. A bola mudou a trajetória e voltou em direção ao gol, entrando diante de um Marcelo Rangel já sem possibilidade de reação. Assim, o lance rapidamente chamou atenção pelo efeito curioso.
Se o roteiro tivesse ocorrido nas décadas em que Nelson Rodrigues transformava partidas de futebol em literatura, provavelmente haveria espaço para o Sobrenatural de Almeida em sua crônica. Criada pelo dramaturgo e fervoroso torcedor do Fluminense, a figura invisível servia justamente para explicar aquilo que a lógica do jogo parecia incapaz de justificar. Lances improváveis, mudanças repentinas e acontecimentos que fugiam da racionalidade eram território do personagem.

Cabeçada do atacante Hulk empatou o jogo após quicar de forma incomum e entrar no gol – Foto: Lucas Merçon / Fluminense F.C.
O Sobrenatural de Almeida nem sempre estava ao lado do Tricolor. Pelo contrário, Nelson também atribuía a ele infortúnios sofridos pelo próprio Fluminense. Ainda assim, o personagem se tornou uma das representações mais famosas do imponderável no futebol brasileiro. Por isso, a “bola fantasma” de Hulk parece saída justamente desse universo criado pelo cronista.
Existe ainda outra figura inseparável da mística tricolor. João de Deus é a forma como o Papa João Paulo II passou a ser tratado pela torcida do Fluminense. A ligação começou em 1980, durante a primeira visita do pontífice ao Brasil, quando ele recebeu uma camisa do clube. Naquele mesmo ano, a canção “A bênção, João de Deus” tomou as arquibancadas e virou uma espécie de talismã na campanha do título carioca.
Décadas depois, em 2010, João Paulo II foi oficializado pelo Fluminense como padroeiro do clube. Desde então, a referência a João de Deus reaparece especialmente em momentos de dramaticidade, reação e vitórias improváveis.
Contra o Remo, certamente houve explicação física para o efeito da bola. Entretanto, para uma torcida acostumada a misturar futebol, literatura, fé e superstição, o quique dificilmente passaria despercebido.
Antes disso, o Remo havia aberto o placar aos 31 minutos do primeiro tempo. Tchamba lançou Marcelinho pela direita, e o lateral cruzou para Jajá finalizar de primeira e superar Fábio.
O Fluminense, contudo, aumentou a pressão depois do intervalo. O empate de Hulk premiou o domínio tricolor e levantou o Maracanã. Depois, aos 37 minutos, Serna completou a reação. Ganso cobrou escanteio curto para Riquelme Felipe, que cruzou para o colombiano desviar de cabeça e fazer 2 a 1.
Assim, entre uma “bola fantasma”, uma lembrança do Sobrenatural de Almeida e a velha mística de João de Deus, o Fluminense chegou aos 41 pontos em 24 partidas e permaneceu na quarta colocação do Campeonato Brasileiro.
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